A plataforma Vote pelo Clima, coordenada pelo Clima de Política, encerrou as eleições de 2026 com 68 candidaturas eleitas, sendo a maioria mulheres, e representando crescimento de 89% em relação a 2022. Para a organização, a mobilização deve continuar por meio do acompanhamento das políticas públicas, da fiscalização das promessas eleitorais e da cobrança por medidas concretas de enfrentamento da crise climática
A iniciativa Vote pelo Clima encerrou as eleições de 2026 com 68 candidaturas eleitas, um crescimento de 89% em relação a 2022, quando foram 36. A plataforma, coordenada pela organização da sociedade civil Clima de Política, reuniu 310 candidaturas comprometidas com a agenda socioambiental, com maioria de mulheres entre as pessoas eleitas. Em 53 dias de mobilização, a iniciativa recebeu 214 mil acessos de 48 mil eleitores, com o apoio de 105 organizações parceiras. O balanço mostra a ampliação da participação na plataforma e da presença de candidaturas comprometidas com o enfrentamento da crise climática entre os representantes eleitos.
Houve um aumento expressivo em comparação com as últimas eleições gerais de 2022, que contou com 198 candidaturas válidas na plataforma e 36 eleitas. Os resultados da edição de 2026 foram alcançados em 53 dias de mobilização e reforçam o interesse do eleitorado por informações sobre propostas relacionadas ao enfrentamento da mudança climática, assim como um aumento de candidaturas interessadas em destacar o compromisso com essa agenda nos seus mandatos.
A plataforma foi criada para aproximar eleitores de candidaturas comprometidas com a agenda climática, oferecendo informações sobre propostas e prioridades políticas relacionadas ao combate à crise climática, considerando sua inter-relação com problemas sociais, como saúde, alimentação, economia e trabalho. Por meio da ferramenta, foi possível consultar candidaturas de diferentes estados e partidos, com filtros por cargo e áreas temáticas, facilitando o acesso à informação para a definição do voto.
A campanha também contou com expressivo alcance nas redes sociais. Só no Instagram do Clima de Política, foram mais de 400 mil pessoas impactadas nas redes sociais com mensagens acerca da importância de votar pelo clima e mais de 1 milhão de visualizações nas mensagens, sem contar com as publicações nas contas das organizações parceiras.
Houve outras ações coordenadas de comunicação, como mais de 45 aparições na imprensa e newsletters e a construção de uma comunidade no WhatsApp com eleitores chamados de “Mobilizadores Vote pelo Clima”, com mais de 100 participantes que amplificaram a mensagem da importância de votar considerando a agenda climática, e apoiaram na divulgação da plataforma.
Para Beatriz Pagy, diretora executiva do Clima de Política, os resultados evidenciam a importância de fortalecer a participação social e ampliar o espaço da agenda climática nas decisões políticas.
“Mobilizar mais de 48 mil pessoas e mais de 300 candidaturas em tão pouco tempo mostra que existe um interesse concreto da sociedade em compreender como as decisões políticas impactam o clima e a vida concreta das pessoas. A eleição de 68 candidaturas que se comprometeram com o combate à crise climática é um resultado importante, mas nosso trabalho não termina nas urnas. Precisamos seguir acompanhando os mandatos, cobrando compromissos e fortalecendo a participação da sociedade para que a agenda climática se traduza em políticas públicas efetivas e garantirmos a nossa democracia”, afirma.
A próxima Legislatura apresenta desafios para o avanço da agenda socioambiental. Segundo dados divulgados pelo Observatório do Clima, 68,9% dos deputados e 79% dos senadores são classificados como contrários à agenda socioambiental. O cenário reforça a necessidade de articulação entre organizações da sociedade civil, representantes políticos e cidadãos para assegurar espaço às políticas de enfrentamento da crise climática. E, acima de tudo, que a agenda climática entregue transformações concretas e positivas para a população.
Eleições municipais de 2028
Para o Clima de Política, o encerramento das eleições não representa o fim da mobilização. A organização defende que a política se constrói no dia a dia e a participação cidadã deve continuar ao longo dos mandatos, por meio do acompanhamento das políticas públicas, da fiscalização das promessas eleitorais e da cobrança por medidas concretas de enfrentamento da crise climática. A próxima edição da iniciativa deve ocorrer nas eleições municipais de 2028. Enquanto isso, a plataforma permanece disponível para o público com os dados das candidaturas eleitas na plataforma.
