Balanço apresentado pelo MMA e pelo BNDES mostra que mecanismo chega aos 18 anos com R$ 5,3 bilhões em doações e 153 projetos aprovados. Desde 2023, média anual de aprovações passou de R$ 300 milhões para R$ 1,3 bilhão. O Fundo atende 650 organizações, 169 Terras Indígenas, 192 Unidades de Conservação e 260 mil pessoas, segundo dados do governo
O Fundo Amazônia quadruplicou o ritmo anual de aprovação de projetos desde a retomada de sua governança, em 2023. A média anual de aprovações saltou de cerca de R$ 300 milhões, entre 2009 e 2018, para R$ 1,3 bilhão no ciclo recente. O balanço da atuação do mecanismo foi apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Criado para transformar os resultados do Brasil na redução do desmatamento em cooperação internacional concreta, o Fundo Amazônia chega aos 18 anos como a maior e mais bem-sucedida iniciativa de Redd+ do mundo em volume de recursos e resultados”, avalia o BNDES.
O mecanismo soma R$ 5,3 bilhões em doações e 153 projetos aprovados, com atuação voltada à prevenção, ao monitoramento e ao combate ao desmatamento, além do apoio à restauração florestal, à regularização ambiental e territorial e à produção sustentável.
Entre 2023 e 2025, a média anual desembolsada chegou a R$ 224 milhões, acima da média de R$ 206 milhões registrada entre 2010 e 2018. O crescimento ocorre após a reativação da governança do Fundo, a recriação da estrutura dedicada ao mecanismo no BNDES e a definição de novas diretrizes para aplicação dos recursos, em alinhamento com as políticas públicas de combate ao desmatamento e desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Reino Unido, o segundo maior doador
No dia 10 de junho, o Reino Unido anunciou seu segundo desembolso para o Fundo Amazônia, no valor de 40,7 milhões de libras, se tornando o segundo maior doador. O anúncio ocorreu em evento no Palácio do Planalto durante a apresentação das ações em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente de 2026. Na ocasião, o BNDES também comunicou o lançamento dos editais Recaatingar e Sanear Indígena e o avanço de novas operações com recursos do Fundo Clima.
A carteira atual está organizada em eixos estratégicos de alto impacto. Em restauração florestal, o Restaura Amazônia destinou R$ 450 milhões a 12 chamadas públicas, das quais nove já foram concluídas, com seleção de 45 projetos. As iniciativas alcançam 26 Terras Indígenas, 80 assentamentos e oito Unidades de Conservação, com foco na recuperação de áreas degradadas no território historicamente mais desmatado da Amazônia.
Nas atividades produtivas sustentáveis, o Fundo reúne R$ 1,1 bilhão em projetos para inclusão social e produtiva de pequenos agricultores, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. As ações beneficiam mais de 90 mil famílias, envolvem mais de 300 organizações locais e estão presentes nos nove estados da Amazônia Legal. Entre as iniciativas estão Amazônia na Escola, acesso à água, chamadas públicas para atividades sustentáveis, além de parcerias com Conab, Sebrae e projetos estruturantes.
Na regularização fundiária e ambiental, são R$ 433 milhões destinados a quatro projetos emblemáticos: Caminhos Verdes, União com Municípios, Pará Mais Sustentável e Paz no Campo, no Maranhão. As ações alcançam os nove estados da Amazônia Legal, com mais de 10 milhões de hectares georreferenciados, mais de 40 mil famílias beneficiadas e iniciativas de regularização em 20 territórios quilombolas.
Prevenção e combate a incêndios
O Fundo Amazônia ampliou o apoio à prevenção e ao combate a incêndios florestais, com R$ 521 milhões em ações que abrangem 14 estados e três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Desse total, R$ 371 milhões foram destinados ao fortalecimento dos Corpos de Bombeiros nos nove estados da Amazônia Legal e R$ 150 milhões ao manejo integrado do fogo no Cerrado e no Pantanal. A carteira prevê 500 veículos, 33,8 mil equipamentos de uso individual, 5 mil pessoas capacitadas e 30 bases operacionais.
Outro eixo prioritário é o fortalecimento da fiscalização, do controle e do monitoramento ambiental. O Fundo destinou R$ 826 milhões ao Ibama para ampliar a capacidade de prevenção, detecção, fiscalização e responsabilização por infrações ambientais, com uso de helicópteros, drones de alta tecnologia, veículos, inteligência artificial e novos sistemas. A carteira inclui ainda R$ 319 milhões para o Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS), com atuação nos nove estados da Amazônia Legal e apoio a forças de segurança federais e estaduais.

