Energia é a nova vilã nas emissões brasileiras de GEE

Na última década, as quedas sucessivas no desmatamento da Amazônia sustentaram reduções significativas das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil. Entretanto, mesmo com a queda das emissões associadas a desmatamento no ano passado, o balanço geral de emissões do Brasil se manteve no patamar de 2013. O motivo: o aumento de 6% das emissões decorrentes da geração de energia em 2014, mesmo num ano de baixo crescimento econômico para o Brasil.

Os dados sobre as emissões brasileiras de 2014 foram apresentados pelo Sistema de Estimativa de Emissões de GEE do Observatório do Clima (SEEG/OC) em seminário realizado na manhã de hoje (19/11) em São Paulo. De acordo com o SEEG, as emissões brasileiras de GEE atingiram 1,55 milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) no ano passado, que representa uma leve redução de 0,9% em relação a 2013. Esse montante é o 2º maior valor desde 2008 e, de acordo com o SEEG, consolida uma fase de estagnação das emissões brasileiras desde 2009.

O setor de mudança de uso da terra, historicamente o mais representativo no quadro geral de emissões do Brasil, reduziu suas emissões em 9,7% entre 2013 e 2014. Ainda assim, todos os demais setores tiveram aumento de emissões, com destaque para o setor energético. De acordo com o SEEG, essa alta foi puxada pelo aumento do consumo de gasolina e diesel no transporte e, principalmente, pelo aumento na geração de energia elétrica por meio de usinas termelétricas. O aumento das emissões na geração elétrica chegou a 26% apenas em 2014, quase três vezes mais que em 2011.

Assim, o setor energético está praticamente empatado com o de mudança de uso da terra no quadro geral de emissões do Brasil em 2014 (30,7% e 31,2%, respectivamente), seguidos pelos setores agropecuário (27%), de processos industriais (6%), e de resíduos (3%).

Dentre as atividades econômicas, o setor agropecuário continua sendo a principal fonte de emissões (considerando suas emissões diretas e a parcela do setor em desmatamento, energia e resíduos), com 60% das emissões em 2014. No entanto, sua representatividade vem caindo constantemente nos últimos anos – em 2000, ele representava 82% das emissões totais do Brasil; em 2010, esse número caiu para 67%. Em contraposição, setores como o de transporte e o de geração de energia elétrica aumentaram sua representatividade no quadro geral de emissões do país.

Os números apresentados pelo SEEG/OC reforçam uma percepção sobre as emissões totais do Brasil nos últimos anos: o combate ao desmatamento, a principal arma do governo brasileiro no esforço de reduzir suas emissões desde 2005, dá sinais de esgotamento, principalmente porque esse esforço não é acompanhado de medidas de redução nos demais setores econômicos do Brasil.

Um exemplo disso está nas emissões per capita. Em 2014, elas ficaram em 7,8 tCO2e/habitante, praticamente igual a 2013 (7,7), o que consolida um cenário em torno dos 7,5 tCO2e nos últimos anos, bem abaixo dos 15,3 registrados em 2004. Porém, quando os dados sobre mudança de uso da terra são excluídos, a intensidade de emissões por habitante mantém uma tendência forte de alta que segue desde 1990, passando de 3,9 tCO2e/ha para 5,3 tCO2e/ha em 2013.

Você encontra mais informações no site www.seeg.eco.br.