Contra a miséria, casas em miniatura

Foto de Nicolás Boullosa/Flickr
Foto de Nicolás Boullosa/Flickr

Casas minúsculas, do tamanho de trailers, na faixa de 10 metros quadrados, fazem furor nos sites e revistas de design americanos e são objeto de desejo da classe média mais arejada, que quer reduzir seus gastos e sua pegada ecológica. Mas elas também estão em alta no outro lado do espectro social e têm ajudado a recuperar a cidadania da população de rua. Na Califórnia, por exemplo, um artista local constrói casas tamanho de um pequeno automóvel, utilizando madeira, portas de máquinas de lavar e outros materiais abandonados nas ruas de Oakland. Greg Kloehn já doou 25 unidades à população de rua da cidade, construídas com um custo de cerca de US$ 30  por unidade, gastos com tintas, pregos e rodas. Não é uma experiência isolada.

Na Costa Oeste dos EUA, uma dezena de comunidades de casas minúsculas  já está em operação. Sua preocupação central é  dar à população sem-teto um sentimento de posse e cidadania que ela dificilmente conseguiria num abrigo público ou filantrópico.

As minicasas têm uma série de vantagens sobre os barracos improvisados em favelas brasileiras ou as barracas de camping vistas sob as pontes das maiores cidades americanas. Elas são planejadas com a finalidade de garantir segurança e isolamento térmico. Em muitos casos, elas são dotadas de rodas, para dar mobilidade ao morador, caso ele tenha que se deslocar para um novo terreno ou para as proximidades do trabalho. Esse recurso também pode driblar problemas legais em municípios que têm normas de construção civil muito rígidas, que impediriam o registro de um imóvel tão simples e diminuto.

Opportunity Village, em Eugene, no estado de Oregon, é um exemplo de comunidade nesses moldes bem-sucedida. Ela reúne 30 casas em miniatura construídas em terras do governo por uma ONG que arrecadou US$ 100 mil em recursos financeiros, mais doações de materiais e trabalho voluntário. Seus moradores recebem a chave da porta de suas casinhas e podem personalizá-las, pintar as paredes e reorganizar o espaço interno. Entretanto, água e eletricidade só estão disponíveis na área comunitária.  No vídeo ao lado, produzido pelo diário The Oregonian, Andrew Huben, que coordena o projeto em Eugene, descreve a iniciativa (em inglês). Outra comunidade que deu certo é a Dignity Village, aqui em Portland. Construída e gerida pelos próprios moradores, ela é mantida às custas de doações e de pequenas contribuições financeiras por parte dos membros que conseguem trabalho. Eles utilizam banheiros e cozinha coletivos e reservam as 43 casinhas para dormir, guardar suas coisas e manter sua privacidade.

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