A cereja rentável do bolo

Da pequena Vargem Bonita (SC) para a gigante petrolífera Shell: esse é o caminho dos créditos de carbono gerados pela primeira vez no Brasil por uma empresa do setor de papel e celulose, dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).  Trata-se da Irani, que também fabrica embalagens, móveis e madeira.  A emissão é a segunda do setor no mundo, precedida apenas por um projeto na Índia.

A empresa, que no ano passado obteve faturamento de R$ 362 milhões, investiu R$ 22 milhões na montagem do projeto, executado pela consultoria Ecosecurities.  “Esperamos um pay-back em três anos”, diz o diretor administrativo e financeiro Odivan Cargnin.  Isso não apenas pelo valor de venda dos créditos, mas também pela economia energética resultante do projeto.

Os créditos foram gerados mediante a desativação de sete antigas caldeiras, que queimavam óleo combustível, e pelo aproveitamento dos resíduos de madeira da própria fábrica e de outras da região.  Os resíduos descartados emitiriam metano em sua decomposição.  Mas, ao serem aproveitados como combustível, “trocou-se” a emissão do metano pela de dióxido de carbono, 23 vezes menos prejudicial ao clima.

A biomassa passou a ser usada na geração de vapor para secagem do papel e de energia elétrica, o que fez com que a empresa deixasse de comprar energia da rede pública.  O primeiro lote de créditos foi negociado por R$ 2,6 milhões, valor referente a 179.387 toneladas de carbono equivalente evitadas em 20 meses de operação.  Outros lotes deverão ser vendidos nos próximos 21 anos.

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