O Brasil vai esquentar

Foto de e-coordina/ Via Flickr
Foto de e-coordina/ Via Flickr

Saiu mais um relatório com más notícias em relação ao aquecimento global. No Brasil, as temperaturas médias deverão subir entre 1 e 6 graus até 2100, em comparação às médias registradas no final do século 20.

É o que aponta o primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) divulgado na última segunda-feira, 9 de setembro, durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima).

O documento também afirma que haverá alterações no regime de chuvas em todo o País: menos precipitações no Nordeste, Norte e Centro  – onde as secas serão mais fortes e prolongadas  – e mais chuvas do que o comum no Sul e Sudeste.

Além dos dados que esse documento traz, sua relevância está também em abordar as particularidades de biomas e regiões do Brasil e fazer previsões distintas para cada um. Ficou evidente que as mudanças e os impactos sobre populações, meio ambiente e setores econômicos não serão uniformes já que dependem também das particularidades locais, como características geográficas e de desenvolvimento. Tendo em vista essas diferenças, é possível investir melhor nas pesquisas e ações de mitigação e adaptação.

Em maio deste ano, PÁGINA22 dedicou sua edição impressa ao tema da adaptação à mudança climática e abordou os gargalos e ações exemplares no País e no mundo. Na reportagem “Ginástica por dinheiro novo”, Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do WWF, afirmou que o Brasil ainda não acordou plenamente para a necessidade de investimentos em adaptação, apesar dos sustos provocados pela sequencia eventos extremos ao longo da última década – desde o “Catarina”, em 2004, o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul, até as duas últimas secas na Região Amazônica. Ele afirmou ainda que o Brasil ainda atua apenas quando há emergências, como naqueles casos.

O novo documento do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas será mais uma fonte de informação para que fique clara a importância de ações que freiem as emissões de gases do efeito estufa ao mesmo tempo em que se tomem medidas para lidar com as alterações inevitáveis. E, principalmente, fonte para que o Brasil se torne mais resiliente para os novos tempos e temperaturas que virão.

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