Releia a entrevista com Gilberto Velho

gvAs cidades estão mais tristes desde o último dia 14 de abril com a morte de Gilberto Velho. O antropólogo sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) enquanto dormia em seu apartamento, em Ipanema. Tido como um dos principais investigadores da cultura brasileira contemporânea, que inspirou uma série de estudos na área, Velho marca para sempre a questão urbana no debate público. “Ele era uma referência na área de antropologia social”, disse o ex-diretor do Museu Sérgio de Azevedo.

Articulador e incentivador de um diálogo mais estreito e permanente entre diferentes áreas das ciências humanas, Velho introduziu novas maneiras de se analisar a cidade. “Antes da obra do Gilberto, falava-se pouco em estudar a cidade de um ponto de vista qualitativo, em que se destacassem as características da vida urbana como o anonimato e a impessoalidade, que nos levam a questões de democracia, escolha, individualismo e papel do cidadão”, disse o antropólogo Roberto DaMatta, lamentando a perda do colega.

Seu currículo é extenso e reflete a relevância de sua atuação. Professor decano do Departamento de Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ, Velho era membro da Academia Brasileira de Ciências. Escreveu e organizou 16 livros, publicou mais de 160 artigos e foi o diretor de importantes coleções na área: a Biblioteca de Ciências Sociais, na antiga Zahar Editores, e a coleção Antropologia Social, na Jorge Zahar Editor.

Em nota oficial, a presidenta Dilma Rousseff disse que “a triste perda do antropólogo [Gilberto Velho] deixa uma lacuna no trabalho coletivo de se pensar o nosso país. Suas pesquisas enriqueceram as ciências sociais e deram contribuição fundamental para o entendimento do Brasil contemporâneo”.

Na edição 07, Página22 entrevistou o antropólogo, que falou sobre os impactos das novas tecnologias da comunicação e a respeito do que há de novo nas relações entre centro e periferia, mídia e sociedade no Brasil de hoje. “As pessoas trazem consigo tradições, são portadoras de cultura, mas não portadoras passivas. É importante a relação entre indivíduo e sociedade.”, disse. Leia a entrevista completa.

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