Chernobyl amazônico

Por Carolina Derivi

Quinze anos se passaram desde que começou a batalha judicial pelo pior desastre ambiental provocado por petróleo na história.  Agora, uma decisão final parece estar próxima.  Um perito designado pela Corte de Justiça Equatoriana estimou em US$ 27 bilhões a indenização a ser paga pela Texaco – hoje incorporada pela petroleira Chevron – a 30 mil indígenas por danos causados ao meio ambiente e à saúde da população.

A Texaco operou na região de Oriente, Norte da Amazônia equatoriana, de 1964 a 1992.  Os reclamantes alegam que, nesse período, a empresa teria derramado milhões de litros de água de prospecção e rejeitos de petróleo em rios e igarapés, em lugar de utilizar a tecnologia disponível para reinjetar os resíduos no subsolo.

Além do desastre ambiental, a exploração petroleira teria provocado aumento da incidência de câncer, abortos e má-formação de nascimento, isso porque o petróleo é composto de substâncias reconhecidamente carcinogênicas como benzeno, xileno e alcatrão.  Um levantamento realizado pela ONG local Acción Ecológica concluiu que, no ano de 2000, a taxa de mortalidade por câncer em Oriente era de 34%. O triplo da média nacional.

O processo contra a Texaco/Chevron teve início na Justiça americana em 1993.  Dez anos depois, a ação foi recusada e remetida ao Equador. A decisão final da Corte de Justiça Equatoriana está prevista para o primeiro semestre de 2009.

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