A revolução do carro autônomo

Carro autônomo desenvolvido pela Google. Foto de Roman Boed/Flickr
Carro autônomo desenvolvido pela Google. Foto de Roman Boed/Flickr

Em uma década, as ruas estarão coalhadas de veículos autônomos – mini-salas de estar onde os passageiros podem dormir, ler ou navegar a web sem se preocupar com a direção. Um punhado de empresas estão testando seus protótipos nas estradas e ruas da California e da Florida (sinta o gostinho de um test-drive com o vídeo ao lado). A Google cogita lançar comercialmente seu sistema independente de navegação  em 2018 – se conseguir remover todas as barreiras legais até lá. Nissan, Mercedes-Benz e Renault também estão otimistas e esperam chegar ao mercado apenas dois anos depois. E quando é que toda a frota global será autônoma? Adam Jonas, analista da Morgan Stanley, estima que já em 2046.

É o prenúncio de uma revolução urbana. Os veículos autônomos, guiados por sensores, câmeras e algoritmos, provavelmente vão circular a velocidades constantes, interagindo harmonicamente com os outros carros e semáforos, evitando congestionamentos e acidentes. Podemos antever duas consequências principais: a redução do número de mortos no trânsito (hoje, 1,24 milhões ao ano, segundo a Organização Mundial da Saúde) e uma maior eficiência energética.

Relatório publicado em 2012 pela KPMG indica que o trânsito ganhará o ritmo e a organização de um comboio. “Um sistema de transportes compostos por veículos autônomos diminuiria o consumo de energia em pelo menos três aspectos essenciais: direção mais eficiente; veículos mais leves [por dispensarem a couraça de proteção] e consumo mais eficiente de combustíveis; e melhor infraestrutura”, aponta o relatório. Seguindo raciocínio semelhante, o Rocky Mountain Institute, instituto independente de pesquisa com foco no consumo sustentável de recursos, calcula que a mera redução da resistência ao vento, dada a sincronização dos veículos, poderia reduzir o consumo de combustíveis entre 20% e 30%.

Também é provável que os carros autônomos tornem os estacionamentos obsoletos. O seu carro poderá deixá-lo na porta do escritório e viajar 30 quarteirões até encontrar uma vaga livre. No fim do dia, você enviaria uma mensagem, avisando o automóvel que o aguarda. “Entre 20% e 80% das zonas urbanas poderiam ser empregados de outra forma”, declarou Chandra Bhat, diretor do Centro de Pesquisas em Transportes da University of Texas ao diário Miami Herald.

Por outro lado, é provável que muitos simplesmente desistam de ter um carro. Imagine as possibilidades ilimitadas dos serviços de lotação. No futuro, você poderá solicitar um carro via aplicativo no seu smartfone, indicando onde está e para onde quer ir. Enquanto o veículo se dirige ao seu destino, o sistema permanece antenado, pronto para recolher outros passageiros que vão na mesma direção. Na mesma linha, empresas de compartilhamento de veículos, como a Zipcar, que já tem 850 mil usuários em cinco países, crescerão como nunca.

Os desdobramentos podem realmente revolucionar a paisagem. Os transportes públicos tradicionais talvez entrem em decadência, substituídos por lotações confortáveis e rápidos a um custo competitivo. As prefeituras poderão ocupar antigos estacionamentos com parques, centros culturais e escolas, ou ainda liberar a construção de mais imóveis, aumentando a densidade populacional. Ou será que a tendência irá no sentido oposto, favorecendo o inchaço das periferias, já que os veículos autônomos tornarão as viagens mais longas agradáveis? Qual a sua aposta?

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