O que o clima e Gangnam Style têm em comum?

Screen Shot 2013-05-10 at 6.13.47 PMResponda rápido: quando você pensa na mudança climática, que ideia lhe vem à cabeça?

Há grande chances de que tal ideia lhe tenha sido transmitida via redes sociais, na forma de uma informação, rápida, direta e que se espalha como um vírus, de pessoa para pessoa. Enfim, um meme.

O termo foi cunhado pelo biólogo Richard Dawkins no livro O Gene Egoísta para descrever a unidade mínima da memória. Na genética, a unidade de transmissão de informação – e que se auto-reproduz, determinando a evolução de dada espécie – é o gene. Para Dawkins, memes têm potencial para explicar o comportamento humano e a evolução cultural.

Um meme que recentemente explodiu e logo na sequência morreu foi o fenômeno coreano de Gangnam Style. Mas há memes que perduram por décadas.

A mudança climática, por exemplo, ocupa espaço na mídia e nas mentes humanas há pelo menos 30 anos, mas apenas 5% da população mundial reage à ideia como um fenômeno cultural real.

Para entender que tipo de mensagem fez com que uma parcela pequena da população se ligasse à ideia da mudança do clima enquanto a grande maioria permanece imune, o húngaro Lazlo Karafiath e o americano Joe Brewer decidiram se dedicar à “ciência de memes”.

Eles criaram o Climate Meme Project e, via crowdfunding, angariaram fundos para estudar memes no contexto da mudança climática.

Acabaram com um conjunto de 5 mil memes que abordam – positiva ou negativamente – a questão da mudança do clima. Agruparam-nas em cinco dimensões –  harmonia, sobrevivência, cooperação, ímpeto –, ou “campos de batalha” onde diferentes opiniões sobre o tema tentam espalhar memes.

Todas as dimensões são povoadas de cenários catastróficos, negatividade e conflito, o que segundo os pesquisadores explica porque o meme da mudança climática não pega na população em geral.

“O aquecimento global não é um bom meme”, escrevem Brewer e Karafiath. “As tentativas de comunicação dos últimos 20 anos falharam completamente. Temos que olhar para fora [da mudança climática] para encontrar memes que se espalhem mais facilmente”.

A conclusão, dizem eles, é positiva, pois significa que há – muito – espaço para encontrar e espalhar um meme que funcione em detonar a ação coletiva em relação ao clima.

Enquanto Brewer e Karafiath se empenham em descobrir que meme é esse, a grande maioria da população já se esqueceu do Gangnam Style e dança agora ao som do Harlem Shake.

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