Urbanismo com as próprias mãos

Em Wichita, estado de Kansas, o projeto estreitou uma avenida, ocupado duas pistas com ciclovia, um café ao ar livre, calçadas mais largas, floreiras e bancos. Foto de Ty Nigh/ Flickr
Em Wichita, estado de Kansas, o projeto estreitou uma avenida, ocupado duas pistas com ciclovia, um café ao ar livre, calçadas mais largas, floreiras e bancos. Foto de Ty Nigh/ Flickr

No espírito da próxima edição da Página 22, focada em urbanismo, vejam que projeto interessante.

O The Better Block Project é um coletivo que organiza mutirões para converter quarteirões inóspitos em boulevards onde as pessoas têm prazer em passear e interagir. As intervenções não são definitivas – duram um fim de semana, mas deixam algo para a comunidade, como murais e uma visão de possibilidades. O vídeo ao lado ilustra o processo com a maratona de embelezamento de Oak Cliff, no Texas.

Criado em 2010, o Better Block já promoveu eventos em uma dezena de cidades em vários estados americanos. Dentre as suas estratégias está a ocupação de terrenos baldios e casas abandonadas com exposições de arte ou lojas e lanchonetes temporários. Os voluntários, muitas vezes moradores do bairro, também pintam fachadas, instalam bancos de praça e floreiras, criam espaços para passear com cachorros, jardins temporários e ciclovias. Também convidam músicos a se apresentar nas calçadas, perto das mesas instaladas ao ar livre, junto ao comércio que já existia no local. Instrutores de yoga dão mini-aulas, crianças ganham atividades próprias e ONGs ensinam a plantar hortas no meio fio.

“Queremos mudar o processo de planejamento nos Estados Unidos,” diz Andrew Howard, um dos organizadores do projeto, à revista Good. “É frustrante quando as coisas demoram muito e entendemos que não precisamos esperar até termos uma cidade perfeita. Isso começa de baixo para cima.”

O projeto tem quatro objetivos principais.

  • aumentar a segurança real ou percebida. Eles atenuam aquilo que reduz a visibilidade, os becos escuros;
  • compartilhar o acesso. Facilitam a circulacão a pé, de bicicleta ou via transportes públicos, instalam bancos que viabilizem a circulação de idosos;
  • ampliar a retenção dos visitantes e a possibilidade de que eles tragam seus amigos. Para tanto, criam lugares agradáveis onde é possível comer, usar jogos de tabuleiro, consultar mapas e quadros de avisos;
  • atração de crianças, idosos e animais de estimação, indicadores da qualidade de vida de um bairro.

Essa recauchutagem urbana de guerrilha custa pouquíssimo, quase que só o tempo dos voluntários e o projeto tem tentado manter o balanço de resíduos zerado. E ela tem, efetivamente, deixado sementes, porque o Better Block continua trabalhado com as comunidades por onde passou, discutindo formas de perenizar algumas das soluções testadas. E aí, não dá vontade de trazer o movimento para o Brasil?

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