Sustentabilidade na cadeia de suprimentos: mais complexo do que parece

Primeira pesquisa em larga escala sobre o tema, feita pela Universidade Stanford, indica que as boas práticas têm alcance mais limitado do que o consumidor pode imaginar. A boa notícia é que a pressão da sociedade civil organizada tem sido fator de peso

Comprar produtos com atributos éticos e de sustentabilidade não é tão simples quanto parece. É o que mostra a primeira análise em larga escala sobre a oferta desses produtos, feita por pesquisadores da Universidade Stanford, na Califórnia.

Enquanto mais da metade das empresas globais pesquisadas aplica práticas de sustentabilidade em alguma parte da cadeia de suprimentos, esses esforços tendem a ter um alcance muito mais limitado do que os consumidores podem imaginar, segundo nota divulgada no site da universidade, assinada por Rob Jordan.

“Nossos resultados mostram um copo meio cheio e meio vazio”, diz o coautor do estudo, Eric Lambin, da Escola de Ciências da Terra, Energia e Meio Ambiente de Stanford.

O artigo, publicado neste mês de fevereiro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, relaciona o fornecimento de produtos éticos e sustentáveis com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Isso porque as cadeias de suprimentos corporativas têm o potencial de desempenhar um papel extraordinário na consecução dos ODS, uma vez que atingem mais de 80% do comércio global e empregam cerca de um em cada cinco trabalhadores no mundo, segundo a nota.

Ao analisar 449 empresas listadas publicamente nos setores de produtos alimentares, têxteis e produtos de madeira, os pesquisadores descobriram, entre outras conclusões, que:

  • Mais de 70% do fornecimento de produtos considerados sustentáveis cobrem apenas um subconjunto restrito de materiais. Por exemplo, uma empresa pode usar materiais reciclados para a embalagem de determinando produto, mas não lidam com o impacto causado ao longo da cadeia.
  • Apenas 15% do fornecimento de produtos considerados sustentáveis se concentram em saúde, energia, infraestrutura, mudança climática, educação, gênero ou pobreza.
  • Quase todas as práticas de fornecimento considerado sustentável abordam apenas um único nível na cadeia de suprimentos – geralmente fornecedores no primeiro elo da cadeia, como varejistas que compram de confecções. Muitas vezes, os processos remanescentes, desde o crescimento do algodão até o descarte da roupa, permanecem sem resposta.
  •  Mais de um quarto do fornecimento de produtos considerados sustentáveis se aplica a apenas uma única linha de produtos. Por exemplo, uma empresa pode usar a certificação de comércio justo para somente um tipo de barra de chocolate, entre os muitos produtos que vende.

“O avanço dos objetivos ambientais e sociais nas cadeias de suprimentos pode tornar-se muito complexo”, diz o coautor do estudo, Joann de Zegher, um pós-doutorado na Stanford Graduate School of Business. As empresas usam uma ampla gama de estratégias, mas os esforços atuais têm alcance limitado.

Olhando o copo cheio, os pesquisadores descobriram que as empresas que atuam na ponta do consumo, sob pressão da sociedade civil, estão mais próximas de adotar ao menos uma prática de fornecimento sustentável. Assim, não é surpreendente que as empresas sediadas em países com muitas organizações não-governamentais ativas tenham maior probabilidade de aderir a boas práticas, de acordo com o estudo.

“A pressão que os consumidores colocam nas empresas quando exigem produtos mais sustentáveis pode estar valendo a pena”, disse o autor principal do estudo, Tannis Thorlakson, do Programa Interdisciplinar em Meio Ambiente e Recursos da Escola de Ciências da Terra, Energia e Meio Ambiente de Stanford.

“Espero que este documento sirva de ação para as 48% das empresas que não estão fazendo nada para enfrentar desafios de sustentabilidade na cadeia de suprimentos”, afirma,

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