Imigrantes e refugiados fazem bem para as economias

Análise de 30 anos sobre dados da Europa Ocidental refuta os argumentos de que a imigração representa um fardo financeiro. Abaixo, trecho de reportagem da revista Nature

Refugiados e imigrantes em busca de oportunidades seguras beneficiam as economias de seus países anfitriões no prazo de cinco anos após a chegada, mostra análise de 30 anos de dados de 15 países da Europa Ocidental.

O estudo conclui que, logo após um pico na migração, a força global e a sustentabilidade da economia do país melhoraram e as taxas de desemprego caíram. Suas conclusões contradizem a ideia de que os refugiados sobrecarregam financeiramente um país, sugando recursos públicos. O estudo foi publicado na revista Science Advances em 20 de junho.

“Algumas pessoas dizem que gostariam de receber refugiados, mas que não podemos pagar”, diz Hipólito de Albis, economista da Escola de Economia de Paris, CNRS, que liderou o trabalho. “Mas nós mostramos que historicamente não tem sido um custo, e que se você não receber bem os imigrantes, a economia pode ficar em situação pior.”

D’Albis e sua equipe basearam-se em um modelo matemático que usa indicadores econômicos anuais para fazer previsões sobre o futuro após grandes choques, como desastres naturais. Neste caso, os eventos foram fluxos de imigrantes. Os pesquisadores analisaram separadamente os efeitos dos imigrantes – que são legalmente autorizados a se estabelecer em um país – e os solicitantes de asilo que residem temporariamente em um país enquanto seus pedidos de status de refugiado são processados. 

Muitos dos requerentes de asilo incluídos no estudo foram os que fugiram da guerra na ex-Iugoslávia nos anos 90 e os que vieram mais recentemente da Síria. A análise examinou as condições de 1985 a 2015 na Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Islândia, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Portugal e Reino Unido.

Para avaliar o bem-estar econômico das nações, os pesquisadores mediram a renda média ao longo dos anos dividindo o Produto Interno Bruto (PIB) de um país pelo tamanho de sua população. Eles também calcularam uma variável chamada saldo fiscal, que subtrai a quantia de dinheiro que um país gastou em programas públicos, como o bem-estar, do montante de dinheiro arrecadado através de impostos. 

Leia mais na reportagem original da revista Nature.