No ano em que completa seu 20º aniversário, a publicação adota uma nova identidade visual em sua logomarca, mais representativa do atual momento
Por Magali Cabral
Referência no mercado editorial brasileiro por antecipar a importância do tema da sustentabilidade, a Página22 apresenta uma nova identidade visual em comemoração aos seus 20 anos de estrada, que serão completados em setembro. A publicação retira o numeral “22” do logotipo e o substitui por aspas, um sinal gráfico essencial ao jornalismo que remete à pluralidade de vozes.
A mudança atualiza sua representação gráfica, mas preserva o nome da publicação. Segundo a editora e cofundadora da Página22, Amália Safatle, a proposta é marcar um novo ciclo da revista sem romper com a sua história. “O nome continua. O que mudou foi a logomarca. Queríamos dar um frescor para essa nova fase e traduzir melhor o momento que estamos vivendo, de grande necessidade de diálogo”, afirma.
Quando a revista foi criada, o número 22 fazia referência ao século XXII, simbolizando um futuro ainda distante. A ideia era estimular reflexões sobre o que deveria ser feito para garantir bem-estar e sustentabilidade às próximas gerações. Duas décadas depois, o contexto é outro. A humanidade não fez toda a lição de casa que deveria. Com isso, a gravidade da mudança climática e de outros desafios socioambientais se antecipou e intensificou, deixando de ser projeção para se tornar parte do cotidiano.
“O 22 representava o futuro. Mas esse futuro chegou muito mais rápido do que imaginávamos e se incorporou ao presente. Por isso, não fazia mais sentido manter tanta ênfase gráfica nesse número”, explica a jornalista.
As aspas que passam a integrar a marca cumprem um papel duplo. Além de fazerem uma referência subliminar ao antigo numeral, reforçam a vocação jornalística da publicação. O designer gráfico José Roosevelt Jr. conta que o processo criativo do design ocorreu a partir de uma reflexão sobre o número 22, que já não carregava o mesmo peso literal, mas sua memória visual era importante.
“Visualmente, os dois traços das aspas fazem uma reverência ao antigo ’22’, limpando o logotipo e tornando-o leve, moderno e adaptável para qualquer tela. A solução de substituir o número pelas aspas representa o encontro perfeito entre forma e função”, define Roosevelt.

Essa alteração visual também acompanha uma transformação editorial que vem ocorrendo nos últimos anos. Pioneira na cobertura da sustentabilidade em uma época em que o tema ainda aparecia de forma fragmentada na grande imprensa, Página22 teve o papel de um fio condutor, ajudando a conectar questões ambientais, sociais e econômicas ao debate sobre desenvolvimento.
Com a ampliação da cobertura dos temas socioambientais por grandes veículos, a publicação passou a buscar diferenciação por meio da especialização e do aprofundamento dos conteúdos.
“O mercado está demandando informação qualificada sobre temas muito específicos e estratégicos. É nesse espaço que queremos atuar cada vez mais, produzindo análises, relatórios, livros e conteúdos aprofundados que ajudem a construir soluções”, afirma a editora.
A nova identidade visual também traduz essa mudança de foco. Se há 20 anos a grande preocupação era alertar para os desafios das próximas décadas, hoje a missão é ajudar a compreender problemas e propor soluções para realidades que já fazem parte do presente. Para Safatle, mais do que uma mudança estética, a nova marca simboliza uma nova ênfase: “menos na ideia de um futuro distante e mais na busca de caminhos para resolver as coisas agora e regenerar o que já foi destruído”.
