A arquitetura da ostra

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ostreidae_ja_20090114.JPGContra a subida do nível do mar em decorrência das mudanças climáticas, Nova York tem uma arma poderosa: a ostra. A cidade já foi conhecida como a capital mundial das ostras, mas graças a séculos de poluição da água e dragagem do New York Harbor, um ancoradouro natural, hoje não produz mais os moluscos. Para que eles voltem e ajudem a cidade a se adaptar às alterações do clima, um grupo de arquitetos, paisagistas, engenheiros e ativistas criou a oyster-tecture, ou aquitetura da ostra.

Trata-se de um de cinco projetos da exibição Rising Currents, em cartaz no Museu de Arte Moderna de Nova York, o Moma, até outubro. O New York Harbor foi dividido em cinco zonas, cada uma designada a grupos diferentes de designers com a missão de desenvolver soluções diante da previsão de subida do nível do mar. No caso da zona 4 – que engloba a região do Canal Gowanus, no Brooklin, incluindo a Governors Island –, a equipe do Scape, um estúdio de arquitetura local, foi buscar inspiração no passado. Encontrou a ostra.

“Recifes de ostras já cobriram 25% do New York Harbor e eram capazes de filtrar toda a água da região em questão de dias”, diz Kate Orff, diretora do Scape. Além de melhorar a qualidade da água, os moluscos se aglomeram em recifes, que constituem uma excelente maneira de atenuar ondas e proporcionam habitat para uma série de outros animais. Kate e sua equipe imaginam usar o Canal Gowanus como um berçário de ostras e, quando elas estiverem maduras, permitir que as águas do próprio canal as levem para o harbor, onde os moluscos se aglomerariam em recifes artificiais, ajudando a conter a subida do nível do mar e tempestades de maré. A ideia é que os recifes atuariam como barreiras orgânicas, crescendo e evoluindo ao longo do tempo em conjunto com a ameaça das mudanças climáticas. Em cima de tudo isso, os designers projetaram uma série de espaços públicos.

“Queremos explorar o poder biológico das ostras e outras criaturas no harbor e canalizá-lo em direção a uma nova relação entre os nova-iorquinos e seus sistemas hídricos”, diz Kate. Ela espera que, no futuro próximo, as esquinas de Nova York sejam povoadas não apenas por carrinhos de cachorro-quente, mas também por barracas vendendo ostras frescas. E que a famosa camiseta um dia estampe “I oyster New York”.

A oyster-tecture e os demais projetos da exposição Rising Currents valem uma visita virtual ao museu. Dica da Renata e do Pedro.

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