Resgatadas do esquecimento a que estão fadadas, as gambiarras flagradas pelo artista plástico Cao Guimarães não são apenas a solução oferecida ante a escassez de recursos nem a negativa às soluções industriais, pré-fabricadas, massificadas, conformadas. Uso e criação se confundem. Nas fotografias, Cao trata do desejo de repaginar o cotidiano não como utopia, mas como a produção do atestado de que esta intervenção acontece, na prática, todos os dias, no planeta todo. Por meio de seus objetos, retrata subliminarmente rostos e mãos das pessoas, a sua identidade única e transformadora.













por Julio Alexandre # em 24.09.2009 às 12:34 pm |
Amigos, antes de torcerem o nariz, quero lembrar que o homem hoje em dia vê a Terra do espaço graças a uma arvore genealógica de gambiarras. O 14 Bis está numa parte importante das ramificações. Um homem casado com uma mulher desastrada que volta e meia se feria com topadas, cortes, arranhões, inventou o que chamamos hoje de band aid. A gambiarra é o esboço da criação. A gambiarra é o conteúdo que preenche a ausência. É a manifestação da máquina humana desenvolvendo. O algo que falta, é o princípio, a gambiarra é o meio e o design é o fim. Claro, a gambiarra é o australopitecos da solução. Em algum momento pode aparecer algum designer ou alguém simplesmente mais cuidadoso e solucionar com ajustes finos, o que já estava resolvido. Antes da gambiarra havia o nada. Se você se embriagar nesse papo pode até achar numa cadeia evolutiva, os macacos foram uma gambiarra de Deus, sei lá. A gambiarra, vem antes da maturidade da forma final, aquela que estará resolvida, sem se ter mais o que mexer. Se você quer saber onde vai, é preciso saber de onde veio. E a gambiarra, meus amigos. É só o ponto de partida.