“A política da mudança climática é uma agenda de Estado, não de governo”

Empresários e membros do Fórum Brasileiro de Mudanças do Clima indicam as medidas prioritárias para o Brasil contribuir com a agenda climática global. São elas: desmatamento ilegal zero, reflorestamento de áreas de pasto degradadas e agricultura de baixo carbono

Ontem, dia 10, os membros do Fórum Brasileiro de Mudanças do Clima (FBMC) lançaram o estudo Brasil Carbono Zero em 2060 no Espaço Brasil da COP 24, na Polônia. Trata-se de um relatório preliminar das recomendações brasileiras de desenvolvimento de economia de baixo carbono para o longo prazo (Long-term Strategy – LTS), que deverá ser submetido à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) até 2020. O estudo foi solicitado pelo presidente Michel Temer ao FBMC em agosto deste ano.

De acordo com o relatório, o combate ao desmatamento ilegal, o reflorestamento de áreas degradadas pelo pasto, a agricultura de baixo carbono e a redução drástica da queima de combustíveis fósseis, sobretudo no setor dos transportes, devem ser medidas prioritárias para o Brasil contribuir na contenção do aquecimento global em 1,5 ºC de acordo com os níveis pré-industriais, como recomenda o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para evitar tragédias ambientais e escassez de alimentos já nas próximas décadas.

Ao comentar a postura cética do novo governo sobre as mudanças climáticas, o secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, Alfredo Sirkis diz que aposta no diálogo e que é preciso encontrar pontos de convergência sobre a agenda nos diversos grupos do novo governo. “Vamos precisar de habilidades que vão muito além de protestar.  Minha palavra de ordem agora é tranquilidade”, afirma. Sobre a possibilidade de dissolução do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC), Sirkis diz que a instituição cogita até virar uma organização da sociedade civil com participação do governo subnacional.

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Segundo Ana Carolina Szklo, coordenadora da Câmara Temática de Longo Prazo do FBMC, o setor empresarial brasileiro está disposto a  assumir metas mais ambiciosas na agenda climática por entender que a transição para uma economia de baixo carbono gera oportunidades de negócios que contribuem para a resiliência dos negócios.

“É de interesse econômico que não haja mais desmatamento ilegal no Brasil. Porque se continuar, a conta vai ficar cara para todos os setores. A política da mudança climática é uma agenda de Estado, não de governo”, ressalta Ana Carolina, que também é diretora de desenvolvimento institucional do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), um dos órgãos que faz parte da governança do FBMC.

Ela lembra que “zerar o desmatamento líquido nos biomas brasileiros e aumentar as taxas de reflorestamento a médio prazo” é uma das 10 propostas prioritárias que o setor empresarial brasileiro apresentou aos presidenciáveis no período eleitoral, por meio do documento Agenda CEBDS por um Brasil Sustentável.