Marchando contra a Monsanto

Quem buscou notícias na internet sobre a Monsanto nos últimos dias provavelmente encontrou centenas dando conta não dos negócios da gigante do “agro-tech-business”, mas de um evento previsto para acontecer amanhã, sábado, em dezenas de cidades ao redor do globo.

A Marcha Contra a Monsanto, assim como o Occupy Wall Street há quase dois anos, ainda não atraiu a atenção dos veículos nacionais de mídia, mas não falta informação em publicações locais e na mídia alternativa, sem falar nas redes sociais.

A Monsanto parece catalisar as ansiedades de uma miríade de grupos – de ambientalistas, ativistas sociais e grupos anticapitalistas a cidadãos preocupados com a qualidade dos alimentos.

Tami Monroe Canal, principal organizadora da marcha e criadora da página de Facebook que galvaniza ativistas ao redor do mundo, explica que sua motivação são suas duas filhas: “Sinto que a Monsanto ameaça a saúde, a fertilidade e a longevidade da geração delas. Eu não podia ficar sentada olhando, esperando que alguém fizesse algo”.

Mas no website que Tami e outros organizadores mantém, fica claro que o protesto vai além. “A Marcha contra a Monsanto é o exemplo perfeito de um movimento de massa que dissemina informação para milhares de pessoas, acordando as massas para as injustiças do mundo”, diz o site.

Ao contrário do Ocuppy Wall Street, que não apresentou uma demanda única, simples e direta, e por isso foi criticado, dessa vez os organizadores não só têm alvo definido, mas também uma mensagem clara: “tome seu planeta de volta”.

A Monsanto não é a única vilã contra a qual os organizadores querem “acordar as massas”, mas a empresa com certeza acumula vários pontos negativos não só entre ambientalistas e ativistas, mas a população em geral.

Além da longa disputa sobre patentes e royalties sobre sementes geneticamente modificadas, a Monsanto é vista por cientistas, consumidores e apicultores como uma das potenciais responsáveis pela mortandade de abelhas ao redor do mundo. A empresa usa inseticidas neonicotinoides – fabricados pela Bayer e pela Syngenta e apontados como um dos fatores causadores do Distúrbio do Colapso das Colônias de abelhas – para cobrir algumas das linhas de sementes que comercializa.

Há ainda avaliações de que o principal produto da empresa, o herbicida Round-up, possa ter impactos danosos para o microbioma humano – o produto contém glifosato, que segundo pesquisa recente, teria potencial para matar várias bactérias benéficas que habitam o estômago humano.

Recentemente, a Monsanto causou revolta ao conseguir aprovar um dispositivo em lei orçamentária americana que impede que tribunais federais proíbam a venda ou plantação de sementes geneticamente modificadas, mesmo que se prove que elas causam problemas de saúde pública ou ambiental.

O dispositivo, elaborado por um senador em conjunto com lobistas da empresa, foi incluído no projeto de lei sem alarde e acabou sancionado pelo presidente Barack Obama em março passado.

Embora a lei tenha data de validade, a facilidade com que lobistas corporativos operam no Congresso americano e o fato de que a Monsanto e outras empresas do setor conseguiram se colocar acima da lei tiveram grande repercussão nos EUA.

Por várias razões, a Monsanto parece representar o lado mau das corporações que todo ativista tenta combater. O barulho que a Marcha Contra a Monsanto conseguir fazer nesse sábado – quiçá atraindo a atenção da mídia mainstream – dará uma medida de quanto o cidadão comum está disposto a agir para mudar o status quo em que corporações têm cada vez mais poder econômico e político.

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