Empresas precisam reconhecer suas externalidades, diz Pavan Sukhdev na Fiesp

Indiferente ao ceticismo em relação a temas ambientais por parte da equipe que deverá compor o futuro governo, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reuniu um time de ponta para debater a transição empresarial e industrial do modelo econômico dominante para uma economia verde e inclusiva, e a necessária governança por parte do governo e das instituições para concretizar o desenvolvimento sustentável. O economista indiano Pavan Sukhdev, líder da Iniciativa de Economia Verde do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e presidente do Conselho da WWF – Fundo Mundial para a Natureza, foi o mediador do seminário Economia Verde, uma visão do Brasil 2030, realizado em 23 de novembro, na sede da Fiesp, em São Paulo.

Sukhdev é considerado um dos “pais” da economia verde desde a publicação pelo Pnuma do documento “A Economia de Ecossistemas e da Biodiversidade” (Teeb, na sigla em inglês), no qual ele apresenta um método para calcular o valor monetário da biodiversidade. Em sua palestra ele defendeu que só uma economia verde será capaz de melhorar o bem-estar da humanidade, aumentar a igualdade social, reduzir os riscos ambientais e desestimular o desperdício. “A economia marrom dominante estimula o desperdício, desencadeia a escassez de recursos e gera ameaças ao meio ambiente e à saúde humana”, afirmou.

O economista crê que o Brasil detém os elementos fundamentais para liderar o movimento para um desenvolvimento sustentável, entre os quais ele citou: a matriz energética limpa, uma boa expectativa quanto à energia solar, um modelo de agronegócio consistente e, coroando essa vocação à liderança, a Amazônia, com sua inigualável biodiversidade e disponibilidade de recursos hídricos. “O que se faz aqui acarreta repercussões planetárias”, alertou.

Pavan Sukhdev disse ainda que, para concretizar um modelo de desenvolvimento sustentável, o setor privado e a sua respectiva governança precisam sair de um cenário em que não se reconhece as externalidades para um que as reconheça. Ou seja, para ser uma empresa sustentável é necessário, antes de tudo, mensurar as externalidades, conhecer os impactos do negócio na sociedade e na natureza.

O futuro das indústrias que ainda não fazem esse tipo de controle é incerto. Segundo o economista, os novos consumidores, os mais jovens, estão tendo um papel decisivo nessa mudança de paradigma. E a indústria de alimentos já sente fortemente essa pressão. “Os hábitos alimentares estão mudando em todo o mundo graças ao comportamento dos millennials, que querem conhecer a origem daquilo que compram. Um processo que já está fazendo a agricultura deixar de ser química e voltar a ser natural”, afirmou.

Também participaram desse evento a presidente da Rede Brasil do Pacto Global, Denise Hills; o presidente da Fibria, Marcelo Castelli; o diretor-presidente da Fundação Renova e membro da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, Roberto Waack; a ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; o presidente da EDP, Miguel Setas; o médico e cientista da computação Fabio Gandour; o Head de Inovação e Novos Negócios na TOTVS, Juliano Seabra; o diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mário Sérgio Vasconcelos, e a consultora (Better Governance) e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Sandra Guerra.