Internet poderá contribuir com US$ 300 bilhões para a economia africana

(Imagem: Flickr/ World Bank Gallery)
(Imagem: Flickr/ World Bank Gallery)

Enquanto o Dia Nacional da Consciência Negra serviu para provocar um balanço das conquistas e dificuldades enfrentadas no Brasil, do outro lado do Atlântico a mãe África foi alvo de um estudo que mostra uma transformação não menos eloquente: o impacto da internet e da telecomunicação móvel para a criação de oportunidades no continente.

A consultoria McKinsey – que abriu seu primeiro escritório na África em 1995, depois que Nelson Mandela assumiu o poder na África do Sul – soltou um relatório no qual mapeia a atual participação da internet na economia da região e projeta um cenário de forte mudança: se hoje apenas 16% da população africana está on-line, o potencial para 2025 é de aproxidamente 50%, chegando a 600 milhões de usuários da web e 360 milhões de smartphones. A contribuição da internet para o Produto Interno Bruto deve dar um salto incrível de US$ 18 bilhões para US$ 300 bilhões.

Não se trata apenas de um ganho numérico de usuários e aparelhos. O avanço tecnológico da comunicação tem aumentado o poder de impacto que a internet exerce sobre os mais diversos setores da sociedade, driblando cada vez mais as limitações inerentes a economias emergentes e pobres, como a simples falta estrutural de linhas fixas.

E por que a internet faz tanta diferença? Os pesquisadores dizem que ela serve como um catalisador da economia, com ganhos de eficiência em grandes a micro empresas e na administração pública. Em países como Brasil, Índia e China, a web contribuiu com mais de 10% da variação do PIB nos útimos cinco anos e, quanto mais madura é a internet em um país, maior se torna seu impacto.

Mas o ganho não se limita ao mero crescimento do PIB. Leva também ao desenvolvimento social e democrático: o uso da internet pode fortalecer o tecido social conectando parentes, amigos e clientes, dá mais voz às pessoas, permite o acesso público a informação e serviços, promove a troca de ideias e o trabalho colaborativo, estimula a cobrança por maior transparência de dados públicos e privados (ajudando a combater a corrupção e a fraude), facilita o empreendedorismo e até contribui para o controle de preços. Preços on-line, dizem os pesquisadores, são em média 10% mais baixos que preços offline.

O estudo identificou seis áreas sob maior impacto exercido pela web: educação, saúde,  agricultura, comércio, serviços financeiros e governo.

A consultoria chama de iGDP a contribuição da internet para o PIB. Hoje, em países desenvolvidos, o índice é de 3,7% do PIB; nos emergentes, 1,9% (no Brasil, é de 1,5%), enquanto na África, é de apenas 1,1%. No Senegal, entretanto, o iGDP já chega a 3,3%, pouco abaixo dos 3,8% dos Estados Unidos.

A previsão para 2025 é que o iGDP africano no mínimo chegue a 5% ou 6%, equiparando-se a Suécia, Reino Unido e Taiwan. Mas os pesquisadores contam que pode chegar a 10%, atingindo os US$ 300 bilhões,  caso o impacto da internet seja da mesma magnitude alcançada pela telefonia móvel no continente, o que não deve ser improvável.

No continente historicamente assolado por fome, guerras, doenças, corrupção, ingerência externa e programas de ajuda humanitária que podem aliviar mas pouco resolvem os problemas estruturais, surge uma luz. Investir nesse avanço digital parece ser uma valiosa ferramenta para a África encontrar por si só suas soluções.

*Post originalmente publicado no site Terra Magazine

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