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	<title>Página 22 &#187; 08</title>
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		<title>Rolam as pedras</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 21:07:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desde o fim da guerra, há 25 anos, as Ilhas Malvinas, ou Falkland, abandonaram uma economia de base agrícola &#8211; especialmente a criação de ovelhas &#8211; para explorar o mar. A profusão de mexilhões e algas (&#8221;kelp&#8221;) deu origem ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o fim da guerra, há 25 anos, as Ilhas Malvinas, ou Falkland, abandonaram uma economia de base agrícola &#8211; especialmente a criação de ovelhas &#8211; para explorar o mar. A profusão de mexilhões e algas (&#8221;kelp&#8221;) deu origem ao apelido dos habitantes, os &#8220;kelpers&#8221;, e indica a riqueza marinha.  Foi ela que levou os britânicos a exigir direitos exclusivos sobre 200 milhas náuticas ao redor das ilhas.  E garante aos kelpers um PIB de cerca de US$ 50 mil per capita.</p>
<p>A geologia desmente Argentina e Inglaterra, que foram à guerra por causa das ilhas.  Antes da quebra do supercontinente de Gondwana e da abertura do Atlântico, há cerca de 120 milhões de anos, as Malvinas/Falkland estavam próximas do Sudeste da África.  Um dos primeiros a comentar sobre as &#8220;corredeiras&#8221; de pedras (foto aérea) foi Charles Darwin, em visita às ilhas em 1834.  Ele descreveu a paisagem sem árvores das ilhas como &#8220;desolada e miserável&#8221;.</p>
<p>Os britânicos ocuparam as ilhas a partir de 1833.  Na pequena população atual &#8211; de cerca de 3 mil residentes permanentes &#8211; várias famílias têm os primeiros colonos entre os seus antepassados.  Hoje, a maior parte dos kelpers tem mais de um emprego para poder se manter na economia moderna, na qual um dos destaques é o turismo.</p>
<p>Na época da entrada dos argentinos, o declínio da agricultura havia forçado grande parte dos habitantes para a capital, Stanley.  Um sintoma daqueles tempos difíceis era a surpreendente dependência de divisas trazidas às ilhas por colecionadores estrangeiros de selos.  A partir daí, o boom da pesca e do turismo e as previsões para produção de petróleo mudaram o padrão de vida.  Ainda assim, cerca de meio milhão de ovelhas pastam na paisagem pedregosa das ilhas.</p>
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		<title>Boicote ao papel higiênico</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:48:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Regina Scharf 
O que se passa pela cabeça dos 122 milhões de americanos – 41% do total – que, segundo a última pesquisa Gallup, estariam “muito preocupados” com o aquecimento global?  Ao que tudo indica, sua reação é na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Regina Scharf<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O que se passa pela cabeça dos 122 milhões de americanos – 41% do total – que, segundo a última pesquisa Gallup, estariam “muito preocupados” com o aquecimento global?  Ao que tudo indica, sua reação é na base do 8 ou 800.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Estariam nascendo duas tendências extremas de comportamento, segundo a mídia local.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A primeira delas é o surgimento dos chamados ecoansiosos, vítimas de um terror paralisante que transtorna o cotidiano.  Com medo de furacões e inundaçõesmonstro, eles já não dormem, perdem o apetite e sofrem palpitações.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os ecoansiosos seriam cidadãos que declaram sentir um mal-estar extremo devido ao quadro climático.  A autointitulada ecoterapeuta Linda Buzzell-Saltzman, de Los Angeles, fala em uma “desordem pós-traumática associada ao acesso a notícias”.  Péssimas notícias, bem entendido.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ela explica que ecoterapeutas são psicoterapeutas que lidam não apenas com relações humanas, mas também com as relações entre os seres humanos e a natureza.  Seus tratamentos buscam uma reconexão com o mundo natural e baseiam-se em muitas caminhadas e jardinagem.  Outra ecoterapeuta, Melissa Pickett, do Novo México, declarou à imprensa que recebe entre 40 e 80 ecoansiosos por mês, aos quais recomenda mudar seu estilo de vida e a carregar determinadas pedras, com propriedades energizantes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Uma segunda tendência de comportamento apontada pelos jornais dos EUA é o surgimento de militantes pró-impacto-zero, gente que se considera responsável pelo que ocorre no mundo e está mudando radicalmente seu modo de vida para tentar adiar o Armagedon.  Um dos primeiros a capitalizar essa tendência foi o Discovery Channel, que acaba de anunciar que pretende lançar um canal a cabo inteiramente voltado para um modo de vida ambientalmente correto.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os adeptos dessa corrente já têm até um guru – o escritor Colin Beavan.  Junto com a esposa, Michelle, e a filha, de 2 anos, ele decidiu reduzir ao mínimo suas emissões de carbono e compensar o restante com voluntariado, doações e plantio de florestas, para que o balanço final seja nulo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A família já descartou elevadores, carros e transportes públicos, eletrodomésticos, jornais, embalagens, papel higiênico.  Os alimentos que formam sua dieta vegetariana têm de ser produzidos num raio de 400 quilômetros e precisam ser da estação.  Qualquer objeto adquirido deve ser de segunda mão.  Todo o lixo tem de ser compostado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Detalhe importante: os Beavan não são eremitas recolhidos numa fazenda remota.  Eles vivem em Manhattan, bairro central de uma das cidades mais verticais e concentradas do planeta.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">“Esse projeto é uma reação contra o meu eu anterior, cheio de boas intenções, mas lento nas ações”, declara em seu website, o No Impact Man, como Beavan gosta de ser chamado.  Essa mea-culpa promete ser muito, muito rentável, graças ao tino comercial do homem sem impactos.  Compre o livro e veja o filme muito em breve.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ao longo de um ano, os Beavan pretendem adotar uma lista crescente de exclusões e substituições.  Já na primeira semana, em novembro, a família percebeu que sua vida mudara para um ritmo muito mais calmo, graças às longas andanças e ao boicote à TV.  Depois, começaram a descobrir novos talentos, como a produção caseira de pão, a compostagem dos restos da cozinha, a fabricação de vinagre com tocos de maçã.  Os mais de 5 mil visitantes diários do blog passaram a trocar dicas sobre estratégias de sobrevivência de baixo impacto – onde achar um fio dental reciclável ou um método anticoncepcional “do bem”.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Entretanto, a experiência não é sem percalços.  Beavan foi abalroado por uma BMW quando tentava atravessar a ilha de bicicleta.  Também foi insultado por garçons que não entendiam por que ele faz questão de usar seu próprio guardanapo de pano, que traz sempre no bolso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O homem sem impacto também arrebanhou uma legião de detratores, sobretudo após aparecer no New York Times e em diversos programas de televisão.  Para eles, Beavan é hipócrita, por não se mudar para o Harlem e plantar árvores com o dinheiro da venda de seu caríssimo apartamento.  Dizem também que a experiência não tem nada de mais, já que centenas de milhões de africanos vivem do mesmo jeito.  Reclamam que milhares de árvores serão sacrificadas para que o seu livro seja impresso.  Ou, ainda, que o projeto cheira a mentira, pois Michelle dificilmente subiria a pé 40 andares para chegar ao seu trabalho, a redação da revista BusinessWeek.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Maldade dessa gente.  A idéia de Colin é um refresco para quem cansou de ouvir as más notícias de braços cruzados.  E, com certeza, é melhor do que curtir uma ecofossa.</div>
<div>Por Regina Scharf<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>O que se passa pela cabeça dos 122 milhões de americanos – 41% do total – que, segundo a última pesquisa Gallup, estariam “muito preocupados” com o aquecimento global?  Ao que tudo indica, sua reação é na base do 8 ou 800.</div>
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<div>Estariam nascendo duas tendências extremas de comportamento, segundo a mídia local.</div>
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<div>A primeira delas é o surgimento dos chamados ecoansiosos, vítimas de um terror paralisante que transtorna o cotidiano.  Com medo de furacões e inundaçõesmonstro, eles já não dormem, perdem o apetite e sofrem palpitações.</div>
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<div>Os ecoansiosos seriam cidadãos que declaram sentir um mal-estar extremo devido ao quadro climático.  A autointitulada ecoterapeuta Linda Buzzell-Saltzman, de Los Angeles, fala em uma “desordem pós-traumática associada ao acesso a notícias”.  Péssimas notícias, bem entendido.</div>
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<div>Ela explica que ecoterapeutas são psicoterapeutas que lidam não apenas com relações humanas, mas também com as relações entre os seres humanos e a natureza.  Seus tratamentos buscam uma reconexão com o mundo natural e baseiam-se em muitas caminhadas e jardinagem.  Outra ecoterapeuta, Melissa Pickett, do Novo México, declarou à imprensa que recebe entre 40 e 80 ecoansiosos por mês, aos quais recomenda mudar seu estilo de vida e a carregar determinadas pedras, com propriedades energizantes.</div>
<div>Uma segunda tendência de comportamento apontada pelos jornais dos EUA é o surgimento de militantes pró-impacto-zero, gente que se considera responsável pelo que ocorre no mundo e está mudando radicalmente seu modo de vida para tentar adiar o Armagedon.  Um dos primeiros a capitalizar essa tendência foi o Discovery Channel, que acaba de anunciar que pretende lançar um canal a cabo inteiramente voltado para um modo de vida ambientalmente correto.</div>
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<div>Os adeptos dessa corrente já têm até um guru – o escritor Colin Beavan.  Junto com a esposa, Michelle, e a filha, de 2 anos, ele decidiu reduzir ao mínimo suas emissões de carbono e compensar o restante com voluntariado, doações e plantio de florestas, para que o balanço final seja nulo.</div>
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<div>A família já descartou elevadores, carros e transportes públicos, eletrodomésticos, jornais, embalagens, papel higiênico.  Os alimentos que formam sua dieta vegetariana têm de ser produzidos num raio de 400 quilômetros e precisam ser da estação.  Qualquer objeto adquirido deve ser de segunda mão.  Todo o lixo tem de ser compostado.</div>
<div>Detalhe importante: os Beavan não são eremitas recolhidos numa fazenda remota.  Eles vivem em Manhattan, bairro central de uma das cidades mais verticais e concentradas do planeta.</div>
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<div>“Esse projeto é uma reação contra o meu eu anterior, cheio de boas intenções, mas lento nas ações”, declara em seu website, o No Impact Man, como Beavan gosta de ser chamado.  Essa mea-culpa promete ser muito, muito rentável, graças ao tino comercial do homem sem impactos.  Compre o livro e veja o filme muito em breve.</div>
<div>Ao longo de um ano, os Beavan pretendem adotar uma lista crescente de exclusões e substituições.  Já na primeira semana, em novembro, a família percebeu que sua vida mudara para um ritmo muito mais calmo, graças às longas andanças e ao boicote à TV.  Depois, começaram a descobrir novos talentos, como a produção caseira de pão, a compostagem dos restos da cozinha, a fabricação de vinagre com tocos de maçã.  Os mais de 5 mil visitantes diários do blog passaram a trocar dicas sobre estratégias de sobrevivência de baixo impacto – onde achar um fio dental reciclável ou um método anticoncepcional “do bem”.</div>
<div>Entretanto, a experiência não é sem percalços.  Beavan foi abalroado por uma BMW quando tentava atravessar a ilha de bicicleta.  Também foi insultado por garçons que não entendiam por que ele faz questão de usar seu próprio guardanapo de pano, que traz sempre no bolso.</div>
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<div>O homem sem impacto também arrebanhou uma legião de detratores, sobretudo após aparecer no New York Times e em diversos programas de televisão.  Para eles, Beavan é hipócrita, por não se mudar para o Harlem e plantar árvores com o dinheiro da venda de seu caríssimo apartamento.  Dizem também que a experiência não tem nada de mais, já que centenas de milhões de africanos vivem do mesmo jeito.  Reclamam que milhares de árvores serão sacrificadas para que o seu livro seja impresso.  Ou, ainda, que o projeto cheira a mentira, pois Michelle dificilmente subiria a pé 40 andares para chegar ao seu trabalho, a redação da revista BusinessWeek.</div>
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<div>Maldade dessa gente.  A idéia de Colin é um refresco para quem cansou de ouvir as más notícias de braços cruzados.  E, com certeza, é melhor do que curtir uma ecofossa.</div>
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		<title>Efeito retardado</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:48:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O novo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco reconhece a necessidade de o Brasil aumentar o protagonismo no que se refere ao aquecimento global.
Por Aldem Bourscheit 
Página 22: No que consiste o anunciado Plano Nacional de Enfrentamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O novo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco reconhece a necessidade de o Brasil aumentar o protagonismo no que se refere ao aquecimento global.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Aldem Bourscheit<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Página 22: No que consiste o anunciado Plano Nacional de Enfrentamento das Mudanças Climáticas?  Quando vai ser apresentado e com que recursos vai ser executado?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">João Paulo Capobianco: A idéia é se espelhar no Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia.  Em breve será publicado um decreto presidencial definindo um grupo ministerial permanente de trabalho, com prazo definido para elaboração do plano de combate às mudanças climáticas.  Serão mapeadas as ações do governo nessa área, muitas delas dispersas e não integradas.  O objetivo é otimizar recursos financeiros e humanos.  O plano trará ações para mitigação e adaptação às mudanças climáticas, para redução de emissões e de incentivo a pesquisas.  Também será avaliada a previsão orçamentária no Plano Plurianual de Investimentos (PPA) e, se necessário, mais recursos serão levantados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Como envolver o conjunto do governo nesse plano?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: A decisão é da Presidência da República, não uma iniciativa isolada dos ministérios do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores.  A participação de outras pastas será definida no decreto do Plano.  O número de organismos envolvidos é bem grande, sem dúvida.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: O plano definirá metas de redução de emissões internas?  Como vão ser tratados o desmatamento e as queimadas?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: O Ministério do Meio Ambiente vê com simpatia a questão de metas voluntárias internas, mas a decisão é do conjunto do governo.  Acredito que isso é possível, agora, principalmente pela redução das taxas de desmate.  Quanto a metas internacionais, todos devem reduzir suas emissões, mas as metas nacionais têm de ser menores que as de países historicamente mais poluidores.  Responsabilidades comuns, porém diferenciadas, não são encaradas pelo Brasil como ausência de responsabilidade.  O País tem reduzido emissões, mesmo sem metas definidas pelo Protocolo de Kyoto.  Para mudar isso, seria preciso reabrir o debate sobre o acordo.  Mas isso poderia ser um tiro pela culatra, dando espaço à fragilização de outros pontos do protocolo, como tem reforçado o Itamaraty.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Se o País adotar metas internas, poderá aceitar compromissos com a comunidade internacional?  O Brasil se juntaria aos países que admitem responsabilidades pelo problema?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: O Brasil é signatário do Protocolo de Kyoto e tem responsabilidades.  Mas o País não possui percentual definido para reduzir suas emissões, ao contrário da União Européia, por exemplo, que quantificou suas metas.  O Brasil só assumiria metas internacionais obrigatórias mediante uma demonstração clara, inequívoca e monitorável de que os países do Anexo 1 diminuirão suas emissões.  O Brasil não fará nenhum movimento nesse sentido se as nações mais poluidoras, as desenvolvidas, não mudarem seu comportamento.  Se todos aprofundarem seus compromissos, a discussão naturalmente virá à tona.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Com isso o País não perde uma oportunidade histórica de liderar o debate sobre as mudanças climáticas?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: O Brasil é uma liderança, não relacionada com assumir ou não metas.  O País sempre foi muito ativo nas negociações do Protocolo de Kyoto e apresentou uma proposta para incentivos positivos à redução de emissões por meio da diminuição no desmatamento.  No entanto, podemos e devemos ocupar mais espaços.  Isso está relacionado ao esforço interno para reduzir emissões e com a posição proativa diante das mudanças climáticas.  Estamos perseguindo um maior protagonismo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: O Brasil já tem um mapa das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: O Ministério do Meio Ambiente financiou pesquisas a respeito do impacto do aquecimento global nos diferentes biomas, na região costeira, e sobre indicadores para monitorar a evolução das alterações do clima na natureza.  Os estudos estão prontos, mas os dados ainda são preliminares.  No entanto, já se sabe que os impactos serão mais intensos na Amazônia e no Nordeste.  Não estamos no zero, mas ainda estamos longe de ter todo o conhecimento necessário.  Precisamos de mais informações de qualidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Quando o Brasil terá uma política nacional em relação às mudanças climáticas?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: Isso será conseqüência da ampliação do debate nacional a respeito do tema.  Mas, antes, temos de fazer nossa lição de casa e identificar os elementos centrais das ações do poder público e da sociedade para reduzir os impactos das mudanças climáticas.  Dessa maneira, uma política nacional já traria uma linha de atuação mais efetiva.  Isso pode ganhar corpo no segundo semestre.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Nas próximas reuniões globais sobre mudanças do clima, será mantida a proposta nacional de compensação por &#8220;desmatamento evitado&#8221;?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: Nosso trabalho é reforçar sempre essa proposta, de incentivos à redução de emissões por meio do combate ao desmatamento.  A agenda está avançando, possibilitando que se mude o eixo da cooperação internacional, antes centrada no simples repasse de recursos para ações de conservação.  O freio no desmate da Amazônia evitou a emissão de 400 milhões de toneladas de CO2 nos últimos dois anos.  Essa redução deveria ser compensada financeiramente, com acordos bilaterais envolvendo países do Anexo 1 do Protocolo de Kyoto.  Os recursos seriam usados para aprofundar o combate ao desmatamento e reduzir ainda mais as emissões.  Reduzir o desmatamento custa muito caro, depende da mudança do modelo econômico, não só de vontade política.  Esperamos que a proposta brasileira seja aceita em breve, para que se tenha uma política global de redução de emissões.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Como as mudanças do clima devem refletir no arcabouço legal brasileiro e na implementação das obras de infra-estrutura que sustentarão o prometido crescimento econômico?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: A legislação brasileira define padrões e orienta as ações para proteger o meio ambiente e as economias.  Sem dúvida, teremos casos em que áreas protegidas serão alteradas, não pelo desrespeito à legislação, mas pelas mudanças climáticas.  Logo, não precisamos alterar a legislação para enfrentar o aquecimento global, mas sim ter ações e aprimorar leis que promovam a redução de emissões e restrinjam atividades econômicas poluidoras.  Quanto a obras de infra-estrutura, nos ressentimos da falta de informações mais objetivas sobre o impacto das mudanças climáticas sobre algumas obras.  Esses fatores deveriam ser considerados nas decisões sobre empreendimentos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: O debate sobre as mudanças climáticas pode fortalecer as posições da pasta do Meio Ambiente no governo Lula?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: Não tenho dúvida.  O tema fez o debate ambiental subir vários degraus no governo e no Congresso.  Hoje é impossível negar a gravidade das questões ambientais.  A sociedade está diante de uma realidade muito séria que envolve o equilíbrio ambiental do planeta.  O desafio é conduzir o debate de forma consistente e real, não inflado pelo catastrofismo.  É preciso buscar saídas.  A agenda das soluções está aberta.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: O governo vai conseguir regular o avanço da fronteira produtiva, mais especificamente da cana-de-açúcar?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: Esse é o desafio.  Não há motivo para que a expansão do plantio de biocombustíveis traga problemas socioambientais.  Existem muitas áreas convertidas subutilizadas, o volume de terra exigido é pequeno diante das terras disponíveis e a ampliação da produção pode ocorrer nas atuais áreas de cultivo, sem substituir outras culturas.  É preciso continuar aproximando as agendas produtiva e de sustentabilidade.  O cenário futuro é promissor, assim como ocorreu com o setor de florestas plantadas, onde os empreendedores investem em recuperação de áreas degradadas, na preservação de matas nativas e na modernização da produção.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: A Frente Parlamentar Ambientalista reúne cerca de 250 parlamentares e a Comissão Mista de Mudanças Climáticas abriga 24 deputados e senadores.  Que influência esses grupos devem ter sobre o segundo mandato Lula e sobre as políticas ambientais?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: Trata-se de um fenômeno importantíssimo, e o momento é valioso para se colocar na mesa algo concreto para apreciação dessas bancadas.  Por exemplo, há os vetos para a Lei da Mata Atlântica e para a Lei de Gestão de Florestas Públicas e um projeto de lei do senador Jonas Pinheiro (Democratas-MT), que exclui o Mato Grosso da Amazônia Legal.  Temos de avaliar como esses parlamentares atuarão, mas a expectativa é de valorização da agenda ambiental.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Qual é o status do Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia e qual a expectativa quanto à Lei de Gestão de Florestas Públicas no combate ao desmatamento?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: O plano de combate ao desmatamento da Amazônia será revisado.  É difícil precisar, mas a tendência é de que algumas medidas sejam reforçadas e que outras sejam encaminhadas.  Para o combate ao desmatamento não faltaram recursos, mas a Presidência da República e outros ministérios devem reafirmar seus compromissos.  Quanto à Lei de Florestas Públicas, estamos preparando o primeiro plano anual de outorga de áreas florestais e fechando um acordo para injetar 4 milhões de euros da União Européia, com apoio da FAO, para implementação do Distrito Florestal da BR-163.  (Esse distrito é o primeiro fruto do Projeto de Lei de Gestão de Florestas Públicas, na tentativa de viabilizar o uso sustentável de 19 milhões de hectares no sudoeste do Pará, com unidades de conservação e áreas de manejo florestal).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: A Frente Parlamentar para a Amazônia pressiona pela votação de projeto que prevê a redistribuição de 2% do Fundo de Participação dos Estados (FPE), criando uma compensação para unidades da federação que não dispõem de todo o território para &#8220;atividades econômicas tradicionais&#8221;.  O que o senhor acha da iniciativa e do ICMS Ecológico?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: O FPE Verde está muito bem encaminhado, com parecer favorável de comissões no Congresso.  A expectativa é de que o texto seja aprovado em breve.  Trata-se de uma proposta excelente e uma contribuição do País à Amazônia, onde existem muitas áreas protegidas e terras indígenas.  A região precisa de recursos para se desenvolver de forma sustentável e seguir contribuindo para o bem-estar de todos.  Sobre o ICMS Ecológico, há excelentes resultados no Paraná, em São Paulo e Minas Gerais.  Outros estados deveriam legislar nesse sentido.  Diante das mudanças climáticas, haverá reforço das ações do Ministério do Meio Ambiente para melhorar as questões tributária e fiscal no estímulo à produção e ao consumo sustentáveis.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">22: Após a COP de Curitiba, o Brasil assumiu a presidência da Conferência sobre Diversidade Biológica (CDB).  O que vem sendo feito no sentido da conservação da biodiversidade?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">JPC: Nosso foco de trabalho é o regime internacional de acesso aos recursos genéticos.  Alguns países que tinham posição refratária já entendem que as propostas das nações megadiversas não são simplesmente formas de ganhar dinheiro, mas sim mecanismos de conservação.  Não haverá futuro para a biodiversidade se não compatibilizarmos conservação com geração de emprego e renda e desenvolvimento.  As pessoas não deixarão de comer para preservar.  Essa é a realidade.  O regime internacional de acesso é um instrumento para isso, permitindo que aqueles que preservam a biodiversidade sejam recompensados por manter matérias-primas essenciais à indústria moderna.  O acesso tem de ser regulado e recompensado.  A agenda é essencial para o Brasil.</div>
<div>O novo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco reconhece a necessidade de o Brasil aumentar o protagonismo no que se refere ao aquecimento global.</div>
<div>Por Aldem Bourscheit<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>Página 22: No que consiste o anunciado Plano Nacional de Enfrentamento das Mudanças Climáticas?  Quando vai ser apresentado e com que recursos vai ser executado?</div>
<div>João Paulo Capobianco: A idéia é se espelhar no Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia.  Em breve será publicado um decreto presidencial definindo um grupo ministerial permanente de trabalho, com prazo definido para elaboração do plano de combate às mudanças climáticas.  Serão mapeadas as ações do governo nessa área, muitas delas dispersas e não integradas.  O objetivo é otimizar recursos financeiros e humanos.  O plano trará ações para mitigação e adaptação às mudanças climáticas, para redução de emissões e de incentivo a pesquisas.  Também será avaliada a previsão orçamentária no Plano Plurianual de Investimentos (PPA) e, se necessário, mais recursos serão levantados.</div>
<div></div>
<div>22: Como envolver o conjunto do governo nesse plano?</div>
<div>JPC: A decisão é da Presidência da República, não uma iniciativa isolada dos ministérios do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores.  A participação de outras pastas será definida no decreto do Plano.  O número de organismos envolvidos é bem grande, sem dúvida.</div>
<div></div>
<div>22: O plano definirá metas de redução de emissões internas?  Como vão ser tratados o desmatamento e as queimadas?</div>
<div>JPC: O Ministério do Meio Ambiente vê com simpatia a questão de metas voluntárias internas, mas a decisão é do conjunto do governo.  Acredito que isso é possível, agora, principalmente pela redução das taxas de desmate.  Quanto a metas internacionais, todos devem reduzir suas emissões, mas as metas nacionais têm de ser menores que as de países historicamente mais poluidores.  Responsabilidades comuns, porém diferenciadas, não são encaradas pelo Brasil como ausência de responsabilidade.  O País tem reduzido emissões, mesmo sem metas definidas pelo Protocolo de Kyoto.  Para mudar isso, seria preciso reabrir o debate sobre o acordo.  Mas isso poderia ser um tiro pela culatra, dando espaço à fragilização de outros pontos do protocolo, como tem reforçado o Itamaraty.</div>
<div></div>
<div>22: Se o País adotar metas internas, poderá aceitar compromissos com a comunidade internacional?  O Brasil se juntaria aos países que admitem responsabilidades pelo problema?</div>
<div>JPC: O Brasil é signatário do Protocolo de Kyoto e tem responsabilidades.  Mas o País não possui percentual definido para reduzir suas emissões, ao contrário da União Européia, por exemplo, que quantificou suas metas.  O Brasil só assumiria metas internacionais obrigatórias mediante uma demonstração clara, inequívoca e monitorável de que os países do Anexo 1 diminuirão suas emissões.  O Brasil não fará nenhum movimento nesse sentido se as nações mais poluidoras, as desenvolvidas, não mudarem seu comportamento.  Se todos aprofundarem seus compromissos, a discussão naturalmente virá à tona.</div>
<div></div>
<div>22: Com isso o País não perde uma oportunidade histórica de liderar o debate sobre as mudanças climáticas?</div>
<div>JPC: O Brasil é uma liderança, não relacionada com assumir ou não metas.  O País sempre foi muito ativo nas negociações do Protocolo de Kyoto e apresentou uma proposta para incentivos positivos à redução de emissões por meio da diminuição no desmatamento.  No entanto, podemos e devemos ocupar mais espaços.  Isso está relacionado ao esforço interno para reduzir emissões e com a posição proativa diante das mudanças climáticas.  Estamos perseguindo um maior protagonismo.</div>
<div></div>
<div>22: O Brasil já tem um mapa das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas?</div>
<div>JPC: O Ministério do Meio Ambiente financiou pesquisas a respeito do impacto do aquecimento global nos diferentes biomas, na região costeira, e sobre indicadores para monitorar a evolução das alterações do clima na natureza.  Os estudos estão prontos, mas os dados ainda são preliminares.  No entanto, já se sabe que os impactos serão mais intensos na Amazônia e no Nordeste.  Não estamos no zero, mas ainda estamos longe de ter todo o conhecimento necessário.  Precisamos de mais informações de qualidade.</div>
<div></div>
<div>22: Quando o Brasil terá uma política nacional em relação às mudanças climáticas?</div>
<div>JPC: Isso será conseqüência da ampliação do debate nacional a respeito do tema.  Mas, antes, temos de fazer nossa lição de casa e identificar os elementos centrais das ações do poder público e da sociedade para reduzir os impactos das mudanças climáticas.  Dessa maneira, uma política nacional já traria uma linha de atuação mais efetiva.  Isso pode ganhar corpo no segundo semestre.</div>
<div></div>
<div>22: Nas próximas reuniões globais sobre mudanças do clima, será mantida a proposta nacional de compensação por &#8220;desmatamento evitado&#8221;?</div>
<div>JPC: Nosso trabalho é reforçar sempre essa proposta, de incentivos à redução de emissões por meio do combate ao desmatamento.  A agenda está avançando, possibilitando que se mude o eixo da cooperação internacional, antes centrada no simples repasse de recursos para ações de conservação.  O freio no desmate da Amazônia evitou a emissão de 400 milhões de toneladas de CO2 nos últimos dois anos.  Essa redução deveria ser compensada financeiramente, com acordos bilaterais envolvendo países do Anexo 1 do Protocolo de Kyoto.  Os recursos seriam usados para aprofundar o combate ao desmatamento e reduzir ainda mais as emissões.  Reduzir o desmatamento custa muito caro, depende da mudança do modelo econômico, não só de vontade política.  Esperamos que a proposta brasileira seja aceita em breve, para que se tenha uma política global de redução de emissões.</div>
<div></div>
<div>22: Como as mudanças do clima devem refletir no arcabouço legal brasileiro e na implementação das obras de infra-estrutura que sustentarão o prometido crescimento econômico?</div>
<div>JPC: A legislação brasileira define padrões e orienta as ações para proteger o meio ambiente e as economias.  Sem dúvida, teremos casos em que áreas protegidas serão alteradas, não pelo desrespeito à legislação, mas pelas mudanças climáticas.  Logo, não precisamos alterar a legislação para enfrentar o aquecimento global, mas sim ter ações e aprimorar leis que promovam a redução de emissões e restrinjam atividades econômicas poluidoras.  Quanto a obras de infra-estrutura, nos ressentimos da falta de informações mais objetivas sobre o impacto das mudanças climáticas sobre algumas obras.  Esses fatores deveriam ser considerados nas decisões sobre empreendimentos.</div>
<div></div>
<div>22: O debate sobre as mudanças climáticas pode fortalecer as posições da pasta do Meio Ambiente no governo Lula?</div>
<div>JPC: Não tenho dúvida.  O tema fez o debate ambiental subir vários degraus no governo e no Congresso.  Hoje é impossível negar a gravidade das questões ambientais.  A sociedade está diante de uma realidade muito séria que envolve o equilíbrio ambiental do planeta.  O desafio é conduzir o debate de forma consistente e real, não inflado pelo catastrofismo.  É preciso buscar saídas.  A agenda das soluções está aberta.</div>
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<div>22: O governo vai conseguir regular o avanço da fronteira produtiva, mais especificamente da cana-de-açúcar?</div>
<div>JPC: Esse é o desafio.  Não há motivo para que a expansão do plantio de biocombustíveis traga problemas socioambientais.  Existem muitas áreas convertidas subutilizadas, o volume de terra exigido é pequeno diante das terras disponíveis e a ampliação da produção pode ocorrer nas atuais áreas de cultivo, sem substituir outras culturas.  É preciso continuar aproximando as agendas produtiva e de sustentabilidade.  O cenário futuro é promissor, assim como ocorreu com o setor de florestas plantadas, onde os empreendedores investem em recuperação de áreas degradadas, na preservação de matas nativas e na modernização da produção.</div>
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<div>22: A Frente Parlamentar Ambientalista reúne cerca de 250 parlamentares e a Comissão Mista de Mudanças Climáticas abriga 24 deputados e senadores.  Que influência esses grupos devem ter sobre o segundo mandato Lula e sobre as políticas ambientais?</div>
<div>JPC: Trata-se de um fenômeno importantíssimo, e o momento é valioso para se colocar na mesa algo concreto para apreciação dessas bancadas.  Por exemplo, há os vetos para a Lei da Mata Atlântica e para a Lei de Gestão de Florestas Públicas e um projeto de lei do senador Jonas Pinheiro (Democratas-MT), que exclui o Mato Grosso da Amazônia Legal.  Temos de avaliar como esses parlamentares atuarão, mas a expectativa é de valorização da agenda ambiental.</div>
<div></div>
<div>22: Qual é o status do Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia e qual a expectativa quanto à Lei de Gestão de Florestas Públicas no combate ao desmatamento?</div>
<div>JPC: O plano de combate ao desmatamento da Amazônia será revisado.  É difícil precisar, mas a tendência é de que algumas medidas sejam reforçadas e que outras sejam encaminhadas.  Para o combate ao desmatamento não faltaram recursos, mas a Presidência da República e outros ministérios devem reafirmar seus compromissos.  Quanto à Lei de Florestas Públicas, estamos preparando o primeiro plano anual de outorga de áreas florestais e fechando um acordo para injetar 4 milhões de euros da União Européia, com apoio da FAO, para implementação do Distrito Florestal da BR-163.  (Esse distrito é o primeiro fruto do Projeto de Lei de Gestão de Florestas Públicas, na tentativa de viabilizar o uso sustentável de 19 milhões de hectares no sudoeste do Pará, com unidades de conservação e áreas de manejo florestal).</div>
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<div>22: A Frente Parlamentar para a Amazônia pressiona pela votação de projeto que prevê a redistribuição de 2% do Fundo de Participação dos Estados (FPE), criando uma compensação para unidades da federação que não dispõem de todo o território para &#8220;atividades econômicas tradicionais&#8221;.  O que o senhor acha da iniciativa e do ICMS Ecológico?</div>
<div>JPC: O FPE Verde está muito bem encaminhado, com parecer favorável de comissões no Congresso.  A expectativa é de que o texto seja aprovado em breve.  Trata-se de uma proposta excelente e uma contribuição do País à Amazônia, onde existem muitas áreas protegidas e terras indígenas.  A região precisa de recursos para se desenvolver de forma sustentável e seguir contribuindo para o bem-estar de todos.  Sobre o ICMS Ecológico, há excelentes resultados no Paraná, em São Paulo e Minas Gerais.  Outros estados deveriam legislar nesse sentido.  Diante das mudanças climáticas, haverá reforço das ações do Ministério do Meio Ambiente para melhorar as questões tributária e fiscal no estímulo à produção e ao consumo sustentáveis.</div>
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<div>22: Após a COP de Curitiba, o Brasil assumiu a presidência da Conferência sobre Diversidade Biológica (CDB).  O que vem sendo feito no sentido da conservação da biodiversidade?</div>
<div>JPC: Nosso foco de trabalho é o regime internacional de acesso aos recursos genéticos.  Alguns países que tinham posição refratária já entendem que as propostas das nações megadiversas não são simplesmente formas de ganhar dinheiro, mas sim mecanismos de conservação.  Não haverá futuro para a biodiversidade se não compatibilizarmos conservação com geração de emprego e renda e desenvolvimento.  As pessoas não deixarão de comer para preservar.  Essa é a realidade.  O regime internacional de acesso é um instrumento para isso, permitindo que aqueles que preservam a biodiversidade sejam recompensados por manter matérias-primas essenciais à indústria moderna.  O acesso tem de ser regulado e recompensado.  A agenda é essencial para o Brasil.</div>
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		<title>Pausa para reflexão</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Amália Safatle 
A cidade de São Paulo é um dos exemplos mais emblemáticos de que o crescimento por si só está longe de garantir o bem-estar da população.  A vila que virou metrópole, embalada a partir dos anos 50 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Amália Safatle<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A cidade de São Paulo é um dos exemplos mais emblemáticos de que o crescimento por si só está longe de garantir o bem-estar da população.  A vila que virou metrópole, embalada a partir dos anos 50 pelo mote de que &#8216;não podia parar&#8221;, hoje pede um movimento em outra direção.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No dia 15 de maio é lançado o &#8220;Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade&#8221;, iniciativa apartidária de empresas, organizações e movimentos sociais da cidade, capitaneada pelo Instituto Ethos.  O objetivo, segundo Ricardo Young e Oded Grajew &#8211; respectivamente presidente e presidente do Coinselho Deliberativo do instituto &#8211; é &#8220;reunir as mais diversas forças para construir um plano duradouro, visando o desenvolvimento justo e sustentável da cidade de São Paulo&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Uma pesquisa inédita do Ibope sobre os problemas e os sonhos dos paulistanos será divulgada no encontro, dando as bases para as primeiras ações e mobilizações.</div>
<div>Por Amália Safatle<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>A cidade de São Paulo é um dos exemplos mais emblemáticos de que o crescimento por si só está longe de garantir o bem-estar da população.  A vila que virou metrópole, embalada a partir dos anos 50 pelo mote de que &#8216;não podia parar&#8221;, hoje pede um movimento em outra direção.</div>
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<div>No dia 15 de maio é lançado o &#8220;Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade&#8221;, iniciativa apartidária de empresas, organizações e movimentos sociais da cidade, capitaneada pelo Instituto Ethos.  O objetivo, segundo Ricardo Young e Oded Grajew &#8211; respectivamente presidente e presidente do Coinselho Deliberativo do instituto &#8211; é &#8220;reunir as mais diversas forças para construir um plano duradouro, visando o desenvolvimento justo e sustentável da cidade de São Paulo&#8221;.</div>
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<div>Uma pesquisa inédita do Ibope sobre os problemas e os sonhos dos paulistanos será divulgada no encontro, dando as bases para as primeiras ações e mobilizações.</div>
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		<title>Ação entre hermanos</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:35:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Maurício Araújo 
Formar um grupo capaz de discutir, desenvolver e apoiar as finanças sustentáveis na América Latina.  Este é o objetivo do Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis (LASFF), lançado em abril, em São Paulo.
Os idealizadores do fórum apostam em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Maurício Araújo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Formar um grupo capaz de discutir, desenvolver e apoiar as finanças sustentáveis na América Latina.  Este é o objetivo do Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis (LASFF), lançado em abril, em São Paulo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os idealizadores do fórum apostam em três blocos de ação para alcançar o objetivo: educação, informação e debate.  No primeiro bloco está programada a realização de cursos, palestras e treinamentos.  No segundo, a constituição de um banco de dados on-line responderá às principais demandas de informação.  Por fim, a as discussões serão promovidas com a criação de comitês temáticos dedicados aos assuntos prioritários, entre eles Princípios do Equador e Performance Standards, Bancos Públicos, Microfinanças e Produtos Sustentáveis.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ajay Narayanan, diretor da International Finance Corporation (IFC), braço privado do Banco Mundial, explicou o interesse da instituição em promover a criação do fórum: &#8220;Identificamos a necessidade de os bancos aprenderem com eles mesmos.  O LASFF tem potencial de ser o elemento que vai reunir todos esses atores na promoção da sustentabilidade&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As próximas atividades já estão agendadas.  Será realizada uma mesa-redonda com fundos de pensão e reguladores em 31 de maio, no Rio de Janeiro.  Na seqüência, o fórum será oficialmente lançado em Buenos Aires, Santiago e Lima.  Mais informações em http://www.lasff.org.</div>
<div>Por Maurício Araújo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>Formar um grupo capaz de discutir, desenvolver e apoiar as finanças sustentáveis na América Latina.  Este é o objetivo do Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis (LASFF), lançado em abril, em São Paulo.</div>
<div></div>
<div>Os idealizadores do fórum apostam em três blocos de ação para alcançar o objetivo: educação, informação e debate.  No primeiro bloco está programada a realização de cursos, palestras e treinamentos.  No segundo, a constituição de um banco de dados on-line responderá às principais demandas de informação.  Por fim, a as discussões serão promovidas com a criação de comitês temáticos dedicados aos assuntos prioritários, entre eles Princípios do Equador e Performance Standards, Bancos Públicos, Microfinanças e Produtos Sustentáveis.</div>
<div></div>
<div>Ajay Narayanan, diretor da International Finance Corporation (IFC), braço privado do Banco Mundial, explicou o interesse da instituição em promover a criação do fórum: &#8220;Identificamos a necessidade de os bancos aprenderem com eles mesmos.  O LASFF tem potencial de ser o elemento que vai reunir todos esses atores na promoção da sustentabilidade&#8221;.</div>
<div></div>
<div>As próximas atividades já estão agendadas.  Será realizada uma mesa-redonda com fundos de pensão e reguladores em 31 de maio, no Rio de Janeiro.  Na seqüência, o fórum será oficialmente lançado em Buenos Aires, Santiago e Lima.  Mais informações em http://www.lasff.org.</div>
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		<title>Medir para reduzir</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:33:59 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Maurício Araújo 
Uma ferramenta de gestão da emissão de gases do efeito estufa foi apresentada ao mercado brasileiro em abril .  Já utilizado em mais de 900 empresas no mundo inteiro, o Protocolo de Emissão de Gases do Efeito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Maurício Araújo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Uma ferramenta de gestão da emissão de gases do efeito estufa foi apresentada ao mercado brasileiro em abril .  Já utilizado em mais de 900 empresas no mundo inteiro, o Protocolo de Emissão de Gases do Efeito Estufa &#8211; GHG Protocol, em inglês &#8211; será adaptado à realidade brasileira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O indiano Pankaj Bhatia, diretor do World Resources Institute &#8211; think tank baseado em Washington que promove a iniciativa em diversos continentes, explica que nos últimos sete anos a metodologia vem sendo aplicada em diferentes setores como o industrial, o financeiro e o governamental.  Em termos gerais, trata-se da utilização de uma série de instrumentos para mapear as emissões de gases de efeito estufa e, a partir desses dados, buscar uma redução voluntária.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Segundo Bhatia, as empresas que aderem ao protocolo se tornam mais aptas a identificar oportunidades de reduzir energia; encontrar alternativas para melhorar a competitividade; participar dos mercados de carbono e providenciar informações para os stakeholders.  &#8220;Os benefícios são diretamente relacionados à solução dos problemas que a emissão de gases causam&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Petrobras, Bradesco e Votorantim relataram no lançamento experiências com inventários de emissão de carbono, entre outras operações visando a sustentabilidade de suas atividades.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No Brasil, a iniciativa do WRI é conduzida por uma parceria entre o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces) e o Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).</div>
<div>Por Maurício Araújo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>Uma ferramenta de gestão da emissão de gases do efeito estufa foi apresentada ao mercado brasileiro em abril .  Já utilizado em mais de 900 empresas no mundo inteiro, o Protocolo de Emissão de Gases do Efeito Estufa &#8211; GHG Protocol, em inglês &#8211; será adaptado à realidade brasileira.</div>
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<div>O indiano Pankaj Bhatia, diretor do World Resources Institute &#8211; think tank baseado em Washington que promove a iniciativa em diversos continentes, explica que nos últimos sete anos a metodologia vem sendo aplicada em diferentes setores como o industrial, o financeiro e o governamental.  Em termos gerais, trata-se da utilização de uma série de instrumentos para mapear as emissões de gases de efeito estufa e, a partir desses dados, buscar uma redução voluntária.</div>
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<div>Segundo Bhatia, as empresas que aderem ao protocolo se tornam mais aptas a identificar oportunidades de reduzir energia; encontrar alternativas para melhorar a competitividade; participar dos mercados de carbono e providenciar informações para os stakeholders.  &#8220;Os benefícios são diretamente relacionados à solução dos problemas que a emissão de gases causam&#8221;.</div>
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<div>Petrobras, Bradesco e Votorantim relataram no lançamento experiências com inventários de emissão de carbono, entre outras operações visando a sustentabilidade de suas atividades.</div>
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<div>No Brasil, a iniciativa do WRI é conduzida por uma parceria entre o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces) e o Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).</div>
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		<title>Sobre hecatombes e lucros</title>
		<link>http://pagina22.com.br/index.php/2007/05/sobre-hecatombes-e-lucros/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:10:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
				<category><![CDATA[08]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Flavio Lobo 
Em sua edição de abril, a revista The Atlantic revelou como uma parte da elite planetária encara as mudanças ambientais, econômicas e sociais que o aquecimento global poderá causar.  O título da capa anuncia &#8220;oportunidades quentes&#8221; e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Flavio Lobo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em sua edição de abril, a revista The Atlantic revelou como uma parte da elite planetária encara as mudanças ambientais, econômicas e sociais que o aquecimento global poderá causar.  O título da capa anuncia &#8220;oportunidades quentes&#8221; e o subtítulo explica: &#8220;Quem perde &#8211; e quem ganha &#8211; num mundo em aquecimento&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ao longo da reportagem, de Gregg Easterbrook, pouco se diz sobre perdas e perdedores.  O leitor é apenas brevemente lembrado de que fome, sede, doenças e guerras poderão dizimar as já depauperadas populações de países situados a baixas latitudes.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para o Brasil, o cenário aventado é o de uma tamanha piora das condições climáticas em regiões densamente povoadas, como São Paulo, que uma invasão da Argentina em busca de áreas mais habitáveis se apresentaria como séria possibilidade.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Mas o foco de Easterbrook são os prováveis futuros vencedores &#8211; que não se diferem muito dos atuais.  &#8220;O que eu ganho com isso&#8221;, pergunta o repórter, sendo &#8220;eu&#8221; o leitor e &#8220;isso&#8221;, o aquecimento global.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Quase todos os benefícios (&#8230;) deverão se concentrar no Alasca, no Canadá, na Groenlândia, na Rússia e na Escandinávia&#8221;, prevê a matéria, pródiga em dicas para ajudar o leitor-investidor a pôr seus dólares em terras distantes de futuras temperaturas abrasadoras, secas ou inundações.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A reportagem também aborda a dimensão geopolítica e, à idéia corrente de que a China será a próxima superpotência a desafiar os EUA, o autor contrapõe a hipótese de que uma nova ascensão russa ressuscitaria uma rivalidade do século passado, &#8220;mas, desta vez, numa guerra do aquecimento em vez de uma Guerra Fria&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No fim do texto, outra questão é formulada: se as mudanças climáticas podem dar lucro, por que tentar mitigá-las?  Segundo Easterbrook, a tentativa faz sentido, principalmente porque quem está na liderança não deve arriscar sua posição permitindo mudanças drásticas demais, com alto grau de incerteza.  Ao identificar a principal meta que os americanos devem ter em mente, o autor não menciona prevenção a hecatombes em outras paragens, apenas a manutenção do poder dos EUA.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A The Atlantic comemora 150 de existência este ano.  Lida atualmente por 1,5 milhão de americanos, a publicação foi criada por abolicionistas, inspirados pelo ideal da igualdade entre os homens.  Hoje, em resposta à crença comum de que a iminência de catástrofes ambientais colocará todos nós, a humanidade, num mesmo barco, os caras-pálidas que seguram o leme da revista retrucam em uníssono com muitos dos poderosos do mundo: &#8220;Nós quem?&#8221;</div>
<div>Por Flavio Lobo<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>Em sua edição de abril, a revista The Atlantic revelou como uma parte da elite planetária encara as mudanças ambientais, econômicas e sociais que o aquecimento global poderá causar.  O título da capa anuncia &#8220;oportunidades quentes&#8221; e o subtítulo explica: &#8220;Quem perde &#8211; e quem ganha &#8211; num mundo em aquecimento&#8221;.</div>
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<div>Ao longo da reportagem, de Gregg Easterbrook, pouco se diz sobre perdas e perdedores.  O leitor é apenas brevemente lembrado de que fome, sede, doenças e guerras poderão dizimar as já depauperadas populações de países situados a baixas latitudes.</div>
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<div>Para o Brasil, o cenário aventado é o de uma tamanha piora das condições climáticas em regiões densamente povoadas, como São Paulo, que uma invasão da Argentina em busca de áreas mais habitáveis se apresentaria como séria possibilidade.</div>
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<div>Mas o foco de Easterbrook são os prováveis futuros vencedores &#8211; que não se diferem muito dos atuais.  &#8220;O que eu ganho com isso&#8221;, pergunta o repórter, sendo &#8220;eu&#8221; o leitor e &#8220;isso&#8221;, o aquecimento global.</div>
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<div>&#8220;Quase todos os benefícios (&#8230;) deverão se concentrar no Alasca, no Canadá, na Groenlândia, na Rússia e na Escandinávia&#8221;, prevê a matéria, pródiga em dicas para ajudar o leitor-investidor a pôr seus dólares em terras distantes de futuras temperaturas abrasadoras, secas ou inundações.</div>
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<div>A reportagem também aborda a dimensão geopolítica e, à idéia corrente de que a China será a próxima superpotência a desafiar os EUA, o autor contrapõe a hipótese de que uma nova ascensão russa ressuscitaria uma rivalidade do século passado, &#8220;mas, desta vez, numa guerra do aquecimento em vez de uma Guerra Fria&#8221;.</div>
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<div>No fim do texto, outra questão é formulada: se as mudanças climáticas podem dar lucro, por que tentar mitigá-las?  Segundo Easterbrook, a tentativa faz sentido, principalmente porque quem está na liderança não deve arriscar sua posição permitindo mudanças drásticas demais, com alto grau de incerteza.  Ao identificar a principal meta que os americanos devem ter em mente, o autor não menciona prevenção a hecatombes em outras paragens, apenas a manutenção do poder dos EUA.</div>
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<div>A The Atlantic comemora 150 de existência este ano.  Lida atualmente por 1,5 milhão de americanos, a publicação foi criada por abolicionistas, inspirados pelo ideal da igualdade entre os homens.  Hoje, em resposta à crença comum de que a iminência de catástrofes ambientais colocará todos nós, a humanidade, num mesmo barco, os caras-pálidas que seguram o leme da revista retrucam em uníssono com muitos dos poderosos do mundo: &#8220;Nós quem?&#8221;</div>
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		<title>Emancipação na floresta</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:07:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Patricia Shanley 
Para quem é feita a ciência e como ela pode alcançar as populações menos favorecidas?  Comunidades da fronteira rural nas quais a pesquisa científica é realizada raramente recebem outra coisa a não ser uma “caixinha”, falsas promessas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Patricia Shanley<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Para quem é feita a ciência e como ela pode alcançar as populações menos favorecidas?  Comunidades da fronteira rural nas quais a pesquisa científica é realizada raramente recebem outra coisa a não ser uma “caixinha”, falsas promessas e doces estragados.  O pouco que recebem não é oferecido por cientistas, mas por políticos, madeireiros, fazendeiros e a agroindústria.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na região do Baixo Tocantins, uma moradora da Floresta Amazônica questionou o porquê de os cientistas publicarem principalmente para os privilegiados.  Glória Rodrigues Gaia é uma agricultora da floresta que luta por mais do que doces.  Sua história levanta questões sobre o processo científico, a responsabilidade deste em relação aos stakeholders locais, e como ele pode gerar impacto para essas comunidades.  A fúria de Glória em contra a ciência extrativa, praticada por uma elite, abriu caminho para uma colaboração instrutiva.  Ela ajudou a transformar a ciência em resultados práticos para as pessoas comuns.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nascida em 1953 e criada nas matas próximas à cidade de Cametá, Glória e seus nove irmãos aprenderam a pescar, caçar, extrair borracha e óleo das árvores.  A mãe de Glória transmitiu-lhe um profundo conhecimento dos óleos e das plantas medicinais, e lhe mostrou vários medicamentos à base de produtos da floresta, inclusive um carinhosamente apelidado de “xixi de anjo”.  “Embora fôssemos pobres, meus pais nos deixaram a rica herança cultural de nossos antepassados”, lembra Glória.  Da mãe e da avó ela herdou os conhecimentos para ser parteira e, por necessidade, começou essa prática aos 17 anos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Depois de se casar, mudar-se para a cidade e ter cinco filhos, no início dos anos 90 Glória sentiu necessidade de retornar à propriedade de sua família para protegê-la da exploração da madeira.  Enquanto muitos dos vizinhos tinham pouca ou nenhuma mata, Glória ainda podia retirar frutas, fibras, látex, caça e medicamentos de sua parcela de floresta.  Isso ajudou sua família como uma conta no banco.  “Não tínhamos que comprar toda a comida ou os remédios; a mata também era nossa fonte de sustento.”</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sem dinheiro e com fome, moradores como Glória em geral ficam em uma posição fraca para negociar com madeireiros, fazendeiros e a agroindústria.  Depois de salvar sua porção de floresta, Glória comprometeu-se a ajudar outros moradores a negociar acordos melhores para suas matas.  Em 1993, ela soube de uma pesquisa que vinha sendo feita na fronteira madeireira ao longo do Rio Capim, onde nossa pequena equipe de cientistas tentava ajudar os moradores a responder à pergunta: “O que tem mais valor, as árvores vendidas como madeira ou a caça, as fibras e os frutos que extraímos da floresta?”</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A resposta não é simples.  Nas fronteiras, a baixa densidade de espécies com potencial econômico, a produção inconsistente de frutos, a população declinante de animais para caça e a crescente intensidade na extração de madeira e na ocorrência de incêndios contribuem para tornar as florestas complexas e vulneráveis.  Apesar de lamentar os recursos mais escassos e as distâncias maiores até as árvores frutíferas e as fontes de fibras, os líderes das comunidades continuavam a assinar contratos para exploração de madeira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O interesse de Glória em nosso trabalho ajudou a equipe a solucionar um dilemma ético.  Como poderíamos conduzir pesquisas que não oferecessem soluções imediatas para acabar com a perda de frutos, caça e medicamentos?  Como garantir que a rápida destruição que testemunhávamos servisse de alerta e fosse evitada por outras comunidades?  Ao responder à demanda de Glória para que compartilhássemos os resultados da pesquisa, acabamos criando uma exibição itinerante.  Um caçador da região do Capim, um pesquisador e eu colocamos na mochila os materiais para um workshop, pôsteres e redes de dormir.  Viajamos com Glória de barco, por estradas barrentas de arrasto e a pé até uma vila na melhor região madeireira do Baixo Tocantins.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Glória não gostava de cientistas, especialmente estrangeiros, aqueles que só exploram os conhecimentos tradicionais, culturais e não devolvem nada à comunidade.  Ela os vê como vê os fazendeiros e madeireiros: pessoas cheias de pompa, ricas, que desenvolvem uma atividade extrativa e deixam pouco atrás de si.  Ela nos tolerava porque tínhamos dados – dados que poderiam, talvez, ajudar os moradores das fronteiras madeireiras.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quais eram os dados mais reveladores para os moradores?  Nossos resultados demonstraram que, depois de vários episódios de extração de madeira, o consumo médio, por família, de alguns frutos cai de 72 unidades por ano para 14 – uma redução de 80%.  Uma árvore que produz 300 frutos por ano, com um potencial de receita de R$ 60, era comumente vendida por R$ 2. Os moradores se admiravam ao saber que sete caçadores em uma vila obtiveram 232 quilos de carne ao caçar debaixo dos piquiás (Caryocar villosum), árvore também vendida aos madeireiros por R$ 2.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sem saber do valor de mercado de suas florestas e passando necessidade, os moradores vendem a madeira por pouco retorno econômico.  Na região do Tocantins, comprovamos que a situação do Capim se repetia em outros cenários de fronteira.  Como no Capim, a renda invisível de frutos, caça e fibras é substancial, mas o dinheiro vivo oferecido pelos madeireiros seduz os líderes locais para, repetidamente, vender a madeira.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os moradores absorveram os dados e começaram a contar suas próprias histórias de ganhos e perdas, dando força uns aos outros.  Jurandir e Curumi contaram casos de perda.  Mangueira lembrou à comunidade que ele disse “não” ao madeireiro; que sua família era saudável durante a estação de frutos, e que ele ainda podia coletar o cipó-titica para construção e o leite-de-amapá para medicação.  Quando nos preparávamos para sair, os moradores nos agradeceram e continuaram as discussões sobre como conservar o que resta de suas florestas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Livros e homens</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Começamos a caminhar depois do pôr do sol.  Passamos por serrarias itinerantes, operações quase domésticas, ágeis e eficientes em atingir regiões remotas.  Elas chegaram ali antes de nós e chegariam antes a todos os lugares.  A floresta continuaria a cair e, algumas vezes, isso ocorreria por falta de conhecimento de um morador sobre o seu valor.  À medida que caminhávamos e a noite caía, uma idéia começou a se formar: a necessidade de uma ferramenta portátil para tornar as comunidades mais poderosas, um workshop itinerante sobre papel, um livro para os quase-alfabetizados.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A ciência precisa ser rigorosa.  Fazendeiros e caçadores sobrevivem das espécies que nós meramente estudamos.  Entretanto, Glória nos havia ensinado que números não seriam suficientes.  Eles poderiam nos dar uma base técnica, mas não inspirariam negociações mais respeitosas, eqüidade ou conservação.  Nas vilas, as florestas significam não só ecologia e economia, mas também música, história, cultura e cura.  Por isso, o livro deveria ser escrito não só por autoridades em Amazônia, mas também por fazendeiros que praticam o corte-equeima, caçadores e parteiras.  Acrescentamos contos sobre a madeira e a cultura e lendas da floresta, receitas de sabão e de bolos, informações sobre como processar óleos, e dicas para plantar árvores frutíferas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Glória ajudou a escolher um tamanho de letra maior para o livro, a inserir várias figuras em cada página, e a manter o formato simples.  Quando a obra foi impressa pela primeira vez, em 1998, já começava a atrair novos leitores: professores, donas de casa da cidade, fazendeiros, inclusive gente que nunca entrou numa floresta.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nos anos que se seguiram à impressão do primeiro livro, chamado Frutíferas da Mata na Vida Amazônica, Glória distribuiu cópias aos moradores que buscavam informação.  Ela viajou, muitas vezes sem financiamento ou projeto oficial, nas estradas de arrasto, de canoa e a pé para regiões marcadas pelo conflito, para levar os workshops sobre o valor da floresta.  Munida de dados sobre a ecologia, os mercados e o manejo de uma dúzia de árvores e palmeiras amazônicas, ela buscou informar as discussões e catalisar a mudança.  Usou o livro para dar poder, através da ciência, e uma voz aos moradores.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No ano 2000, Carlos Vicente e Adalberto Veríssimo, atualmente assessores do Ministério do Meio Ambiente, solicitaram uma versão ampliada do livro original que incluísse espécies do Acre.  O novo livro, Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica, inclui a pesquisa de 90 cientistas brasileiros e internacionais, cobrindo 21 espécies.  Ecólogos, economistas e antropólogos, assim como políticos, romperam a tradição, escreveram de</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">forma simples, abraçando as vozes das populações rurais, e colaboraram com a crença de que cartuns e histórias não diminuiriam, mas aumentariam o impacto sobre as pessoas que necessitam das informações.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Treinamento inovador</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esforços inéditos para conservar e manejar espécies valiosas, das quais as populações rurais e urbanas dependem, estão em curso no Brasil – como a iniciativa do Serviço Florestal para desenvolver um treinamento inovador para o manejo comunitário de produtos florestais madeireiros e não madeireiros em toda a Amazônia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Conselho Nacional dos Seringueiros, as Casas Familiares Rurais, o Instituto de Florestas Tropicais, o Ibama e o Pronera – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – reforçam a educação e o treinamento florestal ao oferecer informações para as comunidades rurais sobre os diversos valores da floresta.  E em especial para as mulheres, que sempre defenderam a floresta e reconhecem a terra como fonte de vida.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Infelizmente, apoio para o trabalho de base como o conduzido por Glória ainda está em falta.  Contra madeireiros predadores, uma sociedade machista e cientistas de elite, ela segue lutando para alcançar os moradores da floresta.  Se nós queremos que pequenos proprietários e populações tradicionais que manejam um terço da Amazônia brasileira saibam manejar não só a madeira, mas também frutos, a vida selvagem, fibras e resinas, eles vão precisar de informação para poder analisar, de maneira crítica, suas opções.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Patricia Shanley é pesquisadora do Centro Internacional de Pesquisa Florestal (CIFOR).</div>
<div>Por Patricia Shanley<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div></div>
<div>Para quem é feita a ciência e como ela pode alcançar as populações menos favorecidas?  Comunidades da fronteira rural nas quais a pesquisa científica é realizada raramente recebem outra coisa a não ser uma “caixinha”, falsas promessas e doces estragados.  O pouco que recebem não é oferecido por cientistas, mas por políticos, madeireiros, fazendeiros e a agroindústria.</div>
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<div>Na região do Baixo Tocantins, uma moradora da Floresta Amazônica questionou o porquê de os cientistas publicarem principalmente para os privilegiados.  Glória Rodrigues Gaia é uma agricultora da floresta que luta por mais do que doces.  Sua história levanta questões sobre o processo científico, a responsabilidade deste em relação aos stakeholders locais, e como ele pode gerar impacto para essas comunidades.  A fúria de Glória em contra a ciência extrativa, praticada por uma elite, abriu caminho para uma colaboração instrutiva.  Ela ajudou a transformar a ciência em resultados práticos para as pessoas comuns.</div>
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<div>Nascida em 1953 e criada nas matas próximas à cidade de Cametá, Glória e seus nove irmãos aprenderam a pescar, caçar, extrair borracha e óleo das árvores.  A mãe de Glória transmitiu-lhe um profundo conhecimento dos óleos e das plantas medicinais, e lhe mostrou vários medicamentos à base de produtos da floresta, inclusive um carinhosamente apelidado de “xixi de anjo”.  “Embora fôssemos pobres, meus pais nos deixaram a rica herança cultural de nossos antepassados”, lembra Glória.  Da mãe e da avó ela herdou os conhecimentos para ser parteira e, por necessidade, começou essa prática aos 17 anos.</div>
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<div>Depois de se casar, mudar-se para a cidade e ter cinco filhos, no início dos anos 90 Glória sentiu necessidade de retornar à propriedade de sua família para protegê-la da exploração da madeira.  Enquanto muitos dos vizinhos tinham pouca ou nenhuma mata, Glória ainda podia retirar frutas, fibras, látex, caça e medicamentos de sua parcela de floresta.  Isso ajudou sua família como uma conta no banco.  “Não tínhamos que comprar toda a comida ou os remédios; a mata também era nossa fonte de sustento.”</div>
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<div>Sem dinheiro e com fome, moradores como Glória em geral ficam em uma posição fraca para negociar com madeireiros, fazendeiros e a agroindústria.  Depois de salvar sua porção de floresta, Glória comprometeu-se a ajudar outros moradores a negociar acordos melhores para suas matas.  Em 1993, ela soube de uma pesquisa que vinha sendo feita na fronteira madeireira ao longo do Rio Capim, onde nossa pequena equipe de cientistas tentava ajudar os moradores a responder à pergunta: “O que tem mais valor, as árvores vendidas como madeira ou a caça, as fibras e os frutos que extraímos da floresta?”</div>
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<div>A resposta não é simples.  Nas fronteiras, a baixa densidade de espécies com potencial econômico, a produção inconsistente de frutos, a população declinante de animais para caça e a crescente intensidade na extração de madeira e na ocorrência de incêndios contribuem para tornar as florestas complexas e vulneráveis.  Apesar de lamentar os recursos mais escassos e as distâncias maiores até as árvores frutíferas e as fontes de fibras, os líderes das comunidades continuavam a assinar contratos para exploração de madeira.</div>
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<div>O interesse de Glória em nosso trabalho ajudou a equipe a solucionar um dilemma ético.  Como poderíamos conduzir pesquisas que não oferecessem soluções imediatas para acabar com a perda de frutos, caça e medicamentos?  Como garantir que a rápida destruição que testemunhávamos servisse de alerta e fosse evitada por outras comunidades?  Ao responder à demanda de Glória para que compartilhássemos os resultados da pesquisa, acabamos criando uma exibição itinerante.  Um caçador da região do Capim, um pesquisador e eu colocamos na mochila os materiais para um workshop, pôsteres e redes de dormir.  Viajamos com Glória de barco, por estradas barrentas de arrasto e a pé até uma vila na melhor região madeireira do Baixo Tocantins.</div>
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<div>Glória não gostava de cientistas, especialmente estrangeiros, aqueles que só exploram os conhecimentos tradicionais, culturais e não devolvem nada à comunidade.  Ela os vê como vê os fazendeiros e madeireiros: pessoas cheias de pompa, ricas, que desenvolvem uma atividade extrativa e deixam pouco atrás de si.  Ela nos tolerava porque tínhamos dados – dados que poderiam, talvez, ajudar os moradores das fronteiras madeireiras.</div>
<div>Quais eram os dados mais reveladores para os moradores?  Nossos resultados demonstraram que, depois de vários episódios de extração de madeira, o consumo médio, por família, de alguns frutos cai de 72 unidades por ano para 14 – uma redução de 80%.  Uma árvore que produz 300 frutos por ano, com um potencial de receita de R$ 60, era comumente vendida por R$ 2. Os moradores se admiravam ao saber que sete caçadores em uma vila obtiveram 232 quilos de carne ao caçar debaixo dos piquiás (Caryocar villosum), árvore também vendida aos madeireiros por R$ 2.</div>
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<div>Sem saber do valor de mercado de suas florestas e passando necessidade, os moradores vendem a madeira por pouco retorno econômico.  Na região do Tocantins, comprovamos que a situação do Capim se repetia em outros cenários de fronteira.  Como no Capim, a renda invisível de frutos, caça e fibras é substancial, mas o dinheiro vivo oferecido pelos madeireiros seduz os líderes locais para, repetidamente, vender a madeira.</div>
<div>Os moradores absorveram os dados e começaram a contar suas próprias histórias de ganhos e perdas, dando força uns aos outros.  Jurandir e Curumi contaram casos de perda.  Mangueira lembrou à comunidade que ele disse “não” ao madeireiro; que sua família era saudável durante a estação de frutos, e que ele ainda podia coletar o cipó-titica para construção e o leite-de-amapá para medicação.  Quando nos preparávamos para sair, os moradores nos agradeceram e continuaram as discussões sobre como conservar o que resta de suas florestas.</div>
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<div>Livros e homens</div>
<div>Começamos a caminhar depois do pôr do sol.  Passamos por serrarias itinerantes, operações quase domésticas, ágeis e eficientes em atingir regiões remotas.  Elas chegaram ali antes de nós e chegariam antes a todos os lugares.  A floresta continuaria a cair e, algumas vezes, isso ocorreria por falta de conhecimento de um morador sobre o seu valor.  À medida que caminhávamos e a noite caía, uma idéia começou a se formar: a necessidade de uma ferramenta portátil para tornar as comunidades mais poderosas, um workshop itinerante sobre papel, um livro para os quase-alfabetizados.</div>
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<div>A ciência precisa ser rigorosa.  Fazendeiros e caçadores sobrevivem das espécies que nós meramente estudamos.  Entretanto, Glória nos havia ensinado que números não seriam suficientes.  Eles poderiam nos dar uma base técnica, mas não inspirariam negociações mais respeitosas, eqüidade ou conservação.  Nas vilas, as florestas significam não só ecologia e economia, mas também música, história, cultura e cura.  Por isso, o livro deveria ser escrito não só por autoridades em Amazônia, mas também por fazendeiros que praticam o corte-equeima, caçadores e parteiras.  Acrescentamos contos sobre a madeira e a cultura e lendas da floresta, receitas de sabão e de bolos, informações sobre como processar óleos, e dicas para plantar árvores frutíferas.</div>
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<div>Glória ajudou a escolher um tamanho de letra maior para o livro, a inserir várias figuras em cada página, e a manter o formato simples.  Quando a obra foi impressa pela primeira vez, em 1998, já começava a atrair novos leitores: professores, donas de casa da cidade, fazendeiros, inclusive gente que nunca entrou numa floresta.</div>
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<div>Nos anos que se seguiram à impressão do primeiro livro, chamado Frutíferas da Mata na Vida Amazônica, Glória distribuiu cópias aos moradores que buscavam informação.  Ela viajou, muitas vezes sem financiamento ou projeto oficial, nas estradas de arrasto, de canoa e a pé para regiões marcadas pelo conflito, para levar os workshops sobre o valor da floresta.  Munida de dados sobre a ecologia, os mercados e o manejo de uma dúzia de árvores e palmeiras amazônicas, ela buscou informar as discussões e catalisar a mudança.  Usou o livro para dar poder, através da ciência, e uma voz aos moradores.</div>
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<div>No ano 2000, Carlos Vicente e Adalberto Veríssimo, atualmente assessores do Ministério do Meio Ambiente, solicitaram uma versão ampliada do livro original que incluísse espécies do Acre.  O novo livro, Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica, inclui a pesquisa de 90 cientistas brasileiros e internacionais, cobrindo 21 espécies.  Ecólogos, economistas e antropólogos, assim como políticos, romperam a tradição, escreveram de</div>
<div>forma simples, abraçando as vozes das populações rurais, e colaboraram com a crença de que cartuns e histórias não diminuiriam, mas aumentariam o impacto sobre as pessoas que necessitam das informações.</div>
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<div>Treinamento inovador</div>
<div>Esforços inéditos para conservar e manejar espécies valiosas, das quais as populações rurais e urbanas dependem, estão em curso no Brasil – como a iniciativa do Serviço Florestal para desenvolver um treinamento inovador para o manejo comunitário de produtos florestais madeireiros e não madeireiros em toda a Amazônia.</div>
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<div>O Conselho Nacional dos Seringueiros, as Casas Familiares Rurais, o Instituto de Florestas Tropicais, o Ibama e o Pronera – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – reforçam a educação e o treinamento florestal ao oferecer informações para as comunidades rurais sobre os diversos valores da floresta.  E em especial para as mulheres, que sempre defenderam a floresta e reconhecem a terra como fonte de vida.</div>
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<div>Infelizmente, apoio para o trabalho de base como o conduzido por Glória ainda está em falta.  Contra madeireiros predadores, uma sociedade machista e cientistas de elite, ela segue lutando para alcançar os moradores da floresta.  Se nós queremos que pequenos proprietários e populações tradicionais que manejam um terço da Amazônia brasileira saibam manejar não só a madeira, mas também frutos, a vida selvagem, fibras e resinas, eles vão precisar de informação para poder analisar, de maneira crítica, suas opções.</div>
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<div>Patricia Shanley é pesquisadora do Centro Internacional de Pesquisa Florestal (CIFOR).</div>
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		<title>Savana onde havia mata</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:04:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Philip Fearnside 
“Ontem (5 de abril de 2007), segundo a Folha (de S.Paulo) apurou, a delegação brasileira fazia objeções a uma referência à savanização da Amazônia, causada pelo aquecimento global, no texto final do sumário.”
A delegação brasileira na reunião [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Philip Fearnside<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">“Ontem (5 de abril de 2007), segundo a Folha (de S.Paulo) apurou, a delegação brasileira fazia objeções a uma referência à savanização da Amazônia, causada pelo aquecimento global, no texto final do sumário.”</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A delegação brasileira na reunião do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) não teve sucesso em apagar a menção à savanização e do resumo do relatório do Grupo de Trabalho II, que trata dos impactos das mudanças climáticas e da adaptação, consta esta declaração: “Até meados do século, aumentos na temperatura e a diminuição da quantidade de água no solo devem conduzir à substituição gradual da floresta tropical por savana na Amazônia Oriental”.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A possibilidade de a Floresta Amazônica ser substituída por savana é levantada em nada menos que quatro capítulos do relatório (capítulos 2, 4, 5 e 13).  Os três primeiros baseiam-se nas previsões do Centro Hadley do Escritório Meteorológico do Reino Unido, cujo modelo produz os resultados mais catastróficos para a Amazônia.  No capítulo 13, que trata da América Latina, a hipótese de que a savanização aconteceria com mais de 80% de probabilidade leva em conta uma série de modelos diferentes e não depende apenas dos resultados do modelo do Centro Hadley.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A grande diversidade de resultados previstos por meio de diferentes modelos climáticos, tanto para o mundo como para a Amazônia, não traz conforto.  As projeções para as temperaturas globais, divulgadas pelo IPCC em fevereiro de 2007, indicam um aumento máximo de 4 graus acima dos níveis pré-industriais até o ano 2100.  Este é</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">o cenário A2 (gráfico), cujas premissas são de que a industrialização e o crescimento populacional vão continuar de forma diferenciada em diversas partes do mundo, e que o aumento da eficiência tecnológica será modesto.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Embora o IPCC não use o termo business as usual, isto é o que o cenário A2 está mais próximo de representar.  Outros três cenários partem de tendências atuais, presumindo que o crescimento da população e/ou o impacto da industrialização sejam reduzidos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Cachinhos dourados</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A maioria das pessoas, quando confrontada com uma série de resultados, tende a considerar que o médio é provavelmente o mais correto.  A lógica não se aplica a esse caso.  Em vez disso, é a curva mais alta do gráfico – que corresponde ao cenário A2 – a mais provável de ocorrer se não houver mudança de política para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A “falácia dos Cachinhos Dourados”, na qual se assume de antemão que o valor mediano é “certinho”, serve à avaliação dos resultados de modelos de clima de várias maneiras.  Cachinhos Dourados é a menina no conto de fadas que vaga pela floresta e encontra uma cabana onde vivem três ursos.  Eles haviam colocado três tigelas de mingau na mesa para esfriar, enquanto passeavam pela floresta.  Cachinhos Dourados prova o mingau do Urso Pai e acha que está muito quente, o da Ursa Mãe é muito frio, e o do Urso Bebê é “certinho”.  Infelizmente, esta não é uma boa maneira para escolher entre diferentes modelos climáticos e os valores dos parâmetros que os alimentam.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Até mesmo um aumento de 4 graus acima dos níveis pré-industriais é modesto do ponto de vista do que poderia ocorrer na Amazônia.  As temperaturas nos cenários previstos pelo IPCC representam médias para o planeta como um todo.  Elas são influenciadas, entretanto, pela temperatura do ar acima dos oceanos – a maior parte do planeta é coberta de água –, que sobe menos do que na superfície terrestre.  A temperatura média na superfície dos continentes seria aproximadamente 30% mais alta do que a média global.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Além disso, os cenários mostram médias ao longo do tempo, mas a temperatura varia de um dia para outro, com a possibilidade de picos muito mais altos do que a média.  Em 2003, uma onda de calor causada pelo fenômeno El Niño matou 32 mil pessoas na Europa.  O relatório do IPCC indica que, no cenário A2, ondas de calor dessa magnitude ocorrerão, em média, a cada dois anos até 2080.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os valores dos cenários do IPCC expressam a temperatura média não apenas ao longo do tempo, mas também em termos espaciais.  Além de os continentes estarem mais quentes do que a média global, alguns lugares nos continentes experimentarão aumentos bem maiores que outros.  É aí que o modelo do Centro Hadley cria um cenário catastrófico para a Amazônia, com temperaturas aproximadamente 40% mais altas que o resto do continente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">El Niño permanente</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O modelo do Centro Hadley exibe tais resultados porque insere o clima global em um contexto de “El Niño permanente”, coisa que outros modelos climáticos ainda não levam em conta.  Junto com temperaturas mais altas, o El Niño permanente causaria redução significativa da chuva e prolongamento da estação seca na Amazônia.  Na ausência de ações de mitigação do efeito estufa, tal cenário prevê a extinção da Floresta Amazônica até aproximadamente 2080.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Reduções significativas da precipitação e da vazão dos rios na Amazônia não são resultados restritos ao modelo do Centro Hadley – outros dois modelos também mostram reduções grandes.  No entanto, alguns deles indicam pouca mudança e um até aponta aumento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Diante desses outros modelos, por que acreditar no do Centro Hadley?  A gama de resultados diferentes leva à tentação de usar a média de todos eles.  Mais uma vez essa reação natural não é apropriada.  A abordagem no estilo Cachinhos Dourados não substitui o exame e a comparação de cada modelo com o que sabemos sobre</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">o clima real na Amazônia.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A modelagem de clima avançou muito desde o último relatório do IPCC em 2001, mas variáveis importantes ainda existem entre as diferentes abordagens.  Um avanço é que hoje eles concordam que o aumento do efeito estufa criará as chamadas “condições tipo El Niño”.  Ou seja, o aquecimento da superfície da água no Oceano Pacífico, gatilho para eventos do El Niño.  A ocorrência de “condições tipo El Niño” difere de eventos do El Niño em si, relacionados com secas e inundações em diferentes locais ao redor do mundo.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Hoje se sabe que o El Niño causa secas na Amazônia, e essa conclusão não depende de modelos de clima.  Sempre que as águas superficiais do Pacífico esquentam, há secas e incêndios florestais na Amazônia, como ocorreu em 1982, 1997/1998 e 2003.  A relevância dos resultados de qualquer modelo para a Amazônia, portanto, depende da inclusão de uma representação realística desse efeito.  Se há modelos que indicam aquecimento da água no Pacífico sem maiores efeitos na Amazônia, isto não significa que a Amazônia esteja mais segura, mas que ainda falta incluir algo nos modelos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Bastam 50%?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A interpretação dos resultados dos modelos de clima depende de outra consideração básica.  Para gerar temperaturas simuladas, os modelos usam a chamada “sensibilidade climática” – a média de aumento da temperatura da superfície global, acima de níveis pré-industriais, se a concentração de CO2 na atmosfera fosse o dobro da préindustrial.  Antes da Revolução Industrial havia 280 partes por milhão por volume (ppmv) de CO2 na atmosfera, e hoje já são 383 ppmv.  Estima-se que a concentração dobre em relação ao nível pré-industrial antes de 2070 caso não haja a mitigação das emissões.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O valor mais provável para a sensibilidade climática, e que alimentou os cenários do IPCC, é um pouco abaixo de 3 graus.  “Mais provável” significa, porém, que há uma probabilidade de 50% de que o verdadeiro valor seja menor, assim como uma chance de 50% de que seja maior.  O valor para a “alta sensibilidade climática” – que significa que há 95% de certeza de incluir o valor verdadeiro – é de 6,2 graus, segundo uma revisão dos dados sobre a reação do clima às variações na concentração de CO2 ao longo da história geológica.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Publicada na Nature em março de 2006, a revisão traz um valor substancialmente mais baixo do que estimativas anteriores, mas ainda devastador em suas implicações.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O princípio de precaução ensina que se deve planejar com base em um cenário pessimista com alto grau de certeza a fim de não se ignorarem os impactos.  Por exemplo, se alguém que mora em um prédio de apartamentos perguntasse a um engenheiro se o edifício poderia ruir, como aconteceu com o Palace II em 1998, ficaria satisfeito com uma resposta de que é “provável” que o prédio permaneça em pé?  Isso pode significar que há uma chance de 51% de que o edifício se mantenha em pé e uma chance de 49% de que caia ao chão.  Certamente os moradores não se satisfariam com a segurança de apenas “mais de 50%”, mas só com algo acima de 99%.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Da mesma maneira, para os habitantes do planeta Terra, fazer planos a partir da hipótese de que a temperatura média global vai subir 4 graus ignora o fato essencial de que há uma chance de 50% de que o aumento seja maior, e possivelmente muito maior.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Lenha na fogueira</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Quando as temperaturas aumentam, as árvores precisam de mais água para sobreviver.  Se a estação seca se prolongar, muitas não terão capacidade para resistir ao estresse hídrico e morrerão, literalmente, de sede.  Isso é evidente nos dados do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), desenvolvido pelo Inpa e o Instituto Smithsonian próximo a Manaus, que possui mais de 80 mil árvores mapeadas, etiquetadas e monitoradas em um estudo que dura 27 anos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A taxa de mortalidade de árvores localizadas a até 300 metros da borda da floresta é muito mais alta do que a de árvores no interior da floresta.  Isso porque enfrentam um microclima alterado, semelhante ao que pode ser esperado para a floresta inteira sob as mudanças climáticas projetadas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As árvores grandes morrem primeiro, o que libera grande parte do estoque de carbono da floresta, contribuindo para um ciclo vicioso entre o aumento do efeito estufa e a mortalidade da floresta.  As árvores grandes também mantêm a estrutura física da floresta – quando morrem, são substituídas por espécies típicas de florestas secundárias.  Tais resultados foram confirmados pelo Seca Floresta, um estudo do Projeto em Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), que cobriu o chão em um hectare de floresta com painéis de plástico, simulando os efeitos de uma seca prolongada.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os estudos do PDBFF e do LBA testam o efeito de aumentar o estresse hídrico, causando a morte das árvores em pé.  Este também é o único efeito incluído no modelo do Centro Hadley, que indica uma mortalidade catastrófica da Floresta Amazônica até 2080.  Na realidade, os efeitos da mudança climática poderiam ser muito piores devido a um outro elemento: o fogo.  Incêndios florestais começam e se espalham com mais facilidade sob as condições quentes e secas que prevaleceriam com um clima alterado.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O perigo aumenta graças à mortalidade de árvores, a incêndios anteriores e à exploração madeireira que avança em áreas de floresta previamente intactas.  A construção de estradas e a expansão de assentamentos e pastagens oferecem novas oportunidades para incêndios, como o grande incêndio de Roraima, ocorrido em 1997/1998 durante um evento do El Niño.  Um “El Niño permanente” aceleraria muito essa forma de destruição da floresta.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O modelo do Centro Hadley não inclui o desmatamento direto.  Entretanto, esse processo continua substituindo floresta por pastagem, reduzindo a evapotranspiração e a chuva na época seca e, portanto, vai se somando aos impactos do efeito estufa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A possibilidade de a Floresta Amazônica extinguirse e ser substituída por savanas é real.  Esse cenário não é inevitável, mas depende de decisões humanas sobre as emissões de gases de efeito estufa.  O Brasil é um dos países que têm mais a perder com a mudança climática, e por isso deveria assumir a liderança, começando com a redução das emissões oriundas do desmatamento amazônico.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A demora em cortar as emissões é uma abordagem perigosa, especialmente para a Amazônia, pois o aquecimento global perduraria por duas ou três décadas mesmo depois de cessadas as emissões antropogênicas.  O limiar no qual a inércia do sistema climático pode empurrar a floresta para além dos seus limites de tolerância está muito próximo.  Se esperarmos para saber precisamente onde está esse limiar, talvez seja tarde demais.  Fingir que a ameaça que o aquecimento global representa para a floresta não existe é uma fórmula para o desastre.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Philip Fearnside é ecólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).</div>
<div>Por Philip Fearnside<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>“Ontem (5 de abril de 2007), segundo a Folha (de S.Paulo) apurou, a delegação brasileira fazia objeções a uma referência à savanização da Amazônia, causada pelo aquecimento global, no texto final do sumário.”</div>
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<div>A delegação brasileira na reunião do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) não teve sucesso em apagar a menção à savanização e do resumo do relatório do Grupo de Trabalho II, que trata dos impactos das mudanças climáticas e da adaptação, consta esta declaração: “Até meados do século, aumentos na temperatura e a diminuição da quantidade de água no solo devem conduzir à substituição gradual da floresta tropical por savana na Amazônia Oriental”.</div>
<div></div>
<div>A possibilidade de a Floresta Amazônica ser substituída por savana é levantada em nada menos que quatro capítulos do relatório (capítulos 2, 4, 5 e 13).  Os três primeiros baseiam-se nas previsões do Centro Hadley do Escritório Meteorológico do Reino Unido, cujo modelo produz os resultados mais catastróficos para a Amazônia.  No capítulo 13, que trata da América Latina, a hipótese de que a savanização aconteceria com mais de 80% de probabilidade leva em conta uma série de modelos diferentes e não depende apenas dos resultados do modelo do Centro Hadley.</div>
<div></div>
<div>A grande diversidade de resultados previstos por meio de diferentes modelos climáticos, tanto para o mundo como para a Amazônia, não traz conforto.  As projeções para as temperaturas globais, divulgadas pelo IPCC em fevereiro de 2007, indicam um aumento máximo de 4 graus acima dos níveis pré-industriais até o ano 2100.  Este é</div>
<div>o cenário A2 (gráfico), cujas premissas são de que a industrialização e o crescimento populacional vão continuar de forma diferenciada em diversas partes do mundo, e que o aumento da eficiência tecnológica será modesto.</div>
<div></div>
<div>Embora o IPCC não use o termo business as usual, isto é o que o cenário A2 está mais próximo de representar.  Outros três cenários partem de tendências atuais, presumindo que o crescimento da população e/ou o impacto da industrialização sejam reduzidos.</div>
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<div>Cachinhos dourados</div>
<div>A maioria das pessoas, quando confrontada com uma série de resultados, tende a considerar que o médio é provavelmente o mais correto.  A lógica não se aplica a esse caso.  Em vez disso, é a curva mais alta do gráfico – que corresponde ao cenário A2 – a mais provável de ocorrer se não houver mudança de política para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.</div>
<div></div>
<div>A “falácia dos Cachinhos Dourados”, na qual se assume de antemão que o valor mediano é “certinho”, serve à avaliação dos resultados de modelos de clima de várias maneiras.  Cachinhos Dourados é a menina no conto de fadas que vaga pela floresta e encontra uma cabana onde vivem três ursos.  Eles haviam colocado três tigelas de mingau na mesa para esfriar, enquanto passeavam pela floresta.  Cachinhos Dourados prova o mingau do Urso Pai e acha que está muito quente, o da Ursa Mãe é muito frio, e o do Urso Bebê é “certinho”.  Infelizmente, esta não é uma boa maneira para escolher entre diferentes modelos climáticos e os valores dos parâmetros que os alimentam.</div>
<div></div>
<div>Até mesmo um aumento de 4 graus acima dos níveis pré-industriais é modesto do ponto de vista do que poderia ocorrer na Amazônia.  As temperaturas nos cenários previstos pelo IPCC representam médias para o planeta como um todo.  Elas são influenciadas, entretanto, pela temperatura do ar acima dos oceanos – a maior parte do planeta é coberta de água –, que sobe menos do que na superfície terrestre.  A temperatura média na superfície dos continentes seria aproximadamente 30% mais alta do que a média global.</div>
<div></div>
<div>Além disso, os cenários mostram médias ao longo do tempo, mas a temperatura varia de um dia para outro, com a possibilidade de picos muito mais altos do que a média.  Em 2003, uma onda de calor causada pelo fenômeno El Niño matou 32 mil pessoas na Europa.  O relatório do IPCC indica que, no cenário A2, ondas de calor dessa magnitude ocorrerão, em média, a cada dois anos até 2080.</div>
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<div>Os valores dos cenários do IPCC expressam a temperatura média não apenas ao longo do tempo, mas também em termos espaciais.  Além de os continentes estarem mais quentes do que a média global, alguns lugares nos continentes experimentarão aumentos bem maiores que outros.  É aí que o modelo do Centro Hadley cria um cenário catastrófico para a Amazônia, com temperaturas aproximadamente 40% mais altas que o resto do continente.</div>
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<div>El Niño permanente</div>
<div>O modelo do Centro Hadley exibe tais resultados porque insere o clima global em um contexto de “El Niño permanente”, coisa que outros modelos climáticos ainda não levam em conta.  Junto com temperaturas mais altas, o El Niño permanente causaria redução significativa da chuva e prolongamento da estação seca na Amazônia.  Na ausência de ações de mitigação do efeito estufa, tal cenário prevê a extinção da Floresta Amazônica até aproximadamente 2080.</div>
<div></div>
<div>Reduções significativas da precipitação e da vazão dos rios na Amazônia não são resultados restritos ao modelo do Centro Hadley – outros dois modelos também mostram reduções grandes.  No entanto, alguns deles indicam pouca mudança e um até aponta aumento.</div>
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<div>Diante desses outros modelos, por que acreditar no do Centro Hadley?  A gama de resultados diferentes leva à tentação de usar a média de todos eles.  Mais uma vez essa reação natural não é apropriada.  A abordagem no estilo Cachinhos Dourados não substitui o exame e a comparação de cada modelo com o que sabemos sobre</div>
<div>o clima real na Amazônia.</div>
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<div>A modelagem de clima avançou muito desde o último relatório do IPCC em 2001, mas variáveis importantes ainda existem entre as diferentes abordagens.  Um avanço é que hoje eles concordam que o aumento do efeito estufa criará as chamadas “condições tipo El Niño”.  Ou seja, o aquecimento da superfície da água no Oceano Pacífico, gatilho para eventos do El Niño.  A ocorrência de “condições tipo El Niño” difere de eventos do El Niño em si, relacionados com secas e inundações em diferentes locais ao redor do mundo.</div>
<div></div>
<div>Hoje se sabe que o El Niño causa secas na Amazônia, e essa conclusão não depende de modelos de clima.  Sempre que as águas superficiais do Pacífico esquentam, há secas e incêndios florestais na Amazônia, como ocorreu em 1982, 1997/1998 e 2003.  A relevância dos resultados de qualquer modelo para a Amazônia, portanto, depende da inclusão de uma representação realística desse efeito.  Se há modelos que indicam aquecimento da água no Pacífico sem maiores efeitos na Amazônia, isto não significa que a Amazônia esteja mais segura, mas que ainda falta incluir algo nos modelos.</div>
<div></div>
<div>Bastam 50%?</div>
<div>A interpretação dos resultados dos modelos de clima depende de outra consideração básica.  Para gerar temperaturas simuladas, os modelos usam a chamada “sensibilidade climática” – a média de aumento da temperatura da superfície global, acima de níveis pré-industriais, se a concentração de CO2 na atmosfera fosse o dobro da préindustrial.  Antes da Revolução Industrial havia 280 partes por milhão por volume (ppmv) de CO2 na atmosfera, e hoje já são 383 ppmv.  Estima-se que a concentração dobre em relação ao nível pré-industrial antes de 2070 caso não haja a mitigação das emissões.</div>
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<div>O valor mais provável para a sensibilidade climática, e que alimentou os cenários do IPCC, é um pouco abaixo de 3 graus.  “Mais provável” significa, porém, que há uma probabilidade de 50% de que o verdadeiro valor seja menor, assim como uma chance de 50% de que seja maior.  O valor para a “alta sensibilidade climática” – que significa que há 95% de certeza de incluir o valor verdadeiro – é de 6,2 graus, segundo uma revisão dos dados sobre a reação do clima às variações na concentração de CO2 ao longo da história geológica.</div>
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<div>Publicada na Nature em março de 2006, a revisão traz um valor substancialmente mais baixo do que estimativas anteriores, mas ainda devastador em suas implicações.</div>
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<div>O princípio de precaução ensina que se deve planejar com base em um cenário pessimista com alto grau de certeza a fim de não se ignorarem os impactos.  Por exemplo, se alguém que mora em um prédio de apartamentos perguntasse a um engenheiro se o edifício poderia ruir, como aconteceu com o Palace II em 1998, ficaria satisfeito com uma resposta de que é “provável” que o prédio permaneça em pé?  Isso pode significar que há uma chance de 51% de que o edifício se mantenha em pé e uma chance de 49% de que caia ao chão.  Certamente os moradores não se satisfariam com a segurança de apenas “mais de 50%”, mas só com algo acima de 99%.</div>
<div></div>
<div>Da mesma maneira, para os habitantes do planeta Terra, fazer planos a partir da hipótese de que a temperatura média global vai subir 4 graus ignora o fato essencial de que há uma chance de 50% de que o aumento seja maior, e possivelmente muito maior.</div>
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<div>Lenha na fogueira</div>
<div>Quando as temperaturas aumentam, as árvores precisam de mais água para sobreviver.  Se a estação seca se prolongar, muitas não terão capacidade para resistir ao estresse hídrico e morrerão, literalmente, de sede.  Isso é evidente nos dados do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), desenvolvido pelo Inpa e o Instituto Smithsonian próximo a Manaus, que possui mais de 80 mil árvores mapeadas, etiquetadas e monitoradas em um estudo que dura 27 anos.</div>
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<div>A taxa de mortalidade de árvores localizadas a até 300 metros da borda da floresta é muito mais alta do que a de árvores no interior da floresta.  Isso porque enfrentam um microclima alterado, semelhante ao que pode ser esperado para a floresta inteira sob as mudanças climáticas projetadas.</div>
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<div>As árvores grandes morrem primeiro, o que libera grande parte do estoque de carbono da floresta, contribuindo para um ciclo vicioso entre o aumento do efeito estufa e a mortalidade da floresta.  As árvores grandes também mantêm a estrutura física da floresta – quando morrem, são substituídas por espécies típicas de florestas secundárias.  Tais resultados foram confirmados pelo Seca Floresta, um estudo do Projeto em Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), que cobriu o chão em um hectare de floresta com painéis de plástico, simulando os efeitos de uma seca prolongada.</div>
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<div>Os estudos do PDBFF e do LBA testam o efeito de aumentar o estresse hídrico, causando a morte das árvores em pé.  Este também é o único efeito incluído no modelo do Centro Hadley, que indica uma mortalidade catastrófica da Floresta Amazônica até 2080.  Na realidade, os efeitos da mudança climática poderiam ser muito piores devido a um outro elemento: o fogo.  Incêndios florestais começam e se espalham com mais facilidade sob as condições quentes e secas que prevaleceriam com um clima alterado.</div>
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<div>O perigo aumenta graças à mortalidade de árvores, a incêndios anteriores e à exploração madeireira que avança em áreas de floresta previamente intactas.  A construção de estradas e a expansão de assentamentos e pastagens oferecem novas oportunidades para incêndios, como o grande incêndio de Roraima, ocorrido em 1997/1998 durante um evento do El Niño.  Um “El Niño permanente” aceleraria muito essa forma de destruição da floresta.</div>
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<div>O modelo do Centro Hadley não inclui o desmatamento direto.  Entretanto, esse processo continua substituindo floresta por pastagem, reduzindo a evapotranspiração e a chuva na época seca e, portanto, vai se somando aos impactos do efeito estufa.</div>
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<div>A possibilidade de a Floresta Amazônica extinguirse e ser substituída por savanas é real.  Esse cenário não é inevitável, mas depende de decisões humanas sobre as emissões de gases de efeito estufa.  O Brasil é um dos países que têm mais a perder com a mudança climática, e por isso deveria assumir a liderança, começando com a redução das emissões oriundas do desmatamento amazônico.</div>
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<div>A demora em cortar as emissões é uma abordagem perigosa, especialmente para a Amazônia, pois o aquecimento global perduraria por duas ou três décadas mesmo depois de cessadas as emissões antropogênicas.  O limiar no qual a inércia do sistema climático pode empurrar a floresta para além dos seus limites de tolerância está muito próximo.  Se esperarmos para saber precisamente onde está esse limiar, talvez seja tarde demais.  Fingir que a ameaça que o aquecimento global representa para a floresta não existe é uma fórmula para o desastre.</div>
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<div>Philip Fearnside é ecólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).</div>
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		<title>Adaptação ao clima exige mãos à obra</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2007 19:02:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>P22</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Antônio Rocha Magalhães 
O Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), lançado recentemente em Bruxelas, chamou atenção para o fato de que mudanças climáticas já estão ocorrendo e que elas são causadas por atividades humanas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por Antônio Rocha Magalhães<span style="white-space: pre;"> </span></div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), lançado recentemente em Bruxelas, chamou atenção para o fato de que mudanças climáticas já estão ocorrendo e que elas são causadas por atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis (mas também a destruição da cobertura florestal).  A lista de impactos previstos é impressionante.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na América Latina, a destruição de 43% das 69 espécies de árvores da Amazônia até o fim do século; o desaparecimento de 24% das 138 espécies de árvores do Cerrado; a redução de terras adequadas ao plantio de café; aumento na extinção de mamíferos, pássaros, borboletas, sapos e répteis até 2050; redução na disponibilidade de água e na geração de hidreletricidade em virtude do derretimento das geleiras dos Andes; severa degradação de terras, desertificação em áreas do Nordeste e em outros lugares; substituição de parte da floresta tropical por savanas na Amazônia Oriental; aumento da vulnerabilidade a eventos extremos, como secas, cheias, ciclones.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como enfrentar esses desafios?  Na prática, as respostas às mudanças climáticas têm se focado mais em políticas de mitigação, que são relacionadas à redução das causas antropogênicas que levam a essas mudanças.  Através da mitigação são tomadas medidas para reduzir as fontes de emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera.  Há ainda muito que precisa ser feito em mitigação até que a composição de gases de efeito estufa na atmosfera possa ser estabilizada.  O IPCC desenvolveu vários cenários de estabilização, que variam conforme o esforço de mitigação adotado pela sociedade, e que podem levar o aquecimento do planeta a valores que se situam entre 2 e 4 graus centígrados, até o fim do século, ou até mais que isso.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Não falamos apenas de mudanças futuras.  O aumento de emissões que se verificou até agora já compromete uma elevação de temperatura média do planeta da ordem de 0,6 grau.  O número médio esconde variações, por exemplo, entre mar e terra, entre latitudes altas e baixas, entre regiões.  Em alguns lugares, o aumento será bem maior, trazendo impactos significativos na variabilidade climática, com mais eventos extremos e elevação do nível do mar. Portanto, por mais que a política de mitigação seja bem-sucedida, um certo nível de mudanças climáticas já é inevitável.  Mitigação apenas não é suficiente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A política de adaptação diz respeito a como aumentar a capacidade de convivência com um clima diferente, através da redução de vulnerabilidades, do aumento de resiliência e do reforço de capacidade adaptativa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O IPCC define vulnerabilidade a mudanças climáticas como “o grau segundo o qual sistemas geofísicos, biológicos e socioeconômicos são suscetíveis a mudanças climáticas e incapazes de conviver com seus impactos adversos”.  Resiliência é a capacidade natural de um sistema de voltar ao normal depois de sofrer um dado distúrbio causado, por exemplo, por um evento climático.  Em casos extremos, um sistema natural pode não voltar ao seu estado natural.  Isso aconteceria, por exemplo, com a Amazônia, que poderá ter partes savanizadas, e com o Nordeste do Brasil, que se tornaria mais árido.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Exemplo de Nova Orleans</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O conceito de “capacidade adaptativa” diz respeito aos recursos disponíveis em uma dada sociedade, que lhe dão os meios para adaptar-se a eventos extremos.  Existem muitos países pobres que têm baixas capacidades adaptativas, em termos de recursos naturais, humanos e tecnológicos.  Esses países são naturalmente mais vulneráveis e sofrem maiores impactos.  Por outro lado, a existência de capacidade adaptativa não significa necessariamente que ela será utilizada.  Basta ver o exemplo recente do furacão Katrina, nos Estados Unidos, que causou enorme impacto sobre a cidade de Nova Orleans, apesar da alta capacidade adaptativa existente no país.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A adaptação é necessária não apenas por causa de mudança futura do clima, mas também por causa da variabilidade climática corrente.  Independentemente de mudanças, a variabilidade normal do clima causa eventos como secas e cheias que têm efeitos significativos, sobretudo sobre as populações mais pobres.  Os eventos climáticos que ocorrerão no futuro terão a mesma natureza dos atuais, entretanto com intensidades e efeitos mais graves.  Por isso, a experiência de adaptação a eventos correntes como secas e cheias é importante para o desenho de políticas de adaptação a mudanças climáticas globais previstas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No caso brasileiro, existe ampla experiência de adaptação, por exemplo, às secas do Nordeste brasileiro, ou às cheias em várias regiões.  O País possui um sistema de defesa civil que é acionado em casos de eventos como a seca na Amazônia, em 2005.  Há vários sistemas estaduais e locais que complementam o federal.  Esse sistema tem sido útil, embora não capaz de prevenir todos os problemas causados por eventos extremos.  Se, no futuro, secas e cheias se tornarão mais freqüentes e várias regiões se tornarão mais vulneráveis, fortalecer os sistemas atuais de enfrentamento de desastres naturais pode ser a primeira medida para melhorar a capacidade de adaptação do País às mudanças climáticas que estão por vir.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Um bom sistema de adaptação requer entendimento da cadeia que liga a variabilidade climática a impactos e a respostas adaptativas.  Por exemplo, uma alteração no clima pode causar excesso ou a insuficiência de precipitação.  Um excesso de chuvas pode levar a cheias, que geram deslizamentos de terras, perda de plantações e de criações e perdas humanas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Estratégias de sobrevivência</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O impacto será maior sobre áreas e populações mais vulneráveis ou sobre ecossistemas com menor resiliência.  Por sua vez, a falta de precipitação pode produzir secas, que causam perdas na disponibilidade de água e na agricultura.  As regiões e populações mais vulneráveis são mais afetadas.  Uma seca extrema no Semi-Árido do Nordeste brasileiro afetaria milhões de pessoas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Caracterizado um impacto, o próximo elo é a resposta de adaptação da sociedade.  As pessoas exercem suas estratégias de sobrevivência.  Primeiro, os agricultores desistem das plantações, e isso causa enorme desemprego dos trabalhadores rurais.  Em seguida, desistem das criações (que perecem ou são deslocadas para regiões mais úmidas, ou vendidas por preço baixo).  Freqüentemente, as pessoas migram, muitas vezes definitivamente.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Com as transformações na organização social do Nordeste, sobretudo a partir de meados do século XX, com as comunidades eclesiais de base, os sindicatos rurais e as organizações da sociedade civil (que aumentaram a “capacidade adaptativa” dos mais pobres), uma forma de reação mais freqüente tem sido a pressão sobre as autoridades públicas, por meio de invasões de armazéns ou saques no comércio.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A resposta do governo vem inicialmente através de programas emergenciais de criação de empregos, frentes de trabalho, distribuição de água e de alimentos.  O governo também tem respondido de forma não emergencial, procurando reduzir a vulnerabilidade através da diversificação da economia, levando a menor participação da agricultura de sequeiro (sem irrigação, dependente da chuva) na formação do PIB.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A agricultura, no passado, podia representar até 30% do PIB regional e hoje está em torno de 6%.  No entanto, 35% da força de trabalho continua dependente dessa atividade, o que denota a existência de um grupo social altamente vulnerável.  Uma seca continua sendo um grande problema no Nordeste, embora não represente mais o mesmo grau de desastre social que acontecia no passado, quando milhares de pessoas podiam morrer como conseqüência de um evento extremo.  O que poderá acontecer se as secas se tornarem mais freqüentes e os solos mais improdutivos, como dizem os cenários de mudanças climáticas?  É preciso fortalecer as políticas de adaptação, tanto em resposta a eventos extremos (ações de emergência), como na redução de vulnerabilidade e aumento de capacidade adaptativa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Além de preparar-se melhor para enfrentar a variabilidade climática atual, é necessário também começar a preparar-se para enfrentar eventos futuros.  O que acontecerá se o nível do mar se elevar em 60 centímetros até</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">o fim do século.  Esta é uma previsão conservadora.  Áreas costeiras baixas como as do Rio de Janeiro, de Recife e de Belém podem ser afetadas.  Algumas áreas agrícolas também.  Não temos planos para esses casos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em outros países, já existem exemplos de preparação para um possível aumento do nível do mar. Por exemplo, no Canadá, a construção da Confederation Bridge (Ponte da Confederação) teve sua altura acrescida em um metro para prevenir um possível futuro aumento do nível do mar. Novos projetos em áreas costeiras deveriam incluir a análise de impacto ambiental, social e econômico de uma possível elevação do nível do mar. O mesmo deveria ser feito em relação a outros possíveis impactos.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Convenção de Mudanças Climáticas requer que cada país desenvolva um Plano de Ação Nacional de Adaptação (Napa, na sigla em inglês).  Alguns países têm avançado nessa direção, mas a evidência sobre resultados até agora é escassa.  O Banco Mundial vem apoiando em vários países, como nos do Caribe, programas de Adaptação a Mudanças Climáticas, focando na redução de vulnerabilidades a eventos extremos atuais e futuros e no aumento de capacidade adaptativa.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">No Brasil, a adaptação a mudanças climáticas ainda é uma agenda vazia.  Muito pode ser aprendido da experiência de impactos de eventos climáticos correntes, como secas e cheias, em várias regiões.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Como lidar com um Semi-Árido ainda mais seco, com zonas de desertificação?  Ou com uma Amazônia mais savanizada?  Ou com maior escassez de água?  Ou com maior freqüência de eventos extremos, inclusive alguns que antes não ocorriam no País, como os ciclones?  Em suma, como promover o desenvolvimento sustentável nos diversos espaços do País, para que a sociedade se torne mais resistente a crises como as que são provocadas pelas mudanças do clima?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Em primeiro lugar, a questão das mudanças climáticas precisa deixar de ser uma preocupação de alguns poucos cientistas, ou apenas dos ministérios do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores.  Precisa ser incluída na política de desenvolvimento do País, como parte importante da agenda de todos os ministérios e de todos os níveis de governo, assim como do setor privado e das organizações da sociedade civil.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Os riscos advindos de eventos climáticos mais severos no futuro afetam toda a sociedade.  Como sempre, o custo de prevenir é menor do que o de remediar, mesmo porque, em muitos casos, os impactos podem ser tão sérios que não haverá remédio possível.</div>
<div>Por Antônio Rocha Magalhães<span style="white-space: pre;"> </span></div>
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<div>O Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), lançado recentemente em Bruxelas, chamou atenção para o fato de que mudanças climáticas já estão ocorrendo e que elas são causadas por atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis (mas também a destruição da cobertura florestal).  A lista de impactos previstos é impressionante.</div>
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<div>Na América Latina, a destruição de 43% das 69 espécies de árvores da Amazônia até o fim do século; o desaparecimento de 24% das 138 espécies de árvores do Cerrado; a redução de terras adequadas ao plantio de café; aumento na extinção de mamíferos, pássaros, borboletas, sapos e répteis até 2050; redução na disponibilidade de água e na geração de hidreletricidade em virtude do derretimento das geleiras dos Andes; severa degradação de terras, desertificação em áreas do Nordeste e em outros lugares; substituição de parte da floresta tropical por savanas na Amazônia Oriental; aumento da vulnerabilidade a eventos extremos, como secas, cheias, ciclones.</div>
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<div>Como enfrentar esses desafios?  Na prática, as respostas às mudanças climáticas têm se focado mais em políticas de mitigação, que são relacionadas à redução das causas antropogênicas que levam a essas mudanças.  Através da mitigação são tomadas medidas para reduzir as fontes de emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera.  Há ainda muito que precisa ser feito em mitigação até que a composição de gases de efeito estufa na atmosfera possa ser estabilizada.  O IPCC desenvolveu vários cenários de estabilização, que variam conforme o esforço de mitigação adotado pela sociedade, e que podem levar o aquecimento do planeta a valores que se situam entre 2 e 4 graus centígrados, até o fim do século, ou até mais que isso.</div>
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<div>Não falamos apenas de mudanças futuras.  O aumento de emissões que se verificou até agora já compromete uma elevação de temperatura média do planeta da ordem de 0,6 grau.  O número médio esconde variações, por exemplo, entre mar e terra, entre latitudes altas e baixas, entre regiões.  Em alguns lugares, o aumento será bem maior, trazendo impactos significativos na variabilidade climática, com mais eventos extremos e elevação do nível do mar. Portanto, por mais que a política de mitigação seja bem-sucedida, um certo nível de mudanças climáticas já é inevitável.  Mitigação apenas não é suficiente.</div>
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<div>A política de adaptação diz respeito a como aumentar a capacidade de convivência com um clima diferente, através da redução de vulnerabilidades, do aumento de resiliência e do reforço de capacidade adaptativa.</div>
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<div>O IPCC define vulnerabilidade a mudanças climáticas como “o grau segundo o qual sistemas geofísicos, biológicos e socioeconômicos são suscetíveis a mudanças climáticas e incapazes de conviver com seus impactos adversos”.  Resiliência é a capacidade natural de um sistema de voltar ao normal depois de sofrer um dado distúrbio causado, por exemplo, por um evento climático.  Em casos extremos, um sistema natural pode não voltar ao seu estado natural.  Isso aconteceria, por exemplo, com a Amazônia, que poderá ter partes savanizadas, e com o Nordeste do Brasil, que se tornaria mais árido.</div>
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<div>Exemplo de Nova Orleans</div>
<div>O conceito de “capacidade adaptativa” diz respeito aos recursos disponíveis em uma dada sociedade, que lhe dão os meios para adaptar-se a eventos extremos.  Existem muitos países pobres que têm baixas capacidades adaptativas, em termos de recursos naturais, humanos e tecnológicos.  Esses países são naturalmente mais vulneráveis e sofrem maiores impactos.  Por outro lado, a existência de capacidade adaptativa não significa necessariamente que ela será utilizada.  Basta ver o exemplo recente do furacão Katrina, nos Estados Unidos, que causou enorme impacto sobre a cidade de Nova Orleans, apesar da alta capacidade adaptativa existente no país.</div>
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<div>A adaptação é necessária não apenas por causa de mudança futura do clima, mas também por causa da variabilidade climática corrente.  Independentemente de mudanças, a variabilidade normal do clima causa eventos como secas e cheias que têm efeitos significativos, sobretudo sobre as populações mais pobres.  Os eventos climáticos que ocorrerão no futuro terão a mesma natureza dos atuais, entretanto com intensidades e efeitos mais graves.  Por isso, a experiência de adaptação a eventos correntes como secas e cheias é importante para o desenho de políticas de adaptação a mudanças climáticas globais previstas.</div>
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<div>No caso brasileiro, existe ampla experiência de adaptação, por exemplo, às secas do Nordeste brasileiro, ou às cheias em várias regiões.  O País possui um sistema de defesa civil que é acionado em casos de eventos como a seca na Amazônia, em 2005.  Há vários sistemas estaduais e locais que complementam o federal.  Esse sistema tem sido útil, embora não capaz de prevenir todos os problemas causados por eventos extremos.  Se, no futuro, secas e cheias se tornarão mais freqüentes e várias regiões se tornarão mais vulneráveis, fortalecer os sistemas atuais de enfrentamento de desastres naturais pode ser a primeira medida para melhorar a capacidade de adaptação do País às mudanças climáticas que estão por vir.</div>
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<div>Um bom sistema de adaptação requer entendimento da cadeia que liga a variabilidade climática a impactos e a respostas adaptativas.  Por exemplo, uma alteração no clima pode causar excesso ou a insuficiência de precipitação.  Um excesso de chuvas pode levar a cheias, que geram deslizamentos de terras, perda de plantações e de criações e perdas humanas.</div>
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<div>Estratégias de sobrevivência</div>
<div>O impacto será maior sobre áreas e populações mais vulneráveis ou sobre ecossistemas com menor resiliência.  Por sua vez, a falta de precipitação pode produzir secas, que causam perdas na disponibilidade de água e na agricultura.  As regiões e populações mais vulneráveis são mais afetadas.  Uma seca extrema no Semi-Árido do Nordeste brasileiro afetaria milhões de pessoas.</div>
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<div>Caracterizado um impacto, o próximo elo é a resposta de adaptação da sociedade.  As pessoas exercem suas estratégias de sobrevivência.  Primeiro, os agricultores desistem das plantações, e isso causa enorme desemprego dos trabalhadores rurais.  Em seguida, desistem das criações (que perecem ou são deslocadas para regiões mais úmidas, ou vendidas por preço baixo).  Freqüentemente, as pessoas migram, muitas vezes definitivamente.</div>
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<div>Com as transformações na organização social do Nordeste, sobretudo a partir de meados do século XX, com as comunidades eclesiais de base, os sindicatos rurais e as organizações da sociedade civil (que aumentaram a “capacidade adaptativa” dos mais pobres), uma forma de reação mais freqüente tem sido a pressão sobre as autoridades públicas, por meio de invasões de armazéns ou saques no comércio.</div>
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<div>A resposta do governo vem inicialmente através de programas emergenciais de criação de empregos, frentes de trabalho, distribuição de água e de alimentos.  O governo também tem respondido de forma não emergencial, procurando reduzir a vulnerabilidade através da diversificação da economia, levando a menor participação da agricultura de sequeiro (sem irrigação, dependente da chuva) na formação do PIB.</div>
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<div>A agricultura, no passado, podia representar até 30% do PIB regional e hoje está em torno de 6%.  No entanto, 35% da força de trabalho continua dependente dessa atividade, o que denota a existência de um grupo social altamente vulnerável.  Uma seca continua sendo um grande problema no Nordeste, embora não represente mais o mesmo grau de desastre social que acontecia no passado, quando milhares de pessoas podiam morrer como conseqüência de um evento extremo.  O que poderá acontecer se as secas se tornarem mais freqüentes e os solos mais improdutivos, como dizem os cenários de mudanças climáticas?  É preciso fortalecer as políticas de adaptação, tanto em resposta a eventos extremos (ações de emergência), como na redução de vulnerabilidade e aumento de capacidade adaptativa.</div>
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<div>Além de preparar-se melhor para enfrentar a variabilidade climática atual, é necessário também começar a preparar-se para enfrentar eventos futuros.  O que acontecerá se o nível do mar se elevar em 60 centímetros até</div>
<div>o fim do século.  Esta é uma previsão conservadora.  Áreas costeiras baixas como as do Rio de Janeiro, de Recife e de Belém podem ser afetadas.  Algumas áreas agrícolas também.  Não temos planos para esses casos.</div>
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<div>Em outros países, já existem exemplos de preparação para um possível aumento do nível do mar. Por exemplo, no Canadá, a construção da Confederation Bridge (Ponte da Confederação) teve sua altura acrescida em um metro para prevenir um possível futuro aumento do nível do mar. Novos projetos em áreas costeiras deveriam incluir a análise de impacto ambiental, social e econômico de uma possível elevação do nível do mar. O mesmo deveria ser feito em relação a outros possíveis impactos.</div>
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<div>A Convenção de Mudanças Climáticas requer que cada país desenvolva um Plano de Ação Nacional de Adaptação (Napa, na sigla em inglês).  Alguns países têm avançado nessa direção, mas a evidência sobre resultados até agora é escassa.  O Banco Mundial vem apoiando em vários países, como nos do Caribe, programas de Adaptação a Mudanças Climáticas, focando na redução de vulnerabilidades a eventos extremos atuais e futuros e no aumento de capacidade adaptativa.</div>
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<div>No Brasil, a adaptação a mudanças climáticas ainda é uma agenda vazia.  Muito pode ser aprendido da experiência de impactos de eventos climáticos correntes, como secas e cheias, em várias regiões.</div>
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<div>Como lidar com um Semi-Árido ainda mais seco, com zonas de desertificação?  Ou com uma Amazônia mais savanizada?  Ou com maior escassez de água?  Ou com maior freqüência de eventos extremos, inclusive alguns que antes não ocorriam no País, como os ciclones?  Em suma, como promover o desenvolvimento sustentável nos diversos espaços do País, para que a sociedade se torne mais resistente a crises como as que são provocadas pelas mudanças do clima?</div>
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<div>Em primeiro lugar, a questão das mudanças climáticas precisa deixar de ser uma preocupação de alguns poucos cientistas, ou apenas dos ministérios do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia e das Relações Exteriores.  Precisa ser incluída na política de desenvolvimento do País, como parte importante da agenda de todos os ministérios e de todos os níveis de governo, assim como do setor privado e das organizações da sociedade civil.</div>
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<div>Os riscos advindos de eventos climáticos mais severos no futuro afetam toda a sociedade.  Como sempre, o custo de prevenir é menor do que o de remediar, mesmo porque, em muitos casos, os impactos podem ser tão sérios que não haverá remédio possível.</div>
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