Chega de anonimato

Décadas atrás, a colheita de grãos, frutas ou hortaliças era regida por estações e o consumidor não achava estranho conviver com a sazonalidade no seu prato. Mas, com os avanços da agricultura e o crescimento das cidades, os alimentos “de época” foram substituídos por ininterruptas produções e pela padronização em torno de poucas espécies, fazendo com que abríssemos mão da variedade. Enquanto o verão é a época de cultivos tropicais, hoje desconhecidos, como taioba, vinagreira, bertalha, brotos de abóbora e batata-doce, nosso prato de salada limita-se, geralmente, a alface e tomate.

No entanto, a busca por alimentos que vivem na marginalidade tornou-se centro das atenções em projetos que abrangem instituições de pesquisas, como a Embrapa Hortaliças, em Brasília, e de muitos profissionais que pretendem tirá-los do anonimato e reescrever a história alimentar do País. “Não é um capricho resgatar esses materiais, pois eles compõem um sistema agroalimentar”, comenta a nutricionista Neide Rigo, que tem um reconhecido trabalho na área (mais em “A colheita especial de Neide Rigo) e é autora da maioria das fotos deste ensaio.

Confira esta seleção, elaborada por PÁGINA22, de produtos classificados como “fora de moda” .

CEREJEIRA-DO-RIO-GRANDE (Eugenia involucrata) Embora nativa da Região Sul, essa cerejeira adapta-se bem a outros climas. Pertencente à família da pitanga e da uvaia, lembra a acerola. Mas leva uma vantagem sobre essa fruta ao apresentar equilíbrio na medida entre o doce e o ácido.
CEREJEIRA-DO-RIO-GRANDE (Eugenia involucrata) Embora nativa da Região Sul, essa cerejeira adapta-se bem a outros climas. Pertencente à família da pitanga e da uvaia, lembra a acerola. Mas leva uma vantagem sobre essa fruta ao apresentar equilíbrio na medida entre o doce e o ácido.
CARÁ-MOELA (Dioscorea bulbifera) A raiz, que recebeu esse nome por ser parecida com uma moela, nasce em qualquer pedaço de terra, desde que lhe deem uma cerca para subir. Com gosto ligeiramente amargo, o cará-moela teve seus dias de glória, antes de ser desbancado pelas batatas.
CARÁ-MOELA (Dioscorea bulbifera) A raiz, que recebeu esse nome por ser parecida com uma moela, nasce em qualquer pedaço de terra, desde que lhe deem uma cerca para subir. Com gosto ligeiramente amargo, o cará-moela teve seus dias de glória, antes de ser desbancado pelas batatas.
AMARANTO (Amaranthus cruentus) Os grãos do amaranto são tradicionais nos Andes e seus benefícios para a saúde foram recém-descobertos no Brasil. Porém, as folhas dessa planta já eram utilizadas aqui no passado. O amaranto compõe o acervo das plantas não convencionais da Embrapa.
AMARANTO (Amaranthus cruentus) Os grãos do amaranto são tradicionais nos Andes e seus benefícios para a saúde foram recém-descobertos no Brasil. Porém, as folhas dessa planta já eram utilizadas aqui no passado. O amaranto compõe o acervo das plantas não convencionais da Embrapa.
FEIJÃO-FAVA (Phaseolus lunatus) O grão roxinho, como na foto, ou rajado, é importante fonte de alimento no Semiárido do País. A Paraíba é a maior produtora do grão, que não emplacou em outras regiões, em razão do sabor mais amargo e cocção mais lenta em relação aos feijões tradicionais.
FEIJÃO-FAVA (Phaseolus lunatus) O grão roxinho, como na foto, ou rajado, é importante fonte de alimento no Semiárido do País. A Paraíba é a maior produtora do grão, que não emplacou em outras regiões, em razão do sabor mais amargo e cocção mais lenta em relação aos feijões tradicionais.
ORELHA-DE-PADRE (Lablab purpureus) Planta de origem africana que não se importa com luxos: vai bem em solos ricos ou pobres, é inteira comestível (das vagens às favas) e, na Bahia, seu nome é feijão-mangalô. Há quem a considere mais saborosa que as ervilhas-tortas, disponíveis no mercado.
ORELHA-DE-PADRE (Lablab purpureus) Planta de origem africana que não se importa com luxos: vai bem em solos ricos ou pobres, é inteira comestível (das vagens às favas) e, na Bahia, seu nome é feijão-mangalô. Há quem a considere mais saborosa que as ervilhas-tortas, disponíveis no mercado.
MARUPAZINHO (Eleutherine bulbosa) Lembra uma cebola roxa, mas seu sabor remete à cebolinha verde, sem a picância. É utilizada como ingrediente culinário nas cozinhas do Vale do Ribeira, porém seu uso mais difundido é como planta medicinal para problemas gástricos, entre outras funções.
MARUPAZINHO (Eleutherine bulbosa) Lembra uma cebola roxa, mas seu sabor remete à cebolinha verde, sem a picância. É utilizada como ingrediente culinário nas cozinhas do Vale do Ribeira, porém seu uso mais difundido é como planta medicinal para problemas gástricos, entre outras funções.
AMENDOEIRA-DA-PRAIA (Terminalia catappa) O fruto da árvore sete-copas é consumido por homens e bichos, como as maritacas e os morcegos. Porém, no interior dele, há uma amêndoa ignorada pelos brasileiros, mas que não passa despercebida da culinária asiática ao ser utilizada como petisco.
AMENDOEIRA-DA-PRAIA (Terminalia catappa) O fruto da árvore sete-copas é consumido por homens e bichos, como as maritacas e os morcegos. Porém, no interior dele, há uma amêndoa ignorada pelos brasileiros, mas que não passa despercebida da culinária asiática ao ser utilizada como petisco.
ARARUTA (Maranta arundinacea) Muito utilizada no passado, a farinha obtida desse rizoma era ingrediente certo em bolos e biscoitos. Com o cultivo deixado de lado, a escassez do produto, que não contém glúten, levou a uma série de falsificações, ao ser misturado ao amido de mandioca.
ARARUTA (Maranta arundinacea) Muito utilizada no passado, a farinha obtida desse rizoma era ingrediente certo em bolos e biscoitos. Com o cultivo deixado de lado, a escassez do produto, que não contém glúten, levou a uma série de falsificações, ao ser misturado ao amido de mandioca.
MANGARITO (Xanthosoma mafaffa) Pertencente à família do inhame, a planta era alimento dos índios antes da chegada dos portugueses. Suas “batatinhas” miúdas são consideradas as trufas brasileiras, e elas só não desapareceram por completo porque foram redescobertas por chefs de cozinha.
MANGARITO (Xanthosoma mafaffa) Pertencente à família do inhame, a planta era alimento dos índios antes da chegada dos portugueses. Suas “batatinhas” miúdas são consideradas as trufas brasileiras, e elas só não desapareceram por completo porque foram redescobertas por chefs de cozinha.

 

 

 

 

 

 

 

 

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