Fazendas verticais plantam onde se come

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Projetos de fazendas verticais concebidos por Chris Jacobs e Gordon Graff, via Wikipedia

Durante décadas, o conceito de fazenda vertical – torre urbana que empilha estufas e, em alguns casos, também criadouros de peixes e aves – ficou limitado à prancheta de arquitetos de vanguarda. Agora ele começa a sair do papel.

Um dos primeiros projetos implantados é o do jardim vertical hidropônico do zoológico de Paignton, na Inglaterra. De escala relativamente modesta, ele é composto de dezenas de bandejas móveis e sobrepostas com cerca de 11 mil plantas, como alface e espinafre, destinados a alimentar os animais. As bandejas são movimentadas conforme a necessidade de exposição das mudas. O sistema  ocupa menos de 100 metros quadrados – uma produção convencional demandaria uma superfície 20 vezes maior. Este ótimo vídeo, infelizmente sem legendas em português, mostra como ele funciona.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=EURY89IHOoY[/youtube]

O modelo usado no zoológico pode ser extrapolado e ganhar dimensões com potencial revolucionário, segundo Dickson Despommier, professor de Saúde Ambiental da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e um dos principais proponentes das fazendas verticais. Para Despommiers, a construção de arranha-céus espiralados de até 30 andares e que ocupassem todo um quarteirão, eliminaria a necessidade de transporte dos alimentos das zonas rurais para as cidades que concentram a maior parte da população mundial. As fazendas verticais também reduziriam a demanda por solos cultiváveis e a pressão sobre os ecossistemas naturais. Por fim, a produção hidropônico evitaria o desperdício de água e nutrientes, graças ao seu sistema de irrigação em circuito fechado.

A Plantagon, uma empresa sueca com participação de índios Onondaga, dos Estados Unidos, e especializada no desenvolvimento de estruturas para fazendas verticais, acaba de anunciar o lançamento de uma fazenda vertical que parece alcançar as dimensões sugeridas por Despommier. Ela deverá ser inaugurada em 16 meses em Linköping, na Suécia. A empresa não deu maiores detalhes sobre o projeto, mas a imagem de divulgação, abaixo, é impressionante.

 

 

 

 

 

 

Foto de divulgação do projeto da Plantagon

 

 

 

 

 

Esse conceito não está imune a críticas. As fazendas verticais demandam muita energia, usada na iluminação, na movimentação das plantas, no bombeamento de água e nutrientes e na manutenção de uma temperatura ótima e isso poderia superar qualquer outro benefício ambiental. Isso sem falar nos custos financeiros e ambientais da construção de uma unidade dessas em terrenos mais valorizados que os das áreas rurais.

Qual a sua opinião a respeito? Fazendas verticais fazem algum sentido?

3 comentários em “Fazendas verticais plantam onde se come

  • 22 de fevereiro de 2012 a 13:46
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    Em que as fazendas verticais contribuem para a percepção da sociedade urbana de sua dependência dos serviços ambientais internos? O conceito de fazenda urbana soa muito mais estimulante quando retoma a discussão sobre a fertilidade do solo e a qualidade das águas urbanas. Para países lanternas do desenvolvimento e, quem sabe, em busca de outro modelo, muito mais vale garantir as condições ecológicas que viabilizam pequenas hortas de quintal (nos centros e nas periferias) que arranha-céus de alta eficiência para um mercado de massa e controlados por sabe lá que grupo.

  • 25 de fevereiro de 2012 a 20:34
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    Aspecto importante que não foi citado é a economia com toda a logística de trasnporte necessária para trazer alimentos de cada vez mais longe para as grandes cidades, isso sem falar numa possível diminuição da perda de alimentos.
    Penso que as fazendas podem ser adaptadas para diversos formatos, como aproveitar a cobertura de prédios comerciais ou prédios abandonados.
    Além disso, pode-se associar tais fazendas com outras tecnologias, como a energia solar, reduzindo assim seu custo.
    Não vamos esquecer que nós ainda veremos o mundo com 9 bilhões de pessoas.

  • 27 de fevereiro de 2012 a 17:05
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    Pablo, Alexandre,
    De fato, uma coisa é criar hortas nos quintais, altos de edifícios que já existem e espaços públicos, outra bem diferente é criar toda uma estrutura gigantesca e dispendiosa, ignorando opções mais baratas e rápidas de implantar.
    Moro numa cidade onde as hortas comunitárias ou domésticas são absolutamente onipresente. Este modelo te dá uma autonomia, uma auto-suficiência e, paradoxalmente, também um sentimento comunitário, que uma mega-torre milionária nunca dará – por mais interessante que este modelo seja.

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