Eu: cidadã brasileira

A ativista em sustentabilidade Maria Piza  relata como foi a participação do evento que discutiu a criação do novo partido político Rede Sustentabilidade

Foto: Luiza Xavier
Foto: Luiza Xavier

No dia 23 de janeiro, compareci ao encontro dos Sonháticos – rede formada após a saída da Marina Silva do Partido Verde (PV), com o mote ‘Movimento Nova Política’ – em São Paulo, como membro entusiasta de uma nova maneira de praticar o “ser político”. Com uma conversa em formato inovador (aquário), Marina e seus pares faziam parte da plateia e estavam disponíveis para ouvir opiniões sobre a criação, ou não, de um partido político. Fiquei positivamente impressionada com o respeito  ao tempo de fala e com a opinião do outro, com o diferente.

Anunciaram uma próxima reunião em Brasília: o Encontro Nacional da Rede Pró-Partido. Naquele momento me senti parte, senti que estávamos realmente dando um enorme passo na história da política brasileira. Decidi que estaria lá. Eu faria, sim, parte dessa história!

Cheguei em Brasília na manhã  de 16 de fevereiro e, já no aeroporto, senti um clima diferente. Várias pessoas chegavam e se encontravam com um sorriso maroto nos rostos. Esse foi o código para achar alguém com facilidade para dividir o táxi até o local do evento onde estavam cerca de 1,5 mil pessoas. Lá, essas pessoas – e eu – decidimos e discutimos sobre a criação da legenda, chamada Rede Sustentabilidade, que abrigará a candidatura de Marina Silva à Presidência nas eleições de 2014.

A primeira impressão –também sou organizadora de eventos sobre sustentabilidade – foi que a rede havia novamente funcionado. Eu conheço algumas das pessoas que estavam à frente da organização e sabia que tudo ali havia sido produzido em 15 dias. Viva a colaboração de cada membro! O evento estava, do ponto de vista da estrutura, materiais e fluxo dos participantes, impecável e ‘sustentável’.

Ao entrar no salão, tomei um susto.  Encontrei o antigo “politiquês”.  Pessoas falando alto, com a mão pra cima e o dedinho apontando… aquela cena de palanque que já estamos bem habituados. A mediadora amenizou meu susto:  “Oi, bom dia! Qual seu nome?”, disse ela ao indignado.  “Você não precisa gritar, estamos te ouvindo. Os microfones estão bons”. Ufa!

Na abertura oficial da reunião, cantamos o Hino Nacional. Todos de mãos dadas, se olhando nos olhos, sentindo cada palavra e cada sentença rogada. Meus olhos se encheram de lágrimas e cantei com o coração “Verás que um filho teu não foge à luta”!.

Foto: Luiza Xavier
Foto: Luiza Xavier

Durante o dia, aconteceram algumas incongruências. A convocatória do evento dizia que havíamos sido chamados para decidir sobre a criação do partido, seu nome, para pensar a logo e, principalmente, as diretrizes do estatuto.

Quando houve a votação pela criação da legenda partidária na sequencia já apresentaram o nome, logo e site. Tudo pronto. Concordo que nem todos os pontos podem ser definidos em um grande fórum. Mas então, não me chamem para opinar sobre o que já está dado!

Em relação ao estatuto, para mim a parte mais crítica, a coordenação trouxe os pontos principais e premissas irrevogáveis. A partir disso, grupos estaduais tiveram  uma hora para conversar e trazer inputs. Cada estado teve um tempo de fala e exposição a todos. Essa parte de co-construção foi muito rica e os pontos, em sua maioria, inseridos no documento.

Fiquei muito feliz por lá encontrar vários amigos e pessoas do movimento da sustentabilidade, que assim como eu pagaram seus custos e lá chegaram como cidadãos ávidos por participar, para fazer sua parte na construção de um Brasil mais ético.

Nas rodas de conversa havia mais elementos ambientalistas do que políticos, uma visão mais integrada do Brasil, conversas sobre o Programa de Acelereção do Crescimento (PAC), do Governo Federal, e nossas prioridades de investimento, sobre as fontes de energia brasileiras e sobre como garantir os direitos das populações tradicionais.

Conversas verdadeiras, sem respostas. Ninguém tentava se convencer.Buscávamos, juntos construir opiniões, sabendo que não há certezas. O mundo ainda não tem respostas para a complexidade dos desafios que vivemos. Sabendo que o caminho é juntar os saberes, ouvir e acolher diversos pontos de vistas e diferentes atores. E os que estavam lá partiam dessa premissa, e com esta base, na qual nos vemos realmente cada um como um nódulo, formamos a #Rede.

*Maria de Toledo Piza – uma fundadora política da #Rede e cidadã brasileira, com orgulho. E  ativista da sustentabilidade há mais de dez anos.

Acesse aqui galeria de fotos que Luiza Xavier fez no evento em nosso Facebook.

Foto: Luiza Xavier
Foto: Luiza Xavier

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