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PRATA DA CASA

web Produzir gesso sem degradar a Caatinga
É possível que, em alguns anos, o polo gesseiro do Araripe, no sertão pernambucano, passe de um cenário de degradação severa da Caatinga para outro de manejo florestal e, depois, de completo reaproveitamento do gesso. É para isso que têm se mobilizado os empresários do setor e parceiros como o Ministério Público de Pernambuco e Ministério do Meio Ambiente.

Quase todo o gesso usado no Brasil (97%) vem dessa região, que detém a segunda maior reserva de gipsita do mundo, matéria-prima do produto. Além da quantidade, o minério local se destaca por alto grau de pureza, 95%. Os resíduos do gesso, desde que separados corretamente para evitar contaminação, podem ser totalmente reaproveitados no próprio processo produtivo.

Valendo-se dessa característica, o setor quer organizar a cadeia produtiva dentro de um sistema de economia circular conhecido como “do berço ao berço”, já utilizado na Holanda, mas inédito no Brasil. “Não estamos preocupados só em dar conta do resíduo, mas também em não gerá-lo”, diz Dhyan Shamaa, diretora da Matura, consultoria de projetos sustentáveis que assessora os empresários na articulação de parcerias públicas e privadas para viabilizar o projeto. O tema começou a ser debatido em 2012, juntamente com outra pauta: as medidas necessárias para atender à Política Nacional de Resíduos Sólidos. Dois assuntos convergentes, uma vez que a PNRS estimula a não geração em seu artigo quarto, como lembra a consultora.

Assim que tomar posse, o próximo governador de Pernambuco encontrará em sua mesa um pleito do setor. Uma carta redigida pelo Sindugesso e pelo Ministério Público do Estado pedindo apoio para viabilizar a economia circular no segmento. Apoio este que implica em estimular o uso racional da biomassa florestal (lenha), fomentar a utilização de fontes alternativas de energias, especialmente a solar; promover incentivos fiscais à produção circular do gesso, bem como atrair para a região os recursos tecnológicos necessários. “Criar uma nova realidade no polo depende de vontade política, disposição do setor produtivo e aplicação de novas tecnologias”, afirma Dhyan.

Próximos passos – Porém, antes de chegar ao cenário de zero resíduo, será necessário sanar gargalos em diferentes pontas da cadeia. De um lado, combater o processo de desertificação da Caatinga; de outro, fazer a destinação correta dos resíduos do gesso no sertão pernambucano.

A economia regional é muito dependente dos recursos florestais. Mas eles vêm sendo retirados indiscriminadamente ao longo dos anos. O nível de degradação é tal que tornou impossível a recuperação natural da vegetação no curto prazo, o que ameaça o desenvolvimento local.

A pecuária extensiva, por exemplo, recorre às plantas forrageiras para alimentar o gado; no consumo doméstico, 70% das famílias usam lenha no preparo de alimentos; as indústrias gesseiras e cerâmicas, por sua vez, a utilizam na queima da gipsita em fornos de altas temperaturas. Somente esse setor consome cerca de 5 milhões de metros de lenha por ano, o que corresponde a 20% da demanda energética da região.

Até dezembro de 2014 empresários do polo pretendem assinar um Pacto de Sustentabilidade da Matriz Energética, os termos do documento ainda estão sendo elaborados. Outros atores devem contribuir com a causa, como a Fundação Araripe, que estuda meios para melhor aproveitamento da lenha. “No futuro, a intenção é diversificar a matriz usando energia solar, mas por enquanto a prioridade é fazer o manejo correto, fortalecendo a biomassa florestal”, explica Dhyan.

Quanto à destinação correta de resíduos, a maior dificuldade hoje é a ausência de instalações públicas e privadas para a disposição regular do material, de acordo com a consultora. Em setembro, foi apresentado oficialmente o Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos do gesso, elaborado para atender à Política Nacional de Resíduos Sólidos. O próximo passo será levantar o volume atual descartado para em seguida estruturar a destinação.

mundoMUNDO AFORA

Sete dias de lixo

Na série Seven Days of Garbage (Sete Dias de Lixo), o fotógrafo americano Gregg Segal retrata pessoas rodeadas pelo lixo que produziram em uma semana. Em meio aos resíduos, muitos parecem pensativos e até constrangidos com o volume gerado. Segal queria evidenciar a relação do indivíduo com o lixo, suas escolhas, padrões de consumo e desperdícios. Para tanto, convidou para o ensaio pessoas de diferentes classes sociais e fez questão de retratar a si próprio, com a família. Desde julho, o trabalho está entre as obras expostas no The Fence 2014 – Brooklyn, um dos maiores festivais de foto e arte a céu aberto de Nova York, que se encerra em outubro. Veja aqui.

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MODA SEM ESCRAVOS

Mais marcas foram incluídas na nova versão do Moda Livre, aplicativo da ONG Repórter Brasil que classifica a conduta das redes varejistas em relação ao trabalho escravo.

 

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