Página Cultural

pcQuando o filme não termina

A exibição do documentário (À) Deriva Metrópole São Paulo, em sessão na Matilha Cultural, em São Paulo, conseguiu o que talvez seja o sonho de um realizador. Ao traçar as histórias de moradores das periferias extremas da megalópole, o filme aproximou, por diferenças e semelhanças, habitantes de um espaço em constante mutação e inúmeros desafios. Quando estes mesmos retratados se sentam em roda para um debate pós-exibição, a história ganha novos rumos e fôlegos. O que se viu foi um retrato articulado, urgente e poético de uma cidade que demanda e pulsa, em uma espécie de continuação do antes visto na tela.

Depoimentos vigorosos na sala de cinema ganharam voz e figurino, partes da cidade que se encontraram ali física e simbolicamente por meio de moradores distantes uns dos outros por quase outras cidades. A mata da Cantareira ameaçada, a inundação constante de Perus, as moradias irregulares, a desatenção e a ignorância do poder público em suas audiências que definem a vida de centenas em rumos questionados. Um filme não precisa ter uma função, mas, quando ele se expande, toma de assalto, permite o encontro, suscita novos caminhos, a história já terá mudado. O documentário é fruto do trabalho do coletivo Mapa Xilográfico, que, desde 2006, desenvolve ações artísticas permeadas por questões da urbanização das grandes cidades.

Artesãos da Sapucaí

O fotógrafo André Nazareth e o artista plástico Carlos Feijó circularam durante meses por barracões, ateliês, pequenas fábricas e confecções caseiras atrás de 60 dos mais representativos artesãos do Carnaval, responsáveis pelas diversas categorias de trabalho nas escolas de samba.

O resultado é uma documentação abrangente do conhecimento desses profissionais em depoimentos e fotografias que representam e se apropriam esteticamente de seus ambientes de trabalho, técnicas peculiares e processos criativos. Com prefácios de Fernando Pamplona e Martinho da Vila, Artesãos da Sapucaí (Editora Olhares) percorre a história do Carnaval com sensibilidade e a força da festa. “A percepção de como se juntam os elos de uma obra coletiva, nesse ambiente de fronteiras pouco definidas em que dezenas de pessoas mergulham, meses a fio, para produzir o espetáculo, já seria, por si, interessantíssima. O olhar de dentro do barracão revela ainda toda a organicidade da estética do Carnaval, com base na sobreposição de referências, e uma forte dinâmica de apropriação, por parte das escolas de samba, de inovações, técnicas, conceitos, tecnologias e saberes particulares que se sobressaem no desfile”, relata Feijó.

pc225 Anos de vídeo nas aldeias

O incrível projeto audiovisual que forma cineastas indígenas e equipa aldeias brasileiras para fazer seus próprios filmes está completando 25 anos. A comemoração vem em forma de livro com ensaios críticos e fotográficos, depoimentos de participantes das oficinas do projeto e dois DVDs com dez filmes que marcaram essa trajetória. Foram mais de 100 aldeias indígenas brasileiras que tiveram oportunidade de contato com o audiovisual – uma iniciativa do fotógrafo, cineasta e indigenista Vincent Carelli, que pôs as primeiras câmeras VHS a serviço de uma ideia inovadora: apresentar às aldeias um instrumento acessível de expressão e preservação da memória. O balanço é empolgante: o Vídeo nas Aldeias produziu registros de 37 povos, oficinas em 127 aldeias e filmes premiados no Brasil e exterior. A publicação é patrocinada pelo banco Itaú, pela Natura e pelo programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura.

pc3Expedições à Amazônia no século XX

O pesquisador e escritor João Meirelles reuniu 250 imagens sobre 21 incursões à Amazônia realizadas no século passado no livro Grandes Expedições à Amazônia Brasileira – Século XX, recentemente lançado pela Metalivros.

A publicação trata de resumir a obra expedicionária de grandes nomes como Oswaldo Cruz, Claude Lévi-Strauss, Jacques Cousteau, Mário Palmério, Thiago de Mello, Frans Krajcberg, Claudia Andujar, Helmut Sick, Orlando Villas Bôas, entre vários outros, formando um conjunto belo e inédito. Nas boas casas do ramo, por R$ 140.

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