Cidades que se reinventam – e o que podemos aprender com elas

Após décadas lamentando os problemas das cidades, passamos a ver que elas são mananciais de soluções. Da inventiva Paris até Medellín, considerada a mais inovadora do planeta, conheça exemplos inspiradores de redesenho urbano

Repensar a cidade entrou para a pauta do dia – e não é por menos. Primeiro, somos cada vez mais urbanos. Dos 54% de população que mora em cidades, a ONU prevê que chegaremos a 68%, até 2050 – ou 6,3 bilhões de pessoas. Segundo, começamos a reconhecer que os grandes desafios da humanidade – do combate à mudança climática, à migração em grande escala –, surgem ou são amplificados nas cidades. Terceiro, depois de décadas lamentando os problemas das cidades, passamos a ver que elas são mananciais de soluções.

Bem-vindos às fascinantes histórias de cidades e territórios que se reinventam – e inspiram outros a fazer o mesmo. Alguns simplesmente surgem, com a vantagem de quem nasce com pressa e aprende com os acertos e tropeços dos outros.

Os Emirados Árabes, por exemplo, investem não só em planejamento urbano, mas também naquilo que faz a diferença para atrair talentos: cultura e qualidade de vida. Haja vista ter criado o primeiro Ministério da Inteligência Artificial do mundo, em sintonia com seu Ministério da Felicidade.

Outras cidades se transformam enquanto estão em evidência. Paris lançou, há anos, o programa Reinventar Paris, um campeonato para requalificar áreas subutilizadas – e agora faz o mesmo para revelar os segredos de seu subterrâneo. Também criou o processo de inteligência coletiva Senhora Prefeita, tenho uma ideia!  e incumbiu sua agência de inovação, a Paris & Co, de incubar 340 startups por ano, dedicadas a fazer do espaço urbano um playground de inovações.

Mas nem é preciso ir tão longe. Medellín, depois de ter sido a cidade mais violenta do mundo, em 1991, vem dando a volta por cima, em grande estilo. Em 2013 foi eleita a cidade mais inovadora do planeta, vencendo concorrentes como Nova York e Tel Aviv. Um dos capitães desse processo é a Ruta N, órgão de inovação e negócios que, dentre outras ações incríveis, está trabalhando para fazer da cidade o polo de inteligência artificial da América Latina e vê na inovação não um fim, mas um meio para gerar qualidade de vida. Um prato cheio de provocações para atiçar novos olhares e estratégias em nossas próprias cidades.

*Administradora Pública (FGV) e doutora em Urbanismo (USP), é consultora internacional em cidades criativas, diretora da Garimpo de Soluções e curadora do evento Interativicidade Talks, que terá sua segunda edição no dia 14 de fevereiro. O Interativicidade Talks apresenta projetos inovadores de engajamento da população na transformação urbana.