Transgênicos no seguro

As empresas do segmento dos transgênicos terão agora de proteger suas operações com uma espécie de seguro para compensar eventuais impactos de seus produtos sobre o meio ambiente e a saúde humana.  O acordo foi fechado às vésperas do início da COP 10.

Detalhes como o formato dos serviços e as regras de aplicação ainda não foram definidos, e serão estudados por governos e empresas.  Depois de formuladas, as propostas precisarão ser aprovadas pelos congressos nacionais dos países signatários.  No geral, o mecanismo funcionaria como qualquer outra forma de seguro: comprovado algum malefício causado por transgênicos, as seguradoras pagariam às vítimas – ou aos governos, se os danos fossem ambientais – as indenizações equivalentes aos prejuízos.

Para Marijane Lisboa, professora da PUC-SP e especialista em meio ambiente e relações internacionais, um dos principais desafios das seguradoras será estimar os riscos da transgenia, numa tentativa de calcular eventuais danos à biodiversidade e consequências na saúde das populações.  Segundo a professora, a dinâmica do mercado obrigará os produtores e comerciantes a respeitarem os padrões de segurança.  Sem isso, ficarão fora da concorrência internacional.

O governo não é obrigado a seguir os termos, mas poderá enfrentar sérios problemas diplomáticos caso não o faça.  “O Brasil não está interessado em uma posição de isolamento nem de desmoralização internacional, principalmente porque tem objetivos claros na ONU”, afirma Marijane.

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