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Informação para o novo século

De lá pra cá

19.08.2011

No cardápio, micro-financiamento

0 por Flavia Pardini # em De lá pra cá

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Foto de Jaime Kristen via Flickr

Foto de Jaime Kristen via Flickr

Não é raro nos Estados Unidos que os candidatos em uma eleição promovam jantares a preços salgados para levantar fundos para suas campanhas. Seu apoiadores pagam para jantar com outros que compartilham a crença nos valores do dito candidato e ouvir discursos e mais discursos. Mas a ideia de levantar fundos com um bom prato vem sendo reinventada e começam a aparecer em várias cidades iniciativas que juntam comida e micro-financiamento para projetos sociais e criativos.

Uma delas é o Detroit Soup, um evento público que acontece uma vez por mês, cobra 5 dólares por um prato de sopa e convoca empreendedores sociais interessados em executar projetos para melhorar a cidade de Detroit a apresentar suas propostas durante o jantar. Cada comensal, além da sopa e da companhia de um grupo diversificado de pessoas, tem o direito de votar em favor de uma proposta apresentada durante a noite. A proposta vencedora leva o total arrecadado pelo evento para que seu autor coloque mãos à obra.

Segundo o website do evento, o Detroit Soup é “uma situação colaborativa, um jantar público, uma plataforma para conexão, um ambiente teatral, um experimento democrático de micro-financiamento, um hub de relacionamento que une várias comunidades criativas, um fórum para discussões críticas e abertas, uma oportunidade de apoiar as pessoas criativas em Detroit”. Os organizadores dizem que, em geral, um jantar rende entre 600 e 900 dólares. Mesmo os proponentes de ideias que não ganham o dinheiro lucram, pois têm a chance de encontrar pessoas interessadas em ajudar no projeto ou gente com ideias semelhantes.

Uma das iniciativas pioneiras em aliar comida e micro-financiamento foi a inCUBATE, em Chicago. O grupo dedica-se a explorar novas abordagens na administração e financiamento da arte alternativa e promove mensalmente a Sunday Soup, evento que arrecada dinheiro por um prato de sopa e destina a renda a projetos artísticos. Segundo o grupo, a intenção é “estimular e promover práticas experimentais, críticas e imaginativas” que não recebem financiamentos formais.

Seguindo os passos da inCUBATE nasceu no Brooklin, em Nova York, a FEAST (Funding Emerging Art with Sustainable Tactics), cujos eventos mensais oferecem jantar e cerveja por 20 dólares e um voto para uma das oito propostas apresentadas durante a noite. Os organizadores procuram projetos que tenham impacto na comunidade. “Não precisa ser um projeto cívico ou ambiental, só precisa ter a comunidade em mente”, diz o website do evento. Já em Baltimore, a STEW é uma iniciativa semelhante que financia projetos de justiça social com um jantar mensal em que são servidos pratos preparados com alimentos locais e orgânicos ao preço de 10 dólares.

Essas experiências inspiraram outras nos EUA e em outros países, e hoje há uma rede internacional de iniciativas baseadas em micro-financiamento e uma refeição. Segundo o website do grupo, as 43 iniciativas que fazem parte da rede já levantaram US$ 33.188. A renda é modesta e os eventos dependem de trabalho voluntário e doações, mas seus adeptos apostam que o micro-financiamento de projetos locais pode crescer e acabar financiando uma revolução.

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Revista Página 22 - Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP - FGV
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