Máquinas contra a taxa de pobreza

Ao se tornar estudante de Engenharia Comercial, José Manuel Moller mudou-se para um bairro da periferia de Santiago, no Chile, em uma casa dividida com amigos. Todos com pequena renda, adquiriam comida e itens de limpeza nos mercados próximos, um pouco a cada semana, conforme obtinham algum dinheiro. Não demorou para Moller notar que pagavam muito mais pelos produtos dessa forma do que se pudessem optar por embalagens maiores.

“Essa é a realidade nas periferias. As pessoas trabalham, recebem e compram aquilo que dá. Não importa se esta compra fragmentada sai mais cara. É o que eu chamo de “taxa de pobreza’”. Para combatê-la, Moller imaginou vender produtos a granel, diretamente dos produtores, nos próprios armazéns locais. Para solucionar o desafio da higiene nesse modelo, imaginou uma máquina capaz de automatizá-lo. Graças a um prêmio de um concurso universitário, produziu os primeiros protótipos de sua ideia em 2012. No ano seguinte, após outro prêmio de fomento, uniu-se ao designer industrial Salvador Achondo para criar a empresa Algramo e difundir sua solução em toda a América Latina.

Hoje, colecionam 18 prêmios de reconhecimento, alcançam mais de 780 pontos de venda no Chile e na Colômbia e ainda comemoram mais de 46 mil toneladas de resíduos sólidos evitados, graças à eliminação de embalagens não retornáveis. Os produtos fornecidos em suas máquinas são, em média, 40% mais baratos que os comercializados em pequenos volumes e geram maior ganho aos comerciantes parceiros.

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