Competições aceleram inovação sustentável

Crianças da família McGilp competindo, na Escócia. Foto de easylocum/Flickr
Crianças da família McGilp competindo, na Escócia. Foto de easylocum/Flickr

Diversas empresas e fundações americanas estão criando concursos para acelerar o desenvolvimento de soluções pró-sustentabilidade. Alguns deles botam laboratórios ou profissionais de diversos países para competir; outros são abertos a qualquer cidadão que tenha boas idéias. Há duas semanas mencionei aqui uma dessas iniciativas, a Reinvent the Toilet Challenge, da Bill and Melinda Gates Foundation, que visa repensar o vaso sanitário. Poderia citar muitas outras. Uma das mais interessantes é o US$ 300 House Open Design Challenge, lançado por um blog ligado à Harvard Business Review. Ele ofereceu US$ 25 mil para quem projetasse casas populares que custassem menos de US$ 300 e que cumprissem com uma série de requisitos (resistissem à chuva e aos terremotos, usasse materiais de baixo impacto, incluísse painéis solares e filtros d’água de baixo custo). Foram enviados 300 projetos e a vencedora foi Patti Stouter, uma voluntária americana que trabalha na construção de casas populares no Haiti e na África. Ela propôs o uso de sacos de entulho, similares aos usados em barragens improvisadas contra inundações, nas fundações, e paredes feitas com rolos de fibras locais, como palha ou restos de bambu, embebidas em argila.

Outro exemplo: o The Betacup Challenge, lançado em 2010, que buscava soluções que reduzissem o número de copos não-recicláveis descartados. Ele foi partrocinado pela rede de cafés Starbucks, que doou US$ 20 mil aos autores das melhores idéias. Dentre os 430 candidatos, venceu um grupo de Boston que sugeriu a adoção de um mecanismo de pressão psicológica: um quadro negro no ponto de consumo onde o cliente desenharia uma barra com cada vez que trouxesse sua caneca de casa (o que não é tão raro nos EUA). Quem marcasse a décima barra ganharia um café de graça. Embora não seja uma idéia revolucionária, tem lá seu charme – mas até hoje não foi adotada pelas lojas da Starbucks.

Algumas entidades estão, inclusive, se especializando nesse tipo de competição. É o caso da X Prize Foundation, criada em 1995, que convence filântropos a doar prêmios que viabilizem competições nas áreas de educação, exploração espacial, meio ambiente e energia, desenvolvimento global e biotecnologia. Dentre os concursos já encerrados estão o Ansari X Prize, que ofereceu US$ 10 milhões para quem propusesse um projeto privado viável de viagens espaciais; o Progressive Insurance Automotive X Prize, que premiou com o mesmo valor a criação de um veículo capaz de rolar a 100 milhas por equivalente de galão de gasolina (ou 42,5 km por litro); ou ainda o Wendy Schmidt Oil Cleanup X Challenge, concebido logo após o acidente com a plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, que prometeu US$ 1,4 milhão a quem desenvolvesse um método altamente eficiente de remoção de óleo da superfície oceânica. No momento, a X Prize Foundation está promovendo três concursos: o Google Lunar X Prize (US$ 30 milhões para o grupo privado que conseguir mandar um robô para a Lua), o Archon Genomics X Prize (US$ 10 milhões para o primeiro grupo que conseguir mapear com precisão os genótipos de 100 pessoas centenárias que tenham boa saúde) e o Qualcomm Tricorder X Prize (US$ 10 milhões para quem desenvolver um aparelho do tamanho de um celular capaz de fazer diagnósticos e monitorar a saúde do portador).

Qual a sua opinião sobre esse tipo de competição? Alguém estaria interessado em promovê-las no Brasil? Que tal um concurso que ajudasse a acelerar a recomposição florestal com espécies nativas? Ou que barateasse a produção de embalagens biodegradáveis?

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