“Mané Garrincha” na frente do gol

Foto de Rodrigo Gomes via Flickr
Foto de Rodrigo Gomes via Flickr

Em 22 de Setembro, o Estádio Nacional de Brasília contabilizou a conclusão de 72% das obras de sua reconstrução, garantindo que a arena será palco da abertura da Copa das Confederações de 2013 e de sete partidas da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Pouco antes, o governador Agnelo Queiroz foi convidado a apresentar, em novembro, o projeto no encontro anual do Green Building Council dos Estados Unidos. A presença do político brasileiro entre os certificadores corrobora o objetivo dos responsáveis pela arquitetura ecológica da obra: fazer do estádio o primeiro do mundo a receber a certificação Platinum da Leadership in Energy and Environmental Design (Leed).

O projeto, de autoria do arquiteto Vicente Castro Mello e do economista Ian McKee, responsável pelo design e construção sustentável, começou em 2007, quando io primeiro, sócio diretor da Castro Mello Arquitetura Esportiva, visitou os estádios brasileiros e publicou um estudo desanimador sobre a situação dos equipamentos de futebol para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Nessa época, Mello e McKee lançaram o Projeto Copa Verde, com o objetivo de mobilizar os brasileiros a fazer dos 12 novos estádios um modelo para o mundo. Hoje, para alcançarem a certificação máxima, eles não cuidam apenas do estádio, mas também dos serviços oferecidos a residentes, torcedores e visitantes durante e depois da Copa.

O projeto do Mané Garrincha conta com 100% de eficiência energética: 9.600 mil placas fotovoltaicas na cobertura poderão gerar até 3,54 kWh/ano (equivalente ao consumo de 1.500 casas/dia), e o excedente poderá ser revertido para a rede pública do Distrito Federal. O arquiteto Guilherme Castagna, da empresa Fluxus Design Ecológico, está integrando os projetos de paisagismo, drenagem e aproveitamento da chuva com cisternas dentro e fora do estádio, para que a água de reúso atenda de 80% a 100% do consumo ao longo do ano.

Reconstruído com concreto e aço do antigo estádio, o local terá 2,5 milhões de metros quadrados de espaços verdes, incluindo wetlands (jardins purificadores de águas e esgotos), fauna nativa e estacionamento para bicicletas. A fachada aberta da arena trará conforto térmico pela ventilação natural e a cobertura funcionará como um grande chapéu para poteger a torcida do sol e da chuva.

Apesar de a Alemanha (2006) e a África do Sul (2010) terem introduzido a eficiência hídrica nas cidades-sede no mundial de futebol, Sidney ter sido palco dos primeiros jogos olímpicos ecológicos (2000), e Londres (2012) ter se autodenominado a primeira Olimpíada verde ao revitalizar a área industrial que sediou o evento, os idealizadores da Copa Verde acreditam que o Brasil poderá sair de 2014 com 12 cidades impactadas positivamente pela integração dos novos equipamentos esportivos ecológicos.

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