Página Cultural

Para cantar nada era longe

Para cantar nada era longeBedê larga a guitarrinha baiana, pega o bandolim com agilidade e desfia o que aparentemente será uma conhecida do cancioneiro nacional, mas a música gira ao contrário no seu improviso e ganha outros ares. E é jazz? Ele troca de novo de instrumento, desta vez a flauta transversal, e apronta mais algumas de sua autoria. “É música brasileira, claro, baião, maracatu, frevo, samba, tudo misturado e com improviso. Parece jazz porque o jazz usa muito improviso, mas é um recurso de que qualquer gênero pode lançar mão”, explica-me Moacir Bedê, ao final da apresentação, num teatro para pouco mais de 20 pessoas na Praça Benedito Calixto. Bedê nasceu em Fortaleza, mas morou e tocou em Portugal, Espanha, Alemanha, Inglaterra, EUA e Argentina, andando atrás do público.

Assistir a essa diversidade de gêneros musicais numa noite despretensiosa só pode acontecer em São Paulo? À primeira vista, sim. Mas Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, para falar de algumas capitais, têm uma agenda cultural variada. “A gente vem pra São Paulo porque a verba da cultura ainda está concentrada aqui, estão tentando mudar isso, mas a mídia está aqui, o dinheiro para projetos culturais está aqui. O certo mesmo seria cada um ficar na sua cidade, se a lógica do incentivo cultural não seguisse à risca a da desigualdade social”, responde o músico, levantando a poeira do debate cultural.

Seus Outros Sambas podem ser vistos na primeira quinta-feira do mês no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, na Praça Benedito Calixto, em SP, por R$ 10 de entrada.

No MySpace tem uma mostra do trabalho.

Cidadão Instigado

Com esse nome invocado, outra turma de Fortaleza veio tentar dominar o mundo em São Paulo. A banda faz rock influenciado pelos ritmos nordestinos e pela música romântica que por aqui ficou chamada de “brega”, não se sabe bem por quê. O título do segundo álbum é nada mais que Huuuu, um grito e muitas letras que homenageiam praias cearenses, como Canoa Quebrada e Jericoacoara, e falam de aquecimento global. Veja verso da música:

Escolher pra Quê?

pra que tanta indecisão?

se o sol está aí para nos assar

pra quê tanta indecisão?

se a chuva invade e alaga, como um grande mar.

Tem mais lá no MySpace.

Eu Brasileira!

A artista plástica espanhola Irene Salas se interessou pelo estereótipo da beleza da mulher brasileira e veio até aqui para saber de nossa boca o que achamos disso também. Ela fotografou, filmou e entrevistou mulheres em São Paulo em busca de visões que a brasileira tem de si e as conseqüências na vida social e afetiva. Irene também propôs que as entrevistadas reivindicassem o direito de não ser a mulher “coisificada”. O resultado do projeto “Eu Brasileira” está na Galeria Mil e Quinhentos Metros, no Porto Pensarte, Campos Elíseos, São Paulo.

Mundo inventado

Qualoconceito de realidade e ficção no registro fotográfico? Em A Invenção de um Mundo, os artistas escolheram a construção de cenas e personagens para inaugurar outros mundos. A fotografia como documento cede lugar a narrativas subjetivas. Ela não mais é um registro do real. Ela cria realidades e, ao fazê-lo, resvala em teatro, cinema, pintura. A mostra tem curadoria de Jean-Luc Monterosso, diretor da Maison Européenne de la Photographie, e de Eder Chiodetto. Fica em cartaz até 13 de dezembro no Itaú Cultural, em São Paulo. Do mundo pop inventado, por exemplo, há fotos de versões do rosto de Michael Jackson.

Oiticica na web

Oiticica na webEnquanto se reúne o que sobrou das originais e geniais obras de Hélio Oiticica depois do incêndio na casa do irmão, vale navegar pelo Programa Hélio Oiticica, no site do Itaú Cultural. Lá estão digitalizadas mais de 5.000 páginas de documentos, anotações do artista, entrevistas e fotos. A experiência é outra, mas o mergulho cibernético permite uma aproximação com o raciocínio do artista. Por meio de suas conceituações dá até para fazer outros links. De Hélio Oiticica, sobre Bólides: “… as caixas (de madeira vidro plástico e cimento; e também sacos de pano e plástico) agrupadas como bólides eram na verdade não uma nova forma inaugurada de arte: são a semente, ou melhor, o ovo de todos os futuros projetos ambientais…”

Deixe uma resposta