Desinvestimento em fósseis tem apoio de cidades, universidades e instituições religiosas

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Foto: Bruno Bernardi

Foi realizada entre sexta (13) e sábado (14) a campanha do Dia Global de Desinvestimento, que prega a retirada de investimentos em combustíveis fósseis. O objetivo foi pressionar as instituições para que retirem seus investimentos das 200 maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo, principais responsáveis pela crise climática. A campanha foi idealizada pela ONG 350.org e lançada em 2012, nos Estados Unidos.

Este ano, os eventos ocorreram em vários lugares do mundo. Estudantes dos Estados Unidos e do Reino Unido fizeram protestos passivos e flash mobs em seus respectivos campi. Ativistas do Japão, Nepal, França e Ucrânia pediram às novas instituições que retirassem seus investimentos. Em Sydney, Londres e Nova York, militantes se reuniram para conscientizar as pessoas sobre a ameaça da bolha de carbono. Na Califórnia, ativistas lançaram uma grande campanha contra os fundos de pensão do estado. Na Austrália, as pessoas foram incentivadas a retirar seu dinheiro de bancos que financiam a mineração de carvão no país. Mas, infelizmente, a campanha ainda não chegou ao Brasil.

“É muito complicado ainda fazer uma campanha dessas no Brasil. Primeiro porque há poucos investidores particulares colocando dinheiro graúdo em ações de empresas de combustível fóssil. Os maiores investidores são os fundos de pensão, então seria necessário um trabalho específico com eles. Depois, falar da Petrobras por exemplo, é quase um tabu. Nós procuramos parceiros aqui, principalmente para alertar sobre os riscos do pré-sal. Mas não encontramos ninguém”, revela Nicole Oliveira, líder da 350.org para a América Latina.

Desde o início da campanha, mais de vinte faculdades e universidades, dezenas de instituições religiosas e várias cidades assumiram um compromisso com o desinvestimento, entre elas grandes municípios como São Francisco, Portland e Seattle. Mas o movimento quer mais.

“Estamos pressionando o Vaticano a desinvestir. Diversas instituições religiosas já aderiram”, afirma Nicole.

Entre elas, contam-se diversas dioceses anglicanas na Nova Zelândia, a igreja evangélica anglicana do Óregon, a Igreja Presbiteriana de Palo Alto e mais algumas dezenas de instituições. Juntas, todas essas instituições e cidades acumulam ativos de US$ 50 bilhões. Segundo a 350.org, nos últimos 6 meses, mais de 30 instituições retiraram seus investimentos de empresas de combustíveis fósseis.

De acordo com os militantes responsáveis pela campanha do desinvestimento, nos últimos três meses a queda no preço do petróleo reforçou seu apelo, pois cada vez mais os investidores expressam sua preocupação em relação à viabilidade financeira do setor de combustíveis fósseis em logo prazo e se opõem a novos gastos de capital destinados à descoberta de novas reservas de carvão, petróleo e gás.

“A baixa no preço do barril do petróleo não é um motivo decisivo para que essas instituições desinvistam, mas com certeza á uma variável que vem ajudando a causa”, confirma Nicole.

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