Pode mais quem paga mais

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Quanto custa uma decisão do Senado norte-americano de interesse para a área ambiental?

Quanto teria custado o engavetamento, no mês passado, do projeto de lei de energia e clima apresentado pelos senadores John Kerry e Joe Lieberman (que propunha medidas para reduzir em 17% as emissões de gases poluentes  em relação aos níveis de 2005 num prazo de dez anos)?

O projeto foi adiado porque os seus articuladores não conseguiram o número mínimo de votos necessários para a sua aprovação – embora o seu texto incluísse grandes concessões, como a autorização para a exploração de petróleo em águas profundas, e fosse considerado insatisfatório pela maioria dos ambientalistas.

Para achar a resposta, basta seguir o dinheiro. Segundo o Center for Responsive Politics, um grupo de pesquisadores independentes que investiga a circulação de verbas, presentes e propinas em Washington, ganhou quem pagou mais. Fundado em 1983, o Center for Responsive Politics é mantido por recursos de diversas fundações norte-americanas (Ford Foundation, Pew Charitable Trusts e Carnegie Corporation of New York, dentre outras), doadores individuais e a prestação de serviços na área de pesquisa. Ele acaba de publicar um estudo que conclui que, durante os primeiros seis meses do ano, as indústrias do petróleo investiram US$ 75 milhões em lobby.

É muito mais do que os ambientalistas têm para usar. No ano passado, embora os grupos de pressão verdes tenham gastado uma pequena fortuna, US$ 22,4 milhões, os lobistas do petróleo “investiram” sete vezes mais. O detalhe é que, em 2009, os ambientalistas realmente jogaram todas as suas fichas no Congresso norte-americano, dobrando seus gastos com lobby. Dentre as organizações que se destacaram nesse esforço estão a The Nature Conservancy (TNC), o Environmental Defense Fund e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Veja aqui um detalhamento de quem doa quanto e quais os grupos mais ativos nesse cenário.

O poder da grana que ergue e destrói coisas belas não é novidade. Mas é fundamental que essa movimentação de bastidores seja monitorada por organizações independentes, para que o jogo seja o mais transparente possível e a sociedade possa reagir de acordo.

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