Ilha de eficiência

O rendimento dos motores elétricos brasileiros já é tão alto quanto os exigidos no Canadá, nos EUA e na Europa

O Brasil já produz e importa motores elétricos tão eficientes no consumo de energia quanto os fabricados em países mais avançados no tema, como Alemanha, Estados Unidos e Canadá. Graças ao Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), os fabricantes e importadores de motores elétricos foram obrigados a partir de dezembro de 2009 a seguir normas de eficiência tão rigorosas quanto as que a União Europeia passou a exigir de suas empresas apenas em junho último.

O resultado da política compulsória foi um considerável incremento de 2% a 15% no rendimento dos motores elétricos à venda no País. Segundo especialistas, são ganhos muito significativos, a se levar em conta que o motor elétrico é normalmente muito mais eficiente que o de combustão interna utilizado nos carros. O Departamento de Energia dos EUA calcula que somente 14% a 26% da energia da gasolina transformam-se em energia mecânica, que move o automóvel, revelando enorme desperdício nesse tipo de motor. Além do mais, o motor elétrico representa em torno de 50% do consumo de energia elétrica na indústria, o que faz dele foco estratégico em qualquer programa público e privado de eficiência energética.

A Weg e a Voges, maiores fabricantes de motores elétricos no Brasil e na América Latina, já estudam como atender aos padrões mais rigorosos de eficiência que vigorarão a partir de 2015 na Europa, mercado fundamental para a indústria brasileira. “Se houver encomenda, temos como produzir hoje motores que atendam aos padrões europeus para 2015”, declara Thiago Furtado Couto, analista de projetos da Weg, sediada em Jaraguá do Sul (SC). “Em tecnologia, o Brasil não perde em nada para os centros industriais mais eficientes do mundo no setor de motores elétricos”, comemora Renato Reck, gerente de engenharia da Voges, de Caxias do Sul (RS).

Além da demanda externa cada vez mais exigente, governo e setor privado concordam que o principal empurrão de eficiência no setor foi dado pela lei da eficiência energética, promulgada em outubro de 2001 (Lei no 10.295). Ela determinou a definição de limites máximos de consumo de energia para máquinas e aparelhos, iniciando uma fase de padrões compulsórios no PBE, ao lado das então existentes normas voluntárias.

Como o sistema eleitoral e a declaração eletrônica do imposto de renda, o PBE é mais um notável caso de sucesso do Brasil. O programa foi iniciado em 1984 com os selos voluntários atestando o consumo de energia dos refrigeradores (selo Procel). Em decorrência da lei de 2001, foram definidos limites máximos de consumo energético para seis famílias de produtos: motores elétricos de indução trifásicos, lâmpadas fluorescentes compactas, refrigeradores e congeladores, condicionadores de ar, fornos e fogões a gás e aquecedores de água a gás. No caso dos motores, os limites foram estabelecidos em dezembro de 2002 a fim de que o setor tivesse tempo para desenvolver motores mais eficientes.

“A demanda da indústria e dos consumidores tem crescido a ponto de termos ampliado a carteira do PBE de 26 para mais de 40 famílias de produtos e equipamentos nos últimos dois anos”, observa Marcos Borges, coordenador do programa. Desde sua criação, as iniciativas voluntárias e compulsórias do PBE resultaram em economia próxima a R$ 2,4 bilhões em gastos nas contas de energia.

Para Carlos Rittl, coordenador de mudanças climáticas e energia do WWF-Brasil, a etiquetagem é extremamente relevante, “porque o consumidor precisa saber quanto consome e qual a pegada ecológica do produto. Mas também tem de ser integrada a outras políticas de incentivo à produção e ao consumo de produtos que utilizam menos energia.”

(Colaborou: Davi Carvalho)

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