Com lançamento previsto para 8 de março no Museu do Amanhã, o livro do fotógrafo André Pessoa sobre o legado da antropóloga Niéde Guidon registra 30 anos de pesquisas arqueológicas no sertão do Piauí
O fotógrafo pernambucano André Pessoa escolheu a Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, no sertão do Piauí, para viver e apontar cotidianamente as lentes de sua câmera. Lá se vão 32 anos e o resultado dessa imersão está condensado em 420 imagens cuidadosamente impressas nas 168 páginas que compõem o livro Serra da Capivara – As descobertas e o legado de Niéde Guidon na Área Arqueológica de São Raimundo Nonato. A publicação será lançada em 8 de março – Dia Internacional da Mulher –, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, como parte de uma ampla programação cultural.
A publicação retrata três décadas de pesquisa arqueológica e de documentação da Caatinga, com informações inéditas sobre a importância da “Área Arqueológica de São Raimundo Nonato”, um conceito estabelecido pela pesquisadora Niéde Guidon (1933-2025) e sua equipe, ainda em meados da década de 1970, abrangendo grande parte da região sudeste do Piauí.
Essa área abriga dois parques nacionais (Serra da Capivara e Serra das Confusões); um corredor ecológico federal (Capivara-Confusões); uma estação ecológica estadual (Chapada da Serra Branca); dois museus (Homem Americano e Museu da Natureza); além do Centro Cultural Sérgio Motta, equipado com laboratórios da Fundação Museu do Homem Americano, inclusive com cursos de pós-graduação.
Conta ainda com um campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco, com graduação em arqueologia e ciências afins; um instituto federal de educação, uma universidade estadual, instituições privadas; além de um aeroporto regional, que contribui para impulsionar não apenas o desenvolvimento de São Raimundo Nonato e do Parque Nacional Serra da Capivara, mas sobretudo de uma importante área do semiárido nordestino.
Mais do que um registro fotográfico, o livro é também um tributo à Niéde Guidon, cuja atuação “transcendeu a Antropologia, a Arqueologia e a Paleontologia tornando-a a força motriz por trás de transformações profundas e positivas em uma região antes marginalizada”, nas palavras do jornalista Sérgio Brandão, criador e apresentador do programa Globo Ciência.
A obra reúne relatos de pesquisadores e jornalistas do Brasil e do exterior, muitos deles parceiros de trabalho de André Pessoa, entre os quais figura o jornalista Sérgio Adeodato, colaborador da Página22 e autor do livro Arco e Flecha no Amazonas:
“É difícil imaginar o dia a dia dos primeiros humanos em território brasileiro, à frente daqueles painéis de pinturas rupestres. Em cada visita, olho para aquelas figuras e vejo alguém querendo registrar a vida, expressar ideias, contar histórias – assim como faço eu agora nas reportagens. Nossos antigos repórteres-grafiteiros deixaram ali um legado cultural inestimável”, diz Adeodato.
O prefácio do livro é de Rogério Castro, prefeito de São Raimundo Nonato, e a apresentação é de Maria Conceição de Araújo, coordenadora de Articulação Institucional do Movimento Nacional de Direitos Humanos, e do jornalista Sérgio Brandão.
O livro traz ainda um resumo da campanha ambiental em defesa da Serra Vermelha, uma região ameaçada no Sul do Piauí, e um portfólio sobre os 30 anos de jornalismo de André Pessoa, com a publicação de textos e imagens em mais de 50 veículos do Brasil e do exterior, entre eles o jornal Folha do Meio Ambiente.
Também registraram suas experiências na Serra da Capivara os seguintes convidados:
Paul G. Bahn, arqueólogo britânico, autor do livro Archaeology: Theories, Methods and Practice; Irma Asón Vidal, arqueóloga espanhola, da Universitat de València e Fundação Museu do Homem Americano; Guilia Aimola, arqueóloga italiana, da Università Degli Studi di Ferrara e Istituto Italiano di Paleontologia; Bruno Meyerfeld, jornalista francês, correspondente no Brasil do jornal Le Monde; Gisele Felice, arqueóloga, da Universidade Federal do Vale do Rio São Francisco; Elizabeth Medeiros, arqueóloga, da Universidade Federal de Pernambuco; Fábio Murakawa, jornalista da Reuters, Valor e site Jota; Waltercio Correia, biólogo, guia do Parque Nacional Serra da Capivara; José Francisco Paes Landim, advogado, professor aposentado da UNB e ex-deputado federal; Francisco José, jornalista do programa Globo Repórter; Luiz Ayrton, médico, membro da Academia Piauiense de Letras; Aderson Antônio Brito Nogueira, desembargador presidente do Tribunal de Justiça do Piauí; e Toni Nogueira, cineasta.

Programação: O Brasil de Ontem no Museu do Amanhã
Entrada gratuita
Domingo, 8 março de 2026
Das 10h às 18h
Museu do Amanhã
Praça Mauá, Centro – Rio de Janeiro (RJ)
- Manhã da Ciência – Debate com pesquisadores de diferentes instituições nacionais
- Tarde da Cultura – projeção de filmes e documentários com participação de jornalistas, escritores e cineastas
- Mostra fotográfica, lançamento do livro Serra da Capivara, debates com cientistas, projeção de documentários, bate-papo com jornalistas e cineastas, e o lançamento nacional do filme Rupestre – a Última Fronteira Selvagem do Nordeste Brasileiro, sobre três irmãos que desbravam os grafismos milenares dos parques nacionais Serra da Capivara, Serra das Confusões e do Corredor Ecológico Capivara Confusões.

