Cortinas de fumaça

Nem mesmo as medidas mais prestigiadas de sustentabilidade empresarial conseguem refletir o melhor dos mundos.  Com a dura missão de materializar o intangível, o futuro desses instrumentos está em aprimorar a transparência, a comunicação e a precificação

Ela era o modelo a ser seguido.  Apenas em 2009, a empresa havia abocanhado 19 prêmios de excelência socioambiental.  Era a líder disparada em termos de transparência no setor, com um dos melhores relatórios de sustentabilidade desde 2006, avaliada pelos maiores think tanks internacionais nesse quesito, como Global Reporting Initiative (GRI) e AccountAbility.

Tudo isso até aquele fatídico 20 de abril, em que a explosão na plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, matou 11 trabalhadores e deu início a um vazamento de milhões de litros de petróleo que só seria controlado meses depois.  Até aquele dia, a British Petroleum era até mesmo finalista de um prêmio concedido pelo governo americano às melhores práticas de segurança e prevenção de poluição.

O prêmio foi suspenso, e, tão rápido quanto se possa dizer “ops”, a BP foi escorraçada dos mesmos índices de sustentabilidade empresarial [1] que antes compunha com louvor.

[1] A saber: o principal guia internacional de investimento ético, o FTSE4Good, e também o índice Dow Jones de Sustentabilidade, que lista as melhores empresas de capital aberto na Bolsa de Nova York.

O mesmo episódio que determinou um divisor de águas para o movimento socioambiental – a demonstração trágica de que todo esse discurso tem implicações financeiras muito concretas – também abriu caminho para uma pergunta inconveniente: o que acontece quando os melhores parâmetros e métricas do mundo da sustentabilidade não são capazes de detectar uma bomba-relógio prestes a explodir?

A admissão serena de que não se pode saber tudo, muito menos medir tudo, dificilmente exclui a discussão sobre formas de fazer avançar a transparência corporativa.  No caso da BP, especialmente, as crescentes evidências de uma investigação que deve levar anos apontam para uma cultura tão estabelecida quanto oculta de cortes sistemáticos nos gastos em segurança [2].

[2] Para uma análise mais detalhada, confira o artigo Learning from BP’s “Sustainable” Self-Portraits, de Sanford Lewis, investidor da Environmental Health Network.

Desde que o primeiro iluminado começou a esboçar os limites ecológicos do crescimento econômico, ou a questionar a ideia de que governos possam se interessar mais pela balança comercial que pela qualidade de vida das pessoas, passando pela cobrança mais recente de que empresas devem ter responsabilidade socioambiental, os indicadores se tornaram peças-chave de toda essa conversa.

O termo pode ser muito técnico e feioso, mas os “indicadores” nada mais são do que uma proposta de concretude ao caldeirão de desejos e ideias para melhorar o mundo.  São os instrumentos feitos para marcar os caminhos desejáveis e permitir que os tomadores de decisão, de chefes de Estado a gerentes empresariais, possam avaliar seu próprio desempenho durante a caminhada.

O componente duro da revolução ética a que se propõe a sustentabilidade tem tomado boa parte dos cérebros envolvidos com esse tema, incluindo algumas das mentes mais brilhantes da atualidade, como o economista indiano e ganhador do Prêmio Nobel Amartya Sen.

Para se ter uma ideia, quando o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces) começou a trabalhar o relacionamento entre empresas e comunidades atingidas, em 2007, encontrou, numa primeira revisão bibliográfica, mais de 800 referências de indicadores.  E isso só para o desenvolvimento local, tema muito específico e incipiente, espécie de filho mais novo no clã da responsabilidade corporativa.

O problema é que os indicadores são o termômetro, não o remédio, como gosta de dizer o coordenador do Gvces, Mario Monzoni.  E é fácil esquecer-se disso.  Da mesma forma que um presidente pode perseguir o aumento do PIB obsessivamente como objetivo único de uma nação, os novos indicadores empresariais estão se confundindo com a própria sustentabilidade.

Isso significa que se a sua empresa segue a receita de medir, monitorar e reportar impactos, conforme os padrões mais prestigiados do mundo, está, para todos os efeitos, surfando na crista da onda sustentável.  Assim como a BP.  Esse é um dilema que começa a despertar a atenção de analistas do ramo.

“A gente percebe que algumas empresas começam a focar os seus objetivos de sustentabilidade não no próprio desempenho, mas em integrar o ISE ou o Guia Exame.  O que deveria ser meio acaba se tornando fim. É um desafio nosso lidar com essa questão”, diz Monzoni.  O Gvces participa da formulação de critérios e da avaliação das empresas tanto no Índice de Sustentabilidade Empresarial da BM&FBovespa (ISE) quanto no Guia Exame de Sustentabilidade.

Para o sócio-diretor da Gestão Origami e concorrido consultor em sustentabilidade empresarial, Aerton Paiva, já é hora de buscar novos parâmetros.  Quando foi contratado por um grande banco brasileiro para fazer análises setoriais, esperava-se que ele fosse se valer das métricas consagradas.  Aos clientes, respondeu: “É perfeitamente possível a empresa gabaritar todos: ISE, GRI, PRI (Principles for Responsible Investment, da ONU), (indicadores de responsabilidade social do Instituto) Ethos… e ainda assim ser superinsustentável”.

Segundo Paiva, isso acontece porque toda essa primeira geração de indicadores está voltada para dentro da empresa, ou seja, para a gestão.  Tratam de uma cartilha básica que inclui, com algumas variações, água, energia, resíduos, carbono, código de ética, qualidade de vida e diversidade entre os funcionários.

“Mas a sustentabilidade na prática não se materializa dessa forma.  Ela se materializa sempre nos outros e não na empresa”, diz Paiva.  “Pra mim, indicadores deveriam responder à seguinte questão: quais são os problemas que nós estamos evitando?”

Essa constatação dá margem a uma série de perguntas inquietantes.  Uma delas é: se todas as empresas estão sendo avaliadas pela mesma régua básica, quem está monitorando – e premiando – a inovação?  Ou seja, onde estão os estímulos para o espírito inventivo, capaz de gerar soluções antes inimagináveis?

O consultor acredita que o próximo passo nesse sentido será medir o desempenho pelas externalidades.  Eis aí outro jargão técnico, que significa os efeitos da operação de uma empresa sobre a sociedade, sejam positivos, sejam negativos.  Assim, uma empresa de construção civil, por exemplo, não precisaria se pautar por centenas de indicadores, mas apenas por três externalidades.

São elas: o uso de recursos (o quanto foi possível reduzir em peso, ou seja, fazer mais com menos materiais); a corrupção (o quanto foi possível produzir sem ter de pagar propina para ninguém); e o déficit habitacional (o quanto foi vendido para o segmento de baixa renda).

Enquanto isso, defende o consultor, é bom que se olhe também para os outros quesitos, cujas soluções são quase sempre economicamente vantajosas (reduzir o desperdício, bem como o consumo de água e de energia, por exemplo).  Mas a questão central deveria ser o problema coletivo – nesse caso, o déficit habitacional –, que só esse setor pode ajudar a resolver.  “As externalidades que importam não são muitas.  Mas são paradigmas gigantescos que têm de ser debatidos, repensados.”

Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da BM&FBovespa, entende que o surgimento dos primeiros indicadores foi um passo fundamental na direção de organizar uma agenda dispersa: “Eles acabam sendo instrumentos que auxiliam para além daquilo para o que foram criados.  O ISE, por exemplo, é um indicador financeiro, construído para orientar o investimento.  Mas foi e ainda é fundamental no auxílio à gestão, por meio de uma coisa muito estruturada e didática.  Muitas empresas começaram a montar suas agendas com base no ISE”.

Paiva não hesita em reconhecer a importância dessa trajetória, mas adverte: “Acho que essa régua está ficando muito complicada. Deveríamos buscar mais a simplicidade”.

Bicho de três cabeças

A complexidade pode parecer, à primeira vista, um fardo inevitável das propostas de sustentabilidade, especialmente se confrontadas com o jargão “só se pode administrar aquilo que se pode medir”.

Um exemplo são os quase 40 anos de críticas em torno do PIB.  Desde seu nascimento, o indicador mais usado para medir desempenho econômico é cercado de advertências, basicamente porque mistura num mesmo balaio coisas que são benéficas para a sociedade com outras que não são, ignorando a depreciação do capital natural e humano.  No entanto, é simples, fácil de compreender, já que sua medida se dá por tudo aquilo que tem preço.

O professor da FEA-USP e especialista em ecodesenvolvimento, José Eli da Veiga, costuma dizer que tal qual um piloto de avião precisa observar diversos instrumentos num painel, quem quiser compreender o desenvolvimento sustentável vai ter de se deparar com múltiplas medidas.  É necessário abrir mão de um índice sintético, a exemplo do PIB e do IDH, que seria didaticamente mais desejável, embora bem menos fiel à realidade.

Foi isso que sinalizou a Comissão Stiglitz-Sen-Fitoussi, time de notáveis de diversas áreas do conhecimento formado após o apelo do presidente francês Nicolas Sarkozy por um novo instrumento capaz de medir o real progresso das nações.  O último relatório, em 2009, recomendava uma tríade composta de um novo indicador de desempenho econômico, baseado na capacidade de consumo das famílias e não no produto, um indicador de qualidade de vida e outro de sustentabilidade ambiental, com base em medidas biofísicas.

Em comum, os debates sobre indicadores de sustentabilidade para países e para empresas têm a ingrata missão de “tangibilizar” o intangível.  Isso se dá em duas frentes: na tentativa de definir e quantificar o que seria a qualidade de vida – para a sociedade em geral e também para o público interno de uma empresa – e de monetizar a natureza.

Quando o relatório Teeb (A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, na sigla em inglês), do Pnuma, afirma que, se as maiores empresas do mundo tivessem computado os custos ambientais de suas operações, boa parte delas estaria falida, esse argumento parece ser muito mais convincente que um apelo de ordem emocional.  No entanto, o professor da FEA explica que se trata de uma arbitrariedade: “Uma coisa para ter preço tem de ter mercado.  Senão, você vai inventar um preço.  Tem um método, mas que sempre tá querendo simular esse mercado”.

O método de valoração ambiental mais utilizado é o Disposição para Pagar (WTP, na sigla em inglês), que consiste em perguntar para as pessoas quanto elas pagariam para preservar o oceano, a floresta ou evitar a poluição, por exemplo.  No entanto, ninguém garante que as respostas oferecidas para essa provocação hipotética se confirmariam no mundo real.

“Um juiz que precise dar uma sentença de indenização porque houve um acidente ambiental pode se valer desses cálculos.  Mas do ponto de vista científico é sempre discutível”, diz Veiga.  O debate, no entanto, mantém-se, principalmente no campo microeconômico.  Isso porque permanece a necessidade de reformar as regras do jogo, segundo as quais as empresas que mais degradam o meio ambiente – sem custo imediato – podem também ser as mais competitivas.

Diante desse cenário, há um grupo de estranhos no ninho cada vez mais cobiçado pelo movimento em prol da responsabilidade corporativa: os analistas financeiros.  Se esses gurus do mercado fossem capazes de aplicar as novas métricas de desempenho em suas recomendações de investimento, o impulso para os negócios, espera-se, seria maior.

A proposta, nesse caso, é educar a comunidade de analistas, diz Sônia Favaretto.  E isso implica desenvolver novos instrumentos que precifiquem mais claramente a conduta socioambiental, em termos de geração de valor e minimização de riscos.

Não será nada fácil.  Novamente, o desafio se coloca em termos de concretizar aquilo que muitas vezes é intangível.  Um exemplo diz respeito à ética nas empresas e sua correlação com aspectos financeiros, conforme explica a vice-presidente da GRI, Nelmara Arbex: “Tem algumas coisas que a gente já sabe medir.  Se a empresa está num país em que a legislação funciona, recebe mais multas.  Se a imprensa fala muito mal dessa empresa, o valor das ações pode cair.  Mas é muito difícil transformar a questão da ética numa medição de desempenho do negócio”.

Abre-te, Sézamo

Giovanni Barontini é desses especialistas que se veem às voltas com indicadores cotidianamente.  No Brasil, coordena o Carbon Disclosure Project, iniciativa que ranqueia as empresas com as melhores respostas sobre gestão de carbono, requeridas  por investidores e acionistas.  É também instrutor dos indicadores de responsabilidade social do Instituto Ethos.

Para ele, uma boa reflexão está nas formas de superar o reino dos jargões de sustentabilidade, expressos em seus inúmeros indicadores. Barontini se vale da teoria integral, do filósofo Ken Wilber, para quem toda mudança de realidade passa por três fases: a fusão, etapa em que o problema está invisível, prestes a emergir; a diferenciação, em que os vários métodos dão início à racionalização; a integração, na qual o que antes era complexo se torna inerente ao pensamento, intuitivo.

“Foi preciso criar uma especialização para que esse assunto pudesse emergir como inteligível.  Mas, uma vez que eu criei isso, preciso ultrapassar, senão não consigo integrar.  Eu faço dessa questão um bastião de poucos entendidos, conversando entre si”.

Aos “poucos entendidos” Aerton Paiva dá o nome de “burocratas da sustentabilidade”.  Tal como advogados, são necessários para traduzir um universo intensamente especializado.

O pulo do gato é que você, consumidor, instado a premiar as empresas com as melhores práticas de sustentabilidade, assim como você, eleitor, provocado para levar o socioambiental em conta na hora do voto, não está convidado a participar da conversa sobre as métricas que materializam toda essa agenda.

Em tempos de wiki, quanto mais informação bruta disponível, mais os diferentes atores têm possibilidade de sistematizar e apresentar esse conhecimento de forma que seja útil para toda a sociedade.  No entanto, boa parte dos índices e rankings empresariais reserva aos candidatos a possibilidade de omitir suas informações do público.

É o caso do ISE-Bovespa e também de uma iniciativa para bancos formulada em 2005, mas que começa a sair do papel: o Protocolo de Intenções para Responsabilidade Socioambiental, apelidado de Protocolo Verde.  Depois de acordados os indicadores, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) realiza neste começo de ano uma pesquisa que deverá resultar num panorama sobre as práticas de sustentabilidade do setor, mas não dará nome aos bois.

Sônia Favaretto justifica a situação com base na lógica de processo: “Nós queríamos um índice inclusivo para fazer o instrumento evoluir.  Tem que ir de acordo com o mercado.  Há cinco anos, o disclosure total de questionários talvez inviabilizasse a participação de algumas empresas.  Mas essa questão está entre os nossos objetivos estratégicos para os próximos cinco anos”.

Mario Sergio Vasconcelos, diretor de relações institucionais da Febraban, limita-se a dizer que a entidade não pode obrigar seus associados à abertura de informações.  Provocado pela nossa reportagem, arremata: “Para isso já não existe o GRI?”

Nelmara Arbex garante que não.  É um erro muito comum pensar que os relatórios de sustentabilidade darão conta de toda a demanda de disclosure, quando na verdade se compõem em centenas de páginas de leitura árdua.  Ela cita o presidente internacional do Greenpeace, Kumi Naidoo, para quem os relatórios são como a ciência do clima redigida pelo IPCC: indispensáveis, no entanto, apenas a matéria-prima da comunicação.

“O relatório em si não é um instrumento de comunicação supersofisticado.  É a base de dados.  Precisa ter uma metodologia robusta por trás, mas é a cozinha.  Como essa informação será utilizada e disponibilizada são dois temas quentes deste momento”, diz Nelmara.

Vem do Canadá uma proposta interessante na linha da sistematização.  A empresa Big Room está gestando o projeto “.eco”, um novo domínio de internet para acompanhar os tradicionais “.com” e “.org”. O mecanismo é simples: para poder usar o domínio, todo candidato (não importa se pessoa física ou multinacional) tem de tornar públicas as mesmas informações básicas: quanto consome de água e energia e quanto gera em resíduos sólidos e emissões de carbono.

É a linha mestra de todos os índices de sustentabilidade, mas sem arquivos pesados para baixar e textos longos para ler.  E ainda ajuda a criar um senso de comunidade verde na internet.  Depois de um longo processo de consulta pública, a Big Room deve lançar o “.eco” este ano, quando a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann) abrirá uma janela para cadastro de novos domínios.

Outra iniciativa digna de registro é a ISO 26000, norma internacional de Responsabilidade Social, não certificável, fruto de um acordo global que tomou oito anos.  Está longe de ser um mecanismo tão enxuto quanto o “.eco”, mas é provavelmente a mais completa sistematização dos princípios e indicadores dessa área.

“A gente acha que tem pelo menos cinco grandes grupos de usuários.  O primeiro são os dirigentes empresariais que querem atualizar ou verificar a qualidade de suas estratégias.  Outro grupo é daqueles profissionais de responsabilidade corporativa que precisam de respaldo para defender suas agendas.  Mas a norma também atende a sociedade civil, os Legislativos, a Academia e a imprensa, que precisam de um ponto de partida para suas análises”, explica Aron Belinky, secretário-executivo do Grupo de Articulação das ONGs para a ISO 26000.

Questão de alma

Giovanni Barontini andava incomodado com a história de que o setor privado investe cerca de R$ 3 bilhões por ano em ações que vão da filantropia à responsabilidade social no Brasil, e, mesmo assim, constatam-se poucos avanços.  Depois de uma temporada na Índia, voltou convencido de que o foco deveria ser outro.

“De que adianta entregar indicadores, códigos de ética e outros instrumentos se não se trabalha a cultura organizacional e os valores dos indivíduos que fazem parte da empresa?”, questiona.  Sua opinião é amparada pelo pesquisador Carlos Eduardo Lessa Brandão, cuja tese de doutorado trata desse tema: “No fundo, o que falta às empresas é senso de urgência.  Se você está prestes a ser atacado por um animal, não vai ficar medindo a força do impacto, o diâmetro da mordida.  Vai é fugir”.

Aerton Paiva discorda.  Para ele, o que falta é dar um viés de negócio às estratégias de sustentabilidade e trabalhar nas medidas que demonstrem essa correlação.  “Se não tem sentido econômico, volta para a prancheta”.

Se a questão é de alma ou de métrica, trata-se de um debate sem fim.  Ambos os lados falam a dimensões humanas por excelência.  Mas há mais um componente, bem conhecido do comportamento humano comum, que une as duas coisas.  Quem pergunta a Paiva qual é o melhor instrumento para monitorar e implementar sustentabilidade ouve a resposta pronta: “Bom senso”.