Página 22, dois anos

Há menos de meia década, o socioambientalismo ainda lutava para se fazer ouvir e influenciar práticas produtivas e políticas públicas, no tempo em que sustentabilidade era uma palavra pouco usual e menos ainda entendida.  Hoje não há empreendimento lançado sem considerá-la, ainda que o objetivo seja resguardar-se de pressões de uma sociedade civil cada vez mais consciente da crise de proporção planetária, evidenciada pelo aquecimento global.

Mas, em escala também meteórica, passou a palavra desgastada sem dó, apropriada por discursos menos comprometidos e até pelos bem-intencionados, em profusão de mensagens que mais desorienta do que dá a senha de como agir em uma nova era.  Quem lá atrás fundou o movimento pela causa questiona se o sonho foi capturado e reprogramado para se adequar aos interesses vigentes, ou é capaz de provocar real e gradual transformação na sociedade.

E também se pergunta como agora lidar com o fi lho que cresceu, saiu de casa e parece dono do próprio destino.  A sustentabilidade criou asas, mas tem berço.  Manter o fi o com a própria origem é garantir que a identidade seja preservada, e o futuro, nunca desencaminhado.

Nessa época de revisões, o socioambientalismo não precisa se pintar do verde escuro pessimista que desmobiliza as pessoas, nem se curvar ao verde claro do greenwashing.  O verde vivo é o tom de um movimento capaz de se rejuvenescer, com ideias arejadas e tecnologia, como propõe o entrevistado nesta edição.

Exatamente dois anos atrás, nascia PÁGINA 22, resultado de um projeto lançado já em 2005, quando sustentabilidade era aquela palavra pouco usual, mas que a revista abraçou como causa.  Mais que um produto editorial, é um projeto que mostra a que veio: contribuir com o bom jornalismo para um ideal que transcende os círculos de origem, porque deve se disseminar para todos.  E nada como um veículo de comunicação para formar esses elos e provocar as inovações de pensamento e práticas necessárias para que tudo continue vivo.

Errata: na versão impressa do editorial, a palavra “relatório” foi inserida erroneamente no primeiro parágrafo

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