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Página 22

Informação para o novo século

De lá pra cá

09.02.2010

Indústria da Foca

0 por Regina Scharf # em De lá pra cá

sealA matança de focas, que gerou tantas manchetes nos anos 70, quando a atriz Brigitte Bardot protestava empunhando fotos de filhotes ensanguentados, continua viva, mas anda mal das pernas.

As barreiras à importação de peles e outros derivados de foca têm se multiplicado. Os Estados Unidos baniram a sua importação desde 1972 e a União Européia decidiu fazer o mesmo em maio do ano passado.

É um golpe duro para o Canadá, que tem visto o preço das peles progressivamente despencar. Estima-se que 5,6 milhões de focas vivam na costa atlântica do país. Elas abastecem uma indústria que gerou US$ 13 milhões com exportações em 2007. No ano passado, o governo canadense liberou a caça de quase 340 mil focas de três espécies, cada uma com a sua quota específica. Entretanto, os caçadores não podem tocar os recém-nascidos, que têm pelagem branca e que, no passado, eram mortos a bordoadas, para não comprometer a pele.

Depois de mortas, as focas têm a sua pele retirada e comercializada a US$ 15 a unidade (o preço vem caindo vertiginosamente. Era US$ 105 em 2006). A sua carne abastece frigoríficos e fábricas de óleo de foca.

A indústria tem buscado contra-atacar. Quando os ministros de Finanças dos países do G7 se reuniram em Nunavut, na porção ártica do Canda’, no início de fevereiro, foram recebidos por uma intensa campanha pró-caça à foca por parte da comunidade Inuit – que nós brasileiros chamamos de esquimós. Sentaram em cadeiras estofadas com pele de foca, degustaram cozidos de foca e ganharam coletes de brinde. De foca, você já deve ter adivinhado. Os Inuit tentaram neutralizar campanhas movidas pela própria Brigitte Bardot e por Paul McCartney e outras celebridades que militam no PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), a principal organização global de defesa dos direitos dos animais.

Numa entrevista ao jornal canadense The Globe and Mail, a ministra da Saúde do Canadá, Leona Aglukkaq, que é de Nunavut, declarou que os visitantes precisavam entender que as focas são a opção acessível às populações do Norte – o que o peru ou o gado representam em outras partes do mundo. “É uma oportunidade de educar a comunidade internacional”, disse, declarando-se frustrada com as campanhas em andamento. “Eles protestam porque uma estrela do roque entrou em águas geladas com uma foca. Francamente, estou cansada de ser alvo de organizações internacionais”.

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