Experiências britânicas inspiram trabalho da plataforma AdaptaClima

A um ano de ser lançada, Plataforma Brasileira sobre Adaptação à Mudança do Clima aprende com experiências do Reino Unido 

A AdaptaClima é a plataforma de conhecimento sobre adaptação à mudança do clima prevista em uma das metas do Plano Nacional de Adaptação com o objetivo de disponibilizar e sistematizar conhecimento sobre o tema e conectar os atores envolvidos na agenda no Brasil.  A Plataforma está sendo desenvolvida em uma parceria entre Brasil e Reino Unido, duas organizações de cada país compõem o Comitê Gestor [i] do Projeto. Parte-se da ideia de que a troca de experiências é essencial para construir um projeto que parta dos aprendizados já alcançados, acertos e erros, em outras iniciativas, otimizando esforços e fortalecendo todos os envolvidos a partir do debate sobre desafios comuns. Dessa maneira, além dos workshops e engajamento com mais de 60 atores-chave e colaboradores no Brasil, o projeto realizou dois workshops e uma série de reuniões com parceiros na Escócia e Inglaterra, na primeira semana de dezembro.

Destes encontros, ficaram evidentes algumas semelhanças e diferenças com relação às agendas de adaptação a nível nacional. Em ambos os países, o tema da adaptação é complexo, envolve atores diversos e existe o desafio de facilitar o acesso à informação para apoiar atores locais a criarem estratégias e ações de construção de resiliência. Entretanto, dado a escala continental do Brasil e sua diversidade geográfica, o acesso a informações assertivas sobre projeções climáticas, vulnerabilidades e impactos é ainda mais desafiador e a harmonização de legislações e iniciativas, além do engajamento dos atores nos diferentes níveis, é fundamental. Outra diferença foi ver a marcante participação e financiamento por parte dos governos escocês e inglês na agenda de adaptação, inclusive em outros países (a Escócia trata de “justiça climática” apoiando projetos em países africanos), enquanto no Brasil as iniciativas estão mais dispersas entre os setores, com liderança de agentes da sociedade civil e governos locais em projetos específicos.

Parceiros que atuam em plataformas de conhecimento mencionaram que o foco está em como usar a informação, ao invés da busca por informações. A razão pode ser a maturidade do ciclo de adaptação, já que o Plano Nacional de Adaptação do Reino Unido foi lançado em 2013 e desde então os governos nacionais vêm liderando programas e projetos que passam pelo diagnóstico de riscos, impactos e vulnerabilidades e incluem articulação de redes locais e bases de dados, em parceria com atores em ação nos territórios (para saber mais, visite a página do Committee on Climate Change).

Os participantes dos workshops deram contribuições à Plataforma AdaptaClima como um todo e também a cada um de seus eixos (plataforma web, comunicação e engajamento e estrutura de governança). Entre elas, destacam-se

  1. A plataforma web deve ser componente de um sistema maior, composto por interações online e offline que se complementem e retroalimentem,. Só assim a Plataforma AdaptaClima poderá realizar seu papel de apoiar, catalisar, sistematizar e filtrar informações, além  de conectar produtores e usuários de conhecimento para que compartilhem e construam conhecimento conjuntamente.
  2. A disponibilização de informações existentes em adaptação não é suficiente para que os usuários coloquem ações em prática. Foi reforçada a importância dos casos de organizações e governos locais que já implementaram ações em adaptação, fonte de experiências próximas às realidades dos usuários da plataforma. Além do que deu certo, os casos devem apresentar o que deu errado, para evitar que se repitam erros semelhantes.
  3. É importante focar em algumas necessidades dos usuários, conteúdos e funcionalidades previstos, de forma a reduzir o escopo inicial da plataforma. Começar com uma plataforma muito ampla pode desencorajar o usuário, dificultar a navegação, e ser um desafio no “controle de qualidade” das informações.

Das lições aprendidas, entende-se que  a AdaptaClima, assim como outras iniciativas em adaptação, são elementos para a estruturação e consolidação de uma agenda ainda recente no Brasil, em torno da qual, aos poucos, conhecimento vai sendo gerado e sistematizado, redes vão sendo formadas e iniciativas vão amadurecendo e conectando-se. Para isso, a participação de atores diversos é essencial.

Ao longo desse processo, a Plataforma já vem desempenhando o papel relevante de aproximar atores e conectá-los e é esperado que, à medida que a agenda for consolidando-se, a AdaptaClima vá transformando-se. Trata-se de um sistema e de conteúdos “vivos” que vão se formatando conforme as necessidades e o avanço no conhecimento disponível sobre adaptação e os diversos temas correlatos.

Para saber mais sobre os workshops e reuniões realizadas no Reino Unido, acesse a 3ª Newsletter AdaptaClima.

[i] A AdaptaClima é um projeto coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, com apoio do Fundo Newton, do Conselho Britânico, que tem como parceiros executores o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces) e o Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED). O GVces é uma organização brasileira, o IIED um instituto internacional baseado no Reino Unido.

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