Artesanato no olho da rua

O vídeo produzido pelo mineiro Rafael Lage mostra o embate entre os hippies e as autoridades da prefeitura de Belo Horizonte pela liberação do comércio de rua.

hippie
Foto de Gwen via Flickr

Há dois anos, artesãos de rua, ou os chamados hippies, e a prefeitura de Belo Horizonte estão num embate sobre o comércio nas praças da cidade. Com a proposta de “higienizar as ruas”, as autoridades querem proibir a presença de vendedores ambulantes por lá enquanto os artesãos lutam pelo direito de garantir o ganha pão. Eles não se consideram camelôs porque só vendem o que produzem com as próprias mãos.

Indignado com a situação, o fotógrafo mineiro Rafael Lage está documentando o que acontece com os artesãos de Belo Horizonte em seu blog. No vídeo ao lado, que ele produziu, dá para entender melhor o histórico das brigas e as leis que asseguram o direito dos hippies de trabalhar e não terem que entregar seus materiais às fiscalizações – o que não tem acontecido de fato. As cenas mostram o abuso das autoridades e os preconceitos que sofrem os artesãos por serem vistos como moradores de rua e drogados.

O caso ganhou notoriedade e espaço nas redes sociais. No dia 11 de agosto, uma audiência pública reuniu vários hippies, políticos e representantes da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor para discutir uma saída para o impasse. Ao final, ficou o comprometimento de alterar o Código de Posturas, que proíbe o comércio nas ruas, e a promessa de que os produtos apreendidos serão devolvidos.
Agora, Rafael está também organizando um inventário para entregar ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na tentativa de registrar a cultura hippie como patrimônio cultural brasileiro e garantir a liberdade de trabalho nas ruas. O mineiro já percorreu oito estados produzindo vídeos, fotos e textos sobre esses artesãos e suas histórias.

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