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Informação para o novo século

De lá pra cá

17.02.2012

Hackeando a TED

0 por Flavia Pardini # em De lá pra cá

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Foto de Geri Druckman via Flickr

Foto de Geri Druckman via Flickr

Se algum dia os organizadores da TED – a série de conferências que ocorre anualmente desde 1990 e que parece ter se tornado sinônimo de cool – ousarem optar por um pouco de humor e auto-reflexão, podem convidar para uma palestra os criadores da BIL, uma “não-conferência” realizada desde 2008 à sombra da TED. Esse ano, a TED Conference está prevista para 27 de fevereiro a 2 de março, em Long Beach, na Califórnia. A turma da BIL vai estar por perto, no navio Queen Mary, ancorado em Long Beach, de 2 a 4 de março.

“BIL é uma não-conferência – organizada e assistida pelos participantes”, diz o website oficial, explicando que a ideia emergiu de uma comunidade de pessoas que aspiram a mudar o mundo para melhor. Mais concretamente, a BIL nasceu em 2007 quando três jovens decidiram ir a Monterey, onde se realizava a TED, para estar perto dos palestrantes sem ter que pagar o salgado ingresso de US$ 6 mil para participar da conferência (o preço da TED 2012 é de US$ 7,5 mil). Acabaram atraindo gente e atenção, e decidiram criar sua própria conferência, ou melhor, não-conferência. Inspirados no filme de ficção científica “Bill & Ted’s Excellent Adventure, batizaram-na de BIL.

TED é a sigla para Tecnologia, Entretenimento e Design, e mais recentemente a conferência adotou o slogan “ideias que merecem ser espalhadas”. O slogan da BIL é “mentes libertadas” e sua sigla está aberta a interpretações – algumas que aparecem no website da não-conferência são “Benevolence. Impromptu. Logic” (Boa vontade. Improvisação. Lógica) e “Booze. Ingenious. Learning” (Bebida. Inventividade. Aprendizado). Os organizadores dizem que os participantes da não-conferência – a quem chamam de BILders – são “pensadores e executores do hoje e pelo amanhã”.

A grande diferença em relação à TED é o preço. A BIL é gratuita para quem quiser assistir, embora os organizadores peçam doações em dinheiro ou em tempo, uma vez que a logística é toda feita por voluntários. A organização é realizada via wiki, com voluntários ajudando a arranjar transporte – caronas – e acomodação – couchsurfing – para os participantes.

Mas há outras diferenças. Enquanto na TED as estrelas são nomes do mundo corporativo, ganhadores do prêmio Nobel e personalidades estabelecidas em várias áreas (grupo que, esse ano, inclui o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes), na BIL qualquer um pode ser palestrante. Os assuntos variam de robótica, passando por mudança social, hacking, até prolongamento da vida. A BIL poderia copiar a TED, entretanto, na disponibilização dos vídeos das palestras – apenas alguns podem ser acessados.

Enquanto os recursos são escassos, o que não parece faltar aos BILders é humor. Como sempre seguindo de perto os passos de sua inspiradora, eles não deixaram por menos quando a TED lançou a TEDMED, uma conferência destinada à área médica. Imediatamente criaram uma BIL sobre assistência à saúde, seguindo o formato de não conferência – de graça, sem palestras patrocinadas, aberta a qualquer um que queira palestrar. O nome? BIL:PIL.

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Revista Página 22 - Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP - FGV
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