Olha o custo

Esse pode ser o prenúncio de uma nova relação da indústria com a água, mas não basta

“Quando beber água, lembre-se da fonte.”
Provérbio chinês

Foi-se o tempo em que os chineses se guiavam pelos provérbios.  O acelerado crescimento econômico registrado há anos exerce pressão insuportável sobre os recursos naturais do país.  Em novembro de 2005, a explosão de uma petroquímica causou um tremendo estrago no rio Songhua.  A descarga de 100 toneladas de benzeno gerou, além dos danos ambientais, uma grave crise de abastecimento e um incidente internacional com a vizinha Rússia.  Foi um caso extremo, mas diversos problemas ambientais decorrentes da atividade industrial na China são relatados com freqüência sem precedentes na história recente mundial.

O antigo provérbio e a moderna atualidade chineses são ótimos lembretes da fragilidade no abastecimento de água diante da atividade industrial.  E não só na China.  O uso comercial desse líquido insubstituível vem passando por rápidas transformações nas últimas três décadas também no Brasil.  Por muito tempo, a água foi tratada como bem essencial da natureza — de grande utilidade, mas sem valor financeiro.

O crescimento da população, o desmatamento de florestas, o mau uso do solo e a poluição a transformaram em um bem econômico, cada dia mais valioso.  Paradoxalmente, esta é uma boa notícia.  Não fosse isso, tudo indica que a água continuaria a ser uma maltratada dádiva.

No Brasil, a mudança ocorreu a partir da década de 1970.  A legislação instituiu regras para o descarte de efluentes e, conseqüentemente, gerou custos para as empresas reduzirem a carga poluidora.

Prevenção tardia, padrões ambientais frouxos e uma enorme quantidade de resíduos clandestinos começaram a cobrar seu preço no fim da década de 1980, inicialmente nos grandes centros urbanos.  Empresas que dependiam de água de boa qualidade precisaram se mudar.  Ao ver o dinheiro descendo pelo ralo, diversas alternativas foram analisadas e implementadas, como o uso racional, os tratamentos mais eficazes de efluentes e a reutilização para reduzir o consumo e o volume da carga poluidora do esgoto.

Ao mesmo tempo, ambientalistas, cientistas e poder público avaliavam o grau de risco pelo qual passava o abastecimento de água em geral.  Não demorou muito para se concluir que a situação era crítica.  Para revertê-la, é preciso – como diz o provérbio – lembrar da fonte.  Em termos práticos, é urgente recuperar os mananciais.  E pagar por isso.

Paradoxo romano

A solução mais comum para enfrentar a demanda crescente e a ameaça de escassez é o que o presidente do Centro Internacional de Referência em Reúso da Água (Cirra), Ivanildo Hespanhol, chama de paradoxo romano: embora tenham sempre procurado se fixar próximas a fontes d’água, as sociedades cada vez mais precisam de grandes redes de abastecimento para atender à demanda dos cidadãos.

Não se trata de solução nova, o nome do parodoxo é inspirado nos aquedutos da Roma Antiga.  O primeiro deles, Aqua Appia, tinha cerca de 16 quilômetros.  A segunda obra, Aqua Vetus, construída em 272 a.C., contava com 63 quilômetros de extensão.  Mais sete foram construídos para abastecer a capital do império até o fim do século I.

Para os usuários finais em residências ou empresas, o conforto dos antigos aquedutos e das modernas redes de abastecimento se tornou parte do ambiente, da rotina e da cultura.  Rapidamente se esqueceu das agruras de buscar água no poço ou transportá-la em jarros em lombo de mula.  Estava dado o primeiro passo para o desdém com a água.  Disponível, abundante e por muito tempo gratuita, parecia um recurso infinito.  Era obviamente uma falsa premissa, como demonstra o aumento do custo da água.

Fim do cano

O paradoxo romano pode ter chegado ao fim do cano, mas a cobrança pelo uso da água está longe de ser um consenso, como mostra pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) com 488 empresas localizadas na bacia do Paraíba do Sul.

O estudo do Ipea, entretanto, revela dois lados da questão.  A pesquisa revela que 53% dos entrevistados não concordam com a cobrança.  Mas, 70% das grandes empresas e 50% dos usuários de grande volume de água aprovam a medida.  Os dados refletem a preocupação dos grandes usuários, que enfrentam o problema há mais tempo, com a escassez de água.

“Além do reconhecimento da água como bem econômico e do estímulo ao uso racional, a cobrança pelo uso pode representar um forte impulso nos investimentos necessários na recuperação das bacias hidrográficas”, avalia o gerente de usos múltiplos da Agência Nacional de Águas (ANA), Devanir Garcia dos Santos.

Existe urgência em recuperar os mananciais em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil.  Apenas no interior do Estado de São Paulo há o equivalente a 120 mil quilômetros de margens de rios desflorestados, segundo Helena von Glehn Carrascoza, gerente executiva do programa de restauração de matas ciliares da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Copo pela metade

Para ver o resultado de tamanha degradação não é preciso ir muito longe, pelo menos para os habitantes da Grande São Paulo.  Com mananciais absolutamente degradados, a captação para milhões de habitantes precisa ser feita à moda romana, por meio de grandes obras, como a do Sistema Cantareira, que traz água de fontes localizadas próximas à divisa do estado com Minas Gerais.  Mesmo assim, lembra Lineu Andrade de Almeida, presidente da regional paulista da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes-SP), a capital tem, com 201 metros cúbicos por habitante por ano, uma das menores disponibilidades hídricas entre as grandes metrópoles do mundo.  A situação é considerada crítica, pois o nível mínimo recomendável pela Organização das Nações Unidas é de 1,5 mil metros cúbicos por habitante por ano.

Mas isso poderia ser ainda mais grave não fosse o deslocamento das indústrias para outros locais, diz a superintendente de marketing da Sabesp, Maria Lúcia dos Santos Taballi.  Tudo indica que o problema continuará a se agravar, pois, a cada ano, a empresa de saneamento que atende a capital paulista e outras cidades da região metropolitana faz 74 mil novas ligações.

A escassez paulistana tem razões particulares como o péssimo uso do solo, a destruição de mananciais, a enorme população e o fato de a cidade estar localizada na cabeceira de uma bacia — mas está longe de ser exceção.  Em todos os continentes, o acesso à água tem se agravado rapidamente.  Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a disponibilidade per capita anual de água no mundo caiu 43% entre 1970 e 2000, quando foi calculada em torno de 7 mil metros cúbicos.

A redução no suprimento não afeta apenas o abastecimento residencial e industrial, que respondem, respectivamente, por 5% e 25% da água usada a cada ano.  A agricultura, com 75% do total, também é prejudicada, embora seja grande responsável pela deterioração dos mananciais em função do mau uso do solo e do desflorestamento.

A redução da disponibilidade mostra uma tendência, mas esconde as brutais desigualdades na distribuição de água.  Isso é bem ilustrado pelo caso brasileiro.  Enquanto há grande disponibilidade na Bacia Amazônica, área de baixíssima densidade populacional, a Região Sudeste conta com suprimento menor e muito mais disputado.

Embora o caso paulistano seja exemplar, vale notar que grande parte do Sudeste é abastecida pela bacia hidrográfica do rio Paraguai, que reúne em sua área de abrangência 100 milhões de pessoas e 70% do PIB de cinco países (Brasil, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina).  Isso gera uma grande competição pelo uso dos recursos hídricos.

Com essas pressões, a água fica cada vez mais escassa – em quantidade ou qualidade – aumentando o custo de captação, tratamento e distribuição.

Água no balanço

Segundo a especialista em meio ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Anicia Aparecida Baptistello Pio, a preocupação com a água nas empresas começou com a legislação sobre efluentes da década de 1970.  Era o primeiro sinal da mudança da relação econômica com a água.

A exigência gerou custos de tratamentos de efluentes para a indústria, criando o risco de o azul dar lugar ao vermelho no balanço.  A partir daí, os padrões aumentaram, mas, no fim da década de 1980, algumas empresas começaram a enfrentar problemas com a qualidade da água, em função da deterioração dos mananciais, do aumento no número de usuários e da descarga de efluentes e esgotos sem tratamento.

Em alguns casos, isso levou até a mudança das empresas de local, principalmente das que consumiam grandes volumes ou necessitavam de um alto grau de pureza.  “Naquela época você ainda tinha cervejarias em plena Rua Vergueiro”, lembra Anicia, referindo-se à zona central da capital paulista.  A alternativa à mudança era o tratamento de água para poder usá-la com segurança nos processos industriais.  Esta novidade, aliada à obrigatoriedade de tratamento de efluentes, levou algumas empresas a encarar os recursos hídricos como investimento e não como despesa.  É o caso, por exemplo, da unidade da Rhodia em Santo André.

Eram os primeiros sinais de um processo iniciado de trás para a frente: da obrigatoriedade de tratamento dos efluentes, chegou-se à dificuldade da captação ou de acesso à qualidade e, enfim, à visão integrada do ciclo da água, principalmente dentro das grandes empresas.  Como a cobrança se dá tanto pela vazão, quanto pela carga poluidora dos efluentes, o uso racional, o reúso e o tratamento tornaram-se, no mínimo, questões dignas de análise.  Apesar das técnicas disponíveis serem similares, a aplicação de cada uma varia conforme o tipo de indústria, o volume e a qualidade de água exigida e o valor disponível para investimento.

A busca por soluções é reforçada pelo fato de as tarifas da rede pública brasileira estarem, segundo Hespanhol, entre as mais altas do mundo, com valores que chegam até a R$ 8 por metro cúbico.  Outras formas de captação também ficaram mais caras.  A de poço exige o pagamento de uma taxa de esgoto, que é atrelada à tarifa de água.  No caso das águas de rios e lagos, os tratamentos precisaram se tornar mais complexos.

Uma possibilidade de redução de custos para alguns setores seria a compra de água de reúso da rede pública.  A Sabesp planeja vender a de suas estações de tratamento de esgoto, mas há diversos obstáculos a serem superados antes de se chegar a um modelo comercial em larga escala.  Entre os principais encontram-se as questões da distribuição, a econômica e de saúde pública, porque embora este tipo de água seja cristalino, não é potável, explica Maria Lúcia, da Sabesp.

As barreiras econômicas e logísticas para a água de reúso estão associadas entre si, pois a infra-estrutura requer um alto investimento, cujo retorno é incerto.  “Atualmente, as empresas alteram rapidamente seus processos, gerando mudanças no padrão de uso da água, o que colocaria em risco o investimento em uma rede de distribuição”, diz a executiva da Sabesp.

Convergência de interesses

A alteração do valor relativo da água para os usuários não fica restrita à empresa.  A busca por métodos mais eficientes de tratamento para preservar a qualidade e a disponibilidade da água abriu caminho para a análise do sistema hídrico como um todo, extrapolando os muros da fábrica e chegando aos limites das bacias hidrográficas.

Nessa hora, os interesses começam a convergir.  “Há dez anos seria utopia tentar reunir poder público, ambientalistas e empresários para discutir os problemas da água”, declarou Helena Carrascoza durante um seminário em São Paulo sobre a relação da floresta com a água.  Durante o evento, Devanir, da ANA, mostrou os princípios do projeto Produtor de Águas, que pretende remunerar os proprietários de terras que mantêm a cobertura florestal e também destinar parte dos recursos da cobrança pelo uso da água nas bacias para a restauração de matas ciliares.  Para o coordenador de serviços ambientais da The Nature Conservancy (TNC), Fernando Veiga, ao menos dois conceitos precisam ser assimilados pela sociedade para o sucesso do programa.

O primeiro é o do protetor-recebedor, para remunerar os donos das terras pelos serviços ambientais prestados à bacia.  O segundo é de que a empresa deve pagar pelo fato de estar utilizando um bem que é de toda a sociedade.  Isso abriria caminho para acordos privados entre os usuários beneficiados e os protetores, pois geraria a percepção de que o custo de tratamento é superior ao de se preservar os serviços ambientais.

Numa era em que a água está presente na maioria dos produtos e serviços, desde a produção de uma cadeira ou de um carro, ou no mero ar condicionado do escritório, é um alento perceber que a iniciativa privada, o poder público e a sociedade civil – juntos — começam a se lembrar de conservar as fontes.

Uma luz para a gestão da água
A Fiesp estuda a criação de indicadores de referência para a indústria

O Brasil dispõe de poucos indicadores sobre o uso da água na indústria, o que dificulta a adoção pelas empresas de práticas mais sustentáveis na gestão do recurso. Para suprir essa lacuna, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estuda lançar indicadores para cada setor industrial.

Anicia Aparecida Baptistello Pio, especialista em meio ambiente da entidade, informa que se pretende lançar um índice de consumo de água e um de geração de efluentes para servir como referência para empresas de todos os portes – o que facilitaria a adesão do médio e do pequeno empresariado.  Ainda não há data para o lançamento do programa, pois a entidade estuda uma forma de manter os dados atualizados, um ponto crítico em programas desse tipo.

Entre os poucos setores que já dispõem de dados comparativos capazes de servir como um guia para a atuação dos gestores ambientais, estão a indústria de bebidas, que trabalha com índices internacionais, e a indústria química.  Esta, por meio de sua associação, a Abiquim, lançou em 1992 o Programa de Atuação Responsável.  A iniciativa centra-se em saúde, meio ambiente e segurança e realiza a cada ano uma pesquisa para avaliar a evolução do desempenho dos associados.

No ano passado, 104 empresas químicas responderam ao questionário.  Os dados mostram redução média de 44% no volume de água captada e de 34% no lançamento de efluentes em relação a 2001.  Houve também diminuição da carga orgânica, que indica o grau de poluição do resíduo.  Com isso, o custo de tratamento de água no setor caiu de R$ 7,5 para R$ 5 por tonelada de produto.

Com o objetivo de estimular práticas de ecoeficiência entre as indústrias, a Fiesp promove anualmente um prêmio de conservação e reúso da água.  As inscrições para a próxima edição estão abertas até 5 de dezembro.

As soluções podem ser simples
Na Caterpillar, a pressão para cortar custos diminuiu também a captação da rede pública

O caso de uso racional da água na Caterpillar mostra como soluções simples, ao alcance de qualquer empresa, podem gerar grande economia de água.  A fabricante de tratores e máquinas conseguiu reduzir significativamente o consumo de água apenas com campanhas de conscientização entre os funcionários, inspeção de vazamentos e revisão de processos de produção.

A empresa ocupa uma área de 8 milhões de metros quadrados em Piracicaba (SP) e deu início em 2002 a um projeto que tinha como meta inicial reduzir a captação da rede pública em 28%, para diminuir custos e atender a demanda de seu programa de gestão ambiental.  Mas a redução foi bem além disso, chegando a 85%.

Uma das primeiras medidas do projeto foi instalar hidrômetros individuais em cada um dos oito prédios.  Segundo o consultor de negócios da empresa, Marcos Santos, “entrava água na Caterpillar e não se sabia para onde ela ia”.

Com os dados detalhados em mãos, ficou mais fácil encontrar as fontes de desperdício.  Apenas com a instalação de uma torre de resfriamento em uma seção de máquinas para solda e com a manutenção de um filtro em uma têmpera – máquina para tratamento do aço -, a empresa conseguiu reduzir o consumo em 19 mil metros cúbicos por ano.

Paralelamente, um vazamento foi consertado e teve início um programa de conscientização para diminuir o consumo, o que aumentou a economia para 28,5 mil metros cúbicos, ou 15% do gasto inicial.

O uso de água de dois poços artesianos que estavam com capacidade ociosa em relação à outorga – licença que todos os poços artesianos precisam obter para funcionar – foi outra medida que ajudou a reduzir a captação da rede pública.

Após superar a meta de 28%, a empresa implantou um sistema de reúso da água potável que permitiu economia anual de 50,8 mil metros cúbicos, elevando a economia para 44% do consumo anual.

14 bilhões de litros e alguns peixes
Qualidade e quantidade são essenciais para quem vive de refrigerantes, como a Coca-Cola

A qualidade da água é fundamental quando constitui a principal matéria-prima na fabricação de alimentos, bebidas e medicamentos.  No caso da Coca-Cola, cerca de 90% dos produtos, ou mais, são compostos de água.  Para não correr o risco de ficar sem o insumo, todas as fábricas têm pelo menos duas fontes de captação, como a rede pública, os poços e os rios ou lagos.  E a a demanda não é pouca: são utilizados 14 bilhões de litros por ano.

Em relação à qualidade, a preocupação da empresa começa fora da fábrica, com o que o diretor de meio ambiente, José Mauro de Moraes, descreve como “uma política de boa vizinhança” com a comunidade.

Trata-se de uma estratégia global da Coca-Cola, com três objetivos.  Ao mesmo tempo que garante a matéria-prima adequada, preocupa-se com a qualidade da água que é distribuída para a comunidade em que está localizada.  Esta foi uma resposta a uma série de ataques recebidos recentemente no exterior, especialmente na Índia, onde foi acusada de usar muita água em regiões com poucos recursos hídricos.  Neste caso, a empresa anunciou que pretende captar água da chuva para repor o que usa.

Toda a água captada passa por um sistema de tratamento, de forma a adequá-la aos níveis técnicos definidos pela empresa.  O processo, composto de múltiplas barreiras físico-químicas, termina com um filtro de carvão ativado que retira o cloro usado para desinfecção.  Essa água é usada como matéria-prima e em todos os processos que podem ter influência direta no produto final, como no enxágüe de garrafas PET.

Para reduzir o consumo, a empresa adota sistemas fechados de circulação em alguns processos, como o de torres de resfriamento.  Atualmente, a Coca-Cola registra a média de 2,25 litros de água consumidos para cada litro fabricado, mas certasunidadesatingem a marca de 1,4 litro para alguns produtos.

Os resíduos gerados durante o processo passam por uma estação de tratamento de efluentes (ETE) antes de serem descartados.  Para atestar a qualidade da água da ETE, além das análises químicas exigidas por lei, há um aquário onde peixes funcionam como controle biológico do que é devolvido ao rio.

Usar de novo pode ser bom negócio
A Cosipa investiu e hoje reutiliza 96% da água em sua planta em Cubatão

A partir de 1993, quando foi privatizada e vendida para o grupo Usiminas, a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), localizada em Cubatão (SP) – cidade que presenciou graves problemas ambientais, principalmente nos anos 80 – realizou uma série de investimentos que somaram mais de US$ 1 bilhão, destinados a modernizar o parque industrial.

Desse total, US$ 319 milhões foram aplicados na área de meio ambiente.  As novas instalações permitem, entre outros avanços, que a empresa pratique em seus processos industriais um dos índices mais altos do Brasil em reutilização de água: 96%.

Entre os investimentos realizados, estão 16 sistemas de resfriamento e recirculação (circulação em sistema fechado) espalhados pela empresa.  Apenas a maior unidade, o Sistema de Tratamento e Recirculação de Água das Laminações, necessitou de US$ 40 milhões de investimento e tem capacidade para 6 mil metros cúbicos por hora.  No total, a empresa recircula 60 mil metros cúbicos por hora.

Os sistemas são complementados por mais seis estações de tratamento da água usada em processos industriais, o que permite o reúso e reduz a captação e o descarte de efluentes.

A empresa ainda busca outras formas de economizar água e reduzir os efluentes.  Investiu em três unidades de tratamento de esgoto doméstico para processar os resíduos gerados nas unidades de produção, nos prédios administrativos e no refeitório.  Além disso, para detectar vazamentos, a Cosipa implantou o Disque Água, uma linha telefônica pela qual os funcionários podem informar a ocorrência de incidentes.

Até o telhado do restaurante da empresa é usado no combate ao desperdício: capta água da chuva, que serve para alimentar as torres de resfriamento do sistema de ar condicionado.

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