O que alimentamos

editorialA compra de comida no supermercado é um gesto que vai além de saciar a fome e nutrir nosso organismo. Demandar determinado tipo de alimento envia uma porção de sinais a quem o produz, podendo induzir mudanças nas formas de cultivo, processamento, distribuição, publicidade.

Ainda que vergonhosamente haja milhões de pessoas passando fome, a segurança alimentar deixou de ser o único ponto quando se trata de alimentação. O desafio atual é bem mais sofisticado: além de fazer chegar um alimento seguro a 7 bilhões de pessoas, é preciso entregar um produto de melhor qualidade – e aí se abre um leque vasto de critérios.

O que chamamos de “melhor”? Pode ser um alimento com mais nutrientes e menos química. Mas também um produto que mantenha suas características integrais. Ou que é produzido de forma respeitosa ao ciclos naturais e às pessoas que, desde o manejo com a terra, fazem chegar à prateleira. Que leva em conta o bem-estar animal.

Que informa adequadamente sobre seu conteúdo. Que é ricamente diversificado. “Comemos melhor ou pior?” é uma pergunta binária que leva a uma resposta múltipla, uma vez que há diversas variáveis em jogo.

No entanto, já são patentes os muitos problemas com a alimentação: as epidemias de obesidade, diabetes e hipertensão, a superexploração de recursos naturais pela agropecuária, a altíssima contaminação de alimentos com agrotóxicos e a adoção de hábitos que nos distanciaram de tudo o que o alimento envolve – a sua procedência, a dimensão cultural, o relacionamento social, a emoção. Comer é um ato físico, mas também ecológico, econômico, político, social, afetivo.

Ter a possibilidade de escolher da melhor forma é um jeito de mandar os sinais em busca do mundo que desejamos. O mundo nos alimenta, mas nós também alimentamos o mundo. Com os melhores votos para 2014, PÁGINA22 oferece esta edição especial com 64 páginas. Até março!

Bom apetite!

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